A Jetimob, empresa associada ao InovaTec UFSM Parque Tecnológico, promoveu nos dias 10 e 11 de julho o Jet Spark, hackathon imersivo voltado ao desenvolvimento de soluções para o mercado imobiliário. Integrada à programação do JetDay, a iniciativa reuniu colaboradores em uma maratona de 24 horas para transformar desafios reais de clientes em protótipos de produtos e novos modelos de negócio.
Mais do que uma competição, o evento marcou uma nova estratégia da empresa para aproximar seus times da realidade do mercado e fortalecer uma cultura de inovação baseada na escuta ativa dos clientes.
Segundo o CEO da Jetimob, Victorio Venturini, o hackathon representa uma mudança na forma como a empresa pretende desenvolver suas soluções. “Os clientes não querem mais contratar apenas um CRM ou um ERP. Eles querem resolver problemas. Por isso, trouxemos dores reais do mercado para que as equipes pudessem entendê-las, validá-las com profissionais do setor e transformá-las em soluções. Esse hackathon é o primeiro passo de uma forma permanente de construir produtos cada vez mais próximos da realidade dos clientes”, afirma o empreendedor.
Venturini destaca que a proposta também reforça o modelo de inovação defendido pela empresa, que combina conhecimento interno e participação ativa do mercado: “não acredito apenas em inovação de dentro para fora ou de fora para dentro. Acredito em uma inovação híbrida, construída junto com clientes, especialistas e parceiros. É essa conexão que gera soluções com impacto real”, complementa.
Cultura de inovação orientada pelo cliente
Com cerca de 80 colaboradores, a Jetimob atua no desenvolvimento de soluções para CRM, ERP e gestão de sites imobiliários. O Jet Spark foi criado para aproximar todas as áreas da empresa dos desafios enfrentados diariamente pelos clientes.
Para João Victor Ehlers, Gestor de Customer Success da Jetimob, o principal resultado esperado vai além dos projetos desenvolvidos durante a maratona: “um dos principais valores da Jetimob é o compromisso com o sucesso do cliente. Para que esse compromisso seja efetivo, é preciso compreender profundamente as dores do mercado. Mais importante do que a solução final é desenvolver uma mentalidade orientada à inovação. Se as equipes aprenderem a pensar dessa forma, o investimento já terá valido a pena.”
Os desafios do hackathon foram organizados em dois grandes eixos: a jornada de vendas e a jornada de locação de imóveis.
















Maratona reuniu equipes multidisciplinares
O Jet Spark contou com oito equipes, compostas por cerca de cinco integrantes cada, identificadas pelos nomes Dino, Llama, Octopus, Rabbit, Bird, Cat, Goat e Horse.
Os grupos foram estruturados com perfis complementares inspirados em metodologias de inovação: um Hipster, responsável por design, produto e experiência do usuário; Hustlers, voltados à estratégia de negócios e validação de mercado; e Hackers, responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico das soluções.
A programação foi dividida em quatro etapas:
- Ideathon: identificação dos problemas, construção das primeiras ideias e validação inicial;
- Validação: refinamento das propostas com apoio de mentores;
- Build: desenvolvimento dos protótipos utilizando a abordagem de vibe coding e preparação do pitch;
- Pitch: apresentação final das soluções para uma banca avaliadora.
A etapa inicial contou com apoio metodológico da Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (PROINOVA) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O Ideathon foi conduzido por Maurício Medina, da Coordenadoria de Educação Empreendedora.
Segundo Medina, metodologias como o Ideathon estimulam uma postura mais propositiva diante dos desafios organizacionais: “as equipes deixam de apenas identificar problemas e passam a assumir o papel de agentes da mudança, propondo soluções concretas. Esse tipo de atividade aumenta o engajamento das pessoas e fortalece uma cultura de inovação dentro das empresas.”
O facilitador também destacou a importância da aproximação entre universidade e setor produtivo. “A universidade contribui formando profissionais cada vez mais preparados, enquanto as empresas podem aplicar essas metodologias para desenvolver equipes mais inovadoras. Essa conexão fortalece todo o ecossistema de inovação”, salienta.
Aproximação com especialistas do mercado
Durante toda a maratona, os participantes tiveram contato direto com profissionais reconhecidos do mercado imobiliário e da academia.
Na etapa de Ideathon, os chamados Insiders de Mercado acompanharam presencialmente as equipes, compartilhando experiências e contribuindo para a construção das soluções. Participaram Catiane Lange (Catiane Lange Imóveis), Liana Vargas (Alegrete Imóveis), Diego Godoy (Bravier Imóveis), Fernando Dall Agnol (FORTHE Imobiliária), Mirkos Martins (UFN), Cristian Fagundes (UFN) e Jota Baptista (Upload).
Na fase de validação, os projetos foram analisados por mentores convidados que participaram de forma online: Marcel Manduca (Gralha Imóveis), Priscila Santos (Crédito Real), Fabrício Sorondo (Fuhro Souto), Felipe Soares (NF Empreendimentos), Pablo Bueno (61 Imóveis) e Guilherme Wohlke (Citalli Imóveis).
Para Venturini, esse contato direto entre colaboradores e profissionais do setor é um dos diferenciais do evento. “O hackathon tira o participante da zona de conforto e o coloca em contato com os problemas reais do mercado. Quanto maior o entendimento dessas necessidades, maior será a capacidade de desenvolver soluções relevantes”, afirma.
Avaliação e premiação
Os protótipos foram avaliados por uma banca formada pelo CEO da Jetimob, Victorio Venturini, pelo CPTO Gabriel Peixoto e pelos convidados Maiquel Oliveira, diretor da REDE MOI, e Liziane Stangarlin, diretora da PRIZE MÓVEIS.
Além do potencial de inovação, foram considerados critérios como relevância, viabilidade e impacto das soluções apresentadas.
As equipes vencedoras receberam premiação em dinheiro:
- 1º lugar: R$ 5 mil;
- 2º lugar: R$ 3 mil;
- 3º lugar: R$ 1 mil.
Isabela, analista de negócios da Jetimob e integrante da equipe Dino, vencedora da competição, afirmou que o principal aprendizado proporcionado pelo JetSpark foi o desenvolvimento pessoal. Segundo ela, a experiência fortaleceu a união da equipe, permitiu compreender de forma mais profunda os desafios apresentados pelas empresas parceiras e aproximou os participantes de especialistas do mercado. “O mais valioso foi a união, entender realmente as dores dos clientes, nos aprofundar com especialistas que estavam dispostos a compartilhar os desafios que enfrentam diariamente e quebrar barreiras pessoais”, destacou.
A expectativa da empresa é transformar a experiência em um modelo permanente de desenvolvimento de soluções, aproximando ainda mais a tecnologia das necessidades reais dos clientes e fortalecendo o ecossistema de inovação da região.
Texto: Jéssica Medeiros, assistente de comunicação do InovaTec UFSM.
Fotos: Fabiano Foggiato, assistente de audiovisual do InovaTec UFSM.