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A falta de saneamento básico como parte do racismo ambiental no Brasil



O termo “racismo ambiental” se refere às injustiças sociais e ambientais que populações marginalizadas enfrentam. Historicamente, os locais mais afastados dos centros das cidades são ocupados por populações de baixa renda e minorias, por conterem imóveis baratos, além de conseguirem adquirir um terreno de forma irregular. A necessidade de ter uma moradia, mesmo que de forma precária, faz com que essas pessoas enfrentem desigualmente as mudanças do clima e os problemas socioambientais dos seus territórios.

A falta de saneamento básico é um exemplo dessa desigualdade, atingindo mais da metade dos habitantes de 3.505 dos 5.569 municípios do país, segundo o Censo de 2022, realizado pelo IBGE. As cidades mais afetadas com a falta de saneamento são as interioranas com 5 mil moradores, em que 49% dos domicílios possuem rede coletora, pluvial ou fossa séptica, enquanto as cidades com mais de 500 mil habitantes chegam a 91% de tratamento de dejetos. Logo, o espaço geográfico interfere no acesso público à despoluição.

Além disso, a população sem acesso ao saneamento tem sua saúde fragilizada. Conforme o médico e ambientalista, Gilberto Natalini, em declaração no festival “Virada Sustentável 2025”, a comunidade marginalizada tem maiores chances de desenvolver problemas de saúde relacionados aos mosquitos, às febres e outras doenças sanitárias. Por conta da falta de coleta residual nos lugares em que habitam, conforme o IBGE, 9,1% dos brasileiros não têm acesso ao serviço, o que fragiliza ainda mais essas populações. 

Outro fator que contribui para o esquecimento destas pessoas em relação ao serviço básico ainda é etnico-racial. De acordo com o IBGE, 87% das pessoas brancas têm acesso a saneamento, enquanto pessoas pretas 75%, pardas 70% e indígenas 30%, diminuindo a qualidade de vida e bem-estar, fazendo parte também da desigualdade estrutural que esses grupos sofrem. De acordo com o analista do IBGE, Bruno Perez “[…] em todos os 20 municípios brasileiros mais populosos, a população de cor ou raça branca têm mais acesso a abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo do que a população de cor ou raça preta, parda e indígena.” em nota à revista Carta Capital.

Portanto, o racismo ambiental, assim como a escassez de saneamento, tem raízes profundas de desigualdades sociais e afetam diretamente a vida de milhões de  brasileiros. Esse é um dos problemas que grupos minoritários passam dentro da sociedade e que o esquecimento dos governadores por essas populações. O espaço geográfico se torna político e o afastamento dos centros municipais torna a prefeitura ausente, pelo menor trânsito de pessoas e turistas por esses lugares.

| Por Emylli Fontoura 

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