A COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que está sendo realizada em Belém do Pará, marca um momento histórico: pela primeira vez, o centro das decisões climáticas globais volta-se diretamente para o coração da Amazônia, bioma essencial para a regulação climática do planeta e território de povos que, há séculos, garantem sua preservação. É neste cenário que o Grupo PET Educom Clima da UFSM fortalece sua atuação na comunicação socioambiental, contribuindo para aproximar a sociedade local das discussões mais urgentes do nosso tempo.

Desde o início de 2025, o grupo acompanha os preparativos da Conferência com o projeto “De Olho na COP”, desenvolvido em parceria com o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (GPJA/UFRGS). A iniciativa analisa criticamente a cobertura jornalística da COP30 e os desafios que cercam sua realização. O objetivo é identificar lacunas informativas e estimular um debate qualificado sobre as decisões que podem definir o futuro do clima no mundo.

Além desse monitoramento da mídia, o PET Educom Clima ampliou sua presença na comunicação climática com reportagens especiais a cada semana. Entre os temas abordados ao longo do ano, foram destaque cultura amazônida, proteção de povos indígenas, o papel da juventude no ativismo ambiental, disputas entre interesses econômicos e justiça socioambiental. Essa atuação contínua se fortaleceu com o Clima em Pauta, quadro semanal que informa, de maneira acessível e dinâmica sobre mudanças climáticas, educação, comunicação e o combate à desinformação. A iniciativa traduz debates técnicos e decisões globais em conteúdos que fazem sentido no cotidiano da comunidade acadêmica e regional. Ao selecionar e contextualizar informações verificadas, o grupo contribui para ampliar o engajamento social diante da crise climática e enfrenta diretamente os desafios da desinformação, um dos grandes obstáculos para a construção de políticas ambientais efetivas.
Veiculado nos canais oficiais do PET, o Clima em Pauta se consolida como um espaço de referência para quem busca atualização constante e confiável sobre o futuro climático do planeta. Assim, o grupo reafirma seu compromisso com a educomunicação que, inspirados em Paulo Freire, constitui as ações que mais do que transmitir saberes, buscam o diálogo e a coparticipação crítica.
Entre as ações criadas recentemente, está o podcast “Vozes na COP”, um espaço de diálogo sobre os rumos do planeta a partir do que acontece em Belém. Com cinco episódios, o programa explorou tópicos como saberes tradicionais, integridade da informação, cultura e justiça climática, além das responsabilidades do Brasil no combate às mudanças climáticas. Todo o processo, do roteiro à edição, foi realizado pelos integrantes do PET, que buscaram tornar as discussões da Cúpula Climática acessíveis à comunidade.

Aliando-se ao Observatório do Clima, o grupo atua como uma Estação Central da COP, divulgando o melhor da ciência entre estudantes do ensino médio e universitário. A Estação Central da COP é um convite do Observatório do Clima para qualquer grupo (escola, comunidade, coletivo, centro cultural, etc) que tenha interesse em criar um espaço de informação e formação sobre a Conferência das Partes (COP) e a mudança do clima. Nas esferas da pesquisa sobre desinformação climática, educação midiática e educomunicação socioambiental, a professora tutora Cláudia Herte de Moraes integra o PET Educom Clima à Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima.
Para a professora Cláudia Herte de Moraes, tutora do PET Educom Clima, a participação do grupo na cobertura da COP30 é resultado de um trabalho planejado desde o início do projeto. “Nosso PET já nasceu com foco na comunicação e no clima. Sabíamos que, com a COP acontecendo em Belém, haveria uma grande movimentação no país e, por isso, organizamos desde o fim de 2024 atividades que nos permitissem pesquisar, aprender e discutir o tema”, explica. Ela destaca que o grupo atua de forma integrada entre pesquisa, ensino e extensão, abordando temas como jornalismo ambiental, educação midiática, educomunicação socioambiental e justiça climática. “A produção que temos feito dá muito orgulho, porque passa essa noção de que a comunicação faz parte da transformação que queremos operar na sociedade: uma transformação em direção à sustentabilidade da vida e aos direitos”, afirma. Para Cláudia, o trabalho desenvolvido pelos petianos em 2025 deixa um saldo extremamente positivo e a atuação não termina com o fim da conferência. “Para nós, clima não é só o ano da COP. Seguimos construindo alternativas e discutindo o que está em jogo para garantir uma sociedade de dignidade, oportunidades e igualdade para todos e todas.”
Agora, durante os dias intensos da Conferência, o grupo amplia ainda mais sua atuação e integra a ação extensionista COP UFSM, liderada pela pró-reitoria de extensão. Com a divulgação de lives e transmissões especiais, oficinas, reportagens especiais, as redes sociais do PET trazem notícias em tempo real e aproximam o público do que está sendo debatido nos pavilhões da COP30. A cobertura reforça o papel da comunicação como ferramenta de participação política para a construção democrática em tempos de emergência climática. Fazer a COP na Amazônia é uma oportunidade única de expor ao mundo tanto os riscos de um bioma ameaçado quanto a riqueza de alternativas sustentáveis construídas por quem vive e cuida da floresta. Nesse contexto, o grupo PET Educom Clima reafirma seu compromisso: contribuir para que a sociedade compreenda o que está em jogo e participe da construção de futuros possíveis.
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Por Franchesco de Oliveira | Bolsista PET Educom Clima