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Percevejo-marrom em soja: identificação e controle



A soja (Glycine max) é a cultura de maior interesse econômico do Brasil. No entanto, alguns insetos-praga causam grande preocupação aos produtores devido aos danos causados na lavoura e que interferem na produtividade. Nesse sentido, o Euschistus heros — conhecido popularmente por percevejo-marrom — é um inseto de aparelho bucal sugador que pertence à família Pentatomidae, sendo uma preocupante espécie de percevejo. Essa espécie, presente em todas as regiões produtoras do país, possui elevado potencial de dano, podendo atingir até 30% do potencial produtivo, prejudicando a qualidade das sementes.

O ciclo de desenvolvimento do Euschistus heros de ovo a adulto varia de 25 a 30 dias. A postura desses insetos possui coloração amarela/alaranjada no fim do período embrionário, depositados em pequenas massas de 5 a 8 ovos em folhas e vagens de soja. Quando adultos, medem de 11 a 15mm de comprimento, apresentam coloração marrom, dando a denominação vulgar de percevejo-marrom, e sua longevidade média é de 116 dias, depositando cerca de 130 ovos durante sua vida.

Imagem 1: Ciclo de desenvolvimento do percevejo-marrom, Euschistus heros

Fonte: Cividanes, 1992

O percevejo-marrom inicia a colonização da planta durante ou após a floração, no seu reprodutivo (R1 ou R2), e os danos do inseto ocorrem após a fase de formação das vagens até o final do desenvolvimento das sementes (R3 a R7). Durante esse período, atacam ramos, hastes e vagens. Quando há danos nas vagens ocorre maior perda de produtividade, pois há má formação de grãos, ocorrendo casos de inviabilização da semente por abortamento, redução do vigor e do potencial germinativo, além da entrada de fungos e bactérias devido às lesões nas sementes.

Para o manejo do percevejo na cultura é necessário o monitoramento da praga, que deve ser iniciado no período de floração e mantido semanalmente. A contagem dos percevejos é realizada por meio do pano de batida, técnica que utiliza um tecido de dois cabos fixados de largura variável de 1 a 1,5 m por 1 m de comprimento. Ela consiste em colocar o pano de batida na entrelinha, realizar a batida e, em seguida, iniciar a contagem. Para haver maior precisão no monitoramento, é ideal de 15 a 30 pontos de amostragem por área, a partir da periferia da lavoura para o interior, nos quais serão contabilizados a quantidade de ninfas e adultos.

Imagem 2: Amostragem com pano-de-batida

Fonte: Embrapa

A aplicação do inseticida deve ser feita quando forem encontrados dois insetos por metro linear nas fileiras de soja destinados à produção de grãos e um percevejo por metro de fileira de plantas em lavouras de sementes, para que haja efetiva eficiência de controle e otimização do produto utilizado.

O principal defensivo utilizado no manejo dessa praga é a mistura de neonicotinoides, piretroides e organofosforado, porém, há uma preocupação com o controle químico do percevejo, pois há somente três grupos químicos com modo de ação distintos, sendo suscetível a evolução de resistência ou gradativamente perda da eficiência. Outra alternativa seria o controle biológico, com Trissolcus basalis e Telenomus podisi que atacam os ovos do percevejo, podendo chegar a taxas de parasitismo de 60% a 80%, respectivamente.

O controle do percevejo-marrom ainda é um desafio, porém com o adequado monitoramento do inseto para realizar a aplicação somado a medidas biológicas garantem a minimização do ataque da praga, mantendo a produtividade.

Autora:

Maria Luiza Biacchi Vione, acadêmica do 3º semestre de Agronomia e integrante do grupo PET Agronomia — Universidade Federal de Santa Maria

Referências:

AVILA, C. J.; FERNANDES, P. H. R.; SILVA, I. F. da. Ações de controle do percevejo-marrom na soja, 2020.

IRAC-BR. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas. Manejo da Resistência do Percevejo-marrom a Inseticidas.

PANIZZI, A. R.; BUENO, A. de F.; SILVA, F. da. Insetos que atacam vagens e grãos. Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga. Brasília: Embrapa, 2012.

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