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Mulheres Sustentáveis e Transformadoras: Aline Passini e o ODS 7



Ao longo da história, a sociedade começou a estudar diferentes maneiras de aproveitamento das formas de energia encontradas na natureza. Durante a Primeira Revolução Industrial (séc. XVIII e XIX), a energia a vapor, a utilização de carvão mineral e do ferro como combustíveis predominaram. Já na segunda metade do século XIX até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, período onde houve a ascensão da Segunda Revolução Industrial, o aço, a eletricidade e o petróleo tomaram o protagonismo na geração de energia. 

O uso dessas formas de geração de energia colaboraram para o aumento da industrialização mundial, mas com ela, vieram os impactos ambientais. O carvão mineral, o petróleo e o gás natural são fontes não renováveis, isto é, são finitas na natureza. Além disso, elas liberam Gases de Efeito Estufa (GEE), que interferem diretamente na temperatura terrestre. 

O Efeito Estufa é um fenômeno natural que serve para manter a Terra aquecida, mantendo o calor solar dentro do planeta. No entanto, o excesso de GEE na atmosfera impede que os raios solares em demasia saiam da Terra, o que acaba aumentando a temperatura terrestre, gerando um efeito em cadeia influenciando negativamente todo o ecossistema.

A poluição do ar, causada pela queima de combustíveis fósseis, também ocasiona diversas problemáticas, em especial, as patológicas. Com o ar poluído, contrair doenças respiratórias e ter maior probabilidade de câncer no pulmão e doenças cardiovasculares se torna mais fácil.

Retornando à história, a terceira revolução industrial, além de utilizar as formas de energia anteriores, também trouxe maior representatividade para novas formas de geração de energia, agora renováveis. Entre elas, podemos citar a eólica (energia do vento), a solar (captada por placas solares), a maremotriz (produzida pelas ondas do mar), entre outras que são cada vez mais popularizadas.

No entanto, a matriz energética mundial atual ainda é composta majoritariamente por fontes não renováveis. Segundo dados da International Energy Agency (IEA), o uso de carvão mineral, petróleo e gás natural no mundo somam juntos mais de 80% da matriz, indicando pouca representação de fontes renováveis. 

A matriz energética brasileira apresenta boas porcentagens de fontes renováveis, somando lenha e carvão vegetal, hidráulica, derivados de cana e outras renováveis, nossas renováveis totalizam 46,2%. Apesar disso, o petróleo, o gás natural e o carvão mineral juntos continuam como a maioria. 

Sem dúvidas, a energia elétrica se tornou um importante fator para o desenvolvimento de comunidades. Hoje em dia, é difícil dizer que teríamos o mesmo rendimento econômico sem eletricidade. Apesar disso, um bilhão de pessoas (13% da população) no mundo ainda não usufruem da energia elétrica em suas casas, segundo dados do Banco Mundial

Pensando nisso, a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU, prevê o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7: Energia Acessível e Limpa. Baseadas nesse ODS, diversas ações são desenvolvidas preconizando a substituição dessas fontes não renováveis por alternativas que não prejudiquem o meio ambiente. 

“Até 2030, assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia” Artigo 1 do ODS 7.

Entre elas está o projeto de extensão, coordenado pela professora Aline Passini, “Energias alternativas: estudo e aplicação em empresas e escolas da região norte e noroeste do estado do Rio Grande do Sul”. A professora ministra aulas no Departamento de Engenharia e Tecnologia Ambiental da Universidade Federal de Santa Maria campus Frederico Westphalen desde 2013, mas havia atuado como professora na Universidade de Passo Fundo (UPF) antes disso. Na UFSM ela participa de pesquisas nas áreas de Produção mais Limpa, Gestão de Resíduos Sólidos, Gestão Ambiental, Avaliação de Impacto Ambiental e Energias Alternativas. 

O projeto surgiu em 2016 e visa levar o conceito de eficiência energética por meio da educação ambiental para 19 escolas (estaduais, municipais e particulares) da região de Frederico Westphalen. Com palestras lecionadas por discentes da UFSM-FW, a comunidade escolar recebe suporte para entender de onde vem a energia que eles consomem e quais os impactos ambientais que ela produz. 

“O acesso à energia deixou de ser um luxo. Agora ele é uma necessidade básica”, ressalta a coordenadora do projeto. Os participantes da ação pesquisam metodologias mais baratas para atender às comunidades mais vulneráveis, buscando soluções econômicas e sustentáveis, como o aquecedor de água com cano PVC pintado de preto e caixas de leite reutilizadas.

Além de atender diretamente ao ODS 7, Passini retoma que a questão ambiental é transversal e gera benefícios indiretos aos outros ODS’s listados na Agenda 2030. “Qualquer benefício ambiental que eu gere, também irei gerar qualidade de vida”. 

A professora crê que a extensão universitária é peça chave da formação dos alunos, pois é através dela que os discentes podem ter um contato direto com a população e perceber o impacto que o conhecimento traz na comunidade. “Eu prefiro ter mais alunos na extensão do que um currículo extenso na CNPQ”, relata. Além disso, Passini declara que projetos de extensão universitária precisam de parcerias, sejam internas, com outros projetos, ou externas, com apoio do governo e de empresas privadas.

Há pouco mais de 2 anos, o projeto em questão ajudou na organização de um concurso de desenho nas escolas do município de Frederico Westphalen, com a proposta de que os alunos fizessem desenhos com o seguinte tema: “Ideias sustentáveis: a cidade que eu quero”. A iniciativa contou com o apoio de diversas entidades que conseguiram prêmios como bicicleta, smartphone e tablet para os três vencedores. 

Passini acredita que ao levar o conhecimento acadêmico às escolas do entorno da Universidade, a UFSM realiza o seu papel de Instituição de ensino pública. Devido à pandemia, as ações do projeto estão parcialmente paralisadas. Alguns alunos participantes também se formaram e tiveram que deixar a iniciativa, mas quatro alunos já estão entrando para dar continuidade à ação.

A professora também coordena o Programa de Extensão Recicla Frederico, o Projeto Institucional UFSM Sustentável e o Projeto de Pesquisa Soluções Sociais de Acesso à Energia Limpa e Renovável, inserido no contexto dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU. 

Questionada sobre como surgiu seu interesse sobre as questões socioambientais e pela extensão, Passini foi mais a fundo e retornou à sua infância. Quando pequena, ela auxiliava seu avô nas campanhas eleitorais, batendo de porta em porta. Ele exerceu o cargo de vereador durante 20 anos na cidade de Passo Fundo e foi um dos primeiros a receber o título “funcionário padrão”, concedido pelo governo federal. Dada essa convivência “corpo a corpo” com a comunidade, Aline Passini continuou o legado de seu avô, buscando ajudar as pessoas.

Na sua primeira graduação, em Engenharia de Alimentos, ela se identificou mais com a área de gestão e acabou seguindo sua trajetória acadêmica voltada à gestão, mas com foco ambiental. Hoje, a professora é membro da Comissão de Pesquisa e Extensão (CEPEX) e representante ambiental da UFSM, FW. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa CEP/UFSM e da Comissão Responsável pela Implementação da Agenda 2030 no âmbito da UFSM. Por fim, Passini também coordena o Curso de Licenciatura Indígena em Educação – EAD.

Apesar de ser referência em sua área hoje, a professora revela que são poucas as mulheres hoje que pesquisam soluções energéticas. Durante sua jornada, Passini conta que sempre esteve em ambientes em que homens predominavam os cargos de gestão, enquanto as mulheres ficavam na retaguarda. Mas ela enxerga que, felizmente, esse contexto está mudando dia após dia e ela faz parte dessa transformação. 

Matéria por Caroline Siqueira | Bolsista de Jornalismo.

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