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Mulheres Sustentáveis e Transformadoras – Marilise Krügel e o ODS 11



A população urbana está crescendo cada dia mais. Segundo projeções do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas de 2018, até 2050, cerca de 68% da população mundial viverá em áreas urbanas. O crescimento urbano simboliza maior movimentação da economia e desenvolvimento da comunidade, no entanto, ele também traz algumas questões problemáticas. 

Sem um planejamento adequado, os centros urbanos, principalmente de países em desenvolvimento (como o Brasil), têm seus serviços básicos entrando em colapso. O transporte público, a saúde, a educação, por exemplo, não são oferecidos de uma forma adequada e a qualidade de vida da população diminui exponencialmente. Além disso, as grandes cidades ainda contam com o fator da segregação socioespacial: a população mais vulnerável mora mais longe dos centros comerciais, nas regiões periféricas, a maioria em habitações precárias e com o acesso aos serviços básicos mais restrito.

Dentro destes serviços básicos, há um em especial de extrema relevância ambiental: a gestão dos resíduos gerados pela população. Só no Brasil, são coletadas 166 mil toneladas de resíduos por dia, de acordo com dados de 2018 do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Ainda neste levantamento do MMA, foi constatado que 45% dos municípios depositam seus resíduos de forma inadequada. A má gestão dos resíduos sólidos traz problemas socioambientais graves, como a poluição da água, do solo, do ar e ainda interfere diretamente na saúde pública, pois quando mal dispostos, os resíduos atraem vetores de doenças, como a leptospirose, hepatite A, cólera e diarreia. 

Pensando nisso, em 2016, houve a nova Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Sustentável (Habitat III), em Quito, no Equador. Esse evento representa a visão compartilhada para um futuro melhor e sustentável. Nele, foi estabelecida a nova Agenda Urbana, iniciativa mundial que conta com uma série de ações que prevêem um melhor planejamento urbano, oferecendo palestras mundiais e propostas de planos de ações voltados às localidades mais necessitadas.

Agenda 2030, proposta pela ONU, vem como suporte a essa Agenda Urbana, contando com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis da Agenda 2030, que visa tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. 

“Apoiar os países menos desenvolvidos, inclusive por meio de assistência técnica e financeira, para construções sustentáveis e robustas, utilizando materiais locais”

Artigo c do ODS 11.

A UFSM conta com diversas ações que atendem esse Objetivo, entre elas, está o Gestão de resíduos sólidos recicláveis no campus da UFSM, em Camobi, Santa Maria, coordenado pela professora Marilise Mendonça Krügel. Krügel é graduada em Ciências Biológicas pela UFSM e mestre e doutora em Zoologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). 

A professora conta que o projeto tem ainda maior relação com o ODS 11, pois o campus sede da UFSM tem porte e a complexidade de uma cidade. 

A ideia surgiu em 2016, tendo como inspiração um outro projeto de coleta seletiva que o professor do departamento de Zootecnia Everton Rodolfo Behr estava coordenando no campus da UFSM em Silveira Martins. “Além desta experiência, Everton e eu sempre nutrimos um sentimento de indignação e insatisfação com a questão da gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos em Santa Maria e, até aquele momento, no campus da UFSM.”, diz Krügel.

“Até 2030, reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades, inclusive prestando especial atenção à qualidade do ar, gestão de resíduos municipais e outros.”

Artigo 6 do ODS 11.

Em vários momentos da história da UFSM, houve iniciativas de coleta seletiva, como no Centro de Ciências Rurais (CCR), Centro de Tecnologia (CT), na Casa do Estudante (CEU) e no Hospital Universitário (HUSM), mas estas eram pontuais e não tinham um impacto mais forte na Universidade no geral. 

Então, Krügel, Behr e um acadêmico do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental, Yamil Salomón, se organizaram e começaram a estudar sobre a implementação de um sistema de coleta seletiva no campus sede. Aos poucos, eles foram instalando pontos de coleta pelas dependências universitárias. A ação ganhou força com o apoio e atuação do Setor de Planejamento Ambiental (SPA) da Pró-Reitoria de Infraestrutura; da então presidente da Comissão de Planejamento Ambiental (COMPLANA), professora Marta Tochetto, e também do trabalho de muitos professores, técnico-administrativos e acadêmicos.

Ao longo destes anos de atuação, Krügel e sua equipe buscaram realizar, além da própria coleta, atividades de apoio à ação, como a produção de material informativo, ações de educação ambiental, apoio no monitoramento dos pontos de coleta e na capacitação das funcionárias responsáveis pela limpeza do campus.

“Vale lembrar que a implementação da coleta seletiva além de sua importância ambiental, econômica e social, também é uma exigência decorrente do Decreto Federal nº 5.940/2006, que institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis.”, relembra a professora. 

Atualmente, a coleta seletiva é feita através de associações de selecionadores de resíduos, habilitadas conforme o Decreto 5940/2006 e escolhidas pela Instituição através da publicação de edital. Esse sistema foi implementado em junho de 2016, através de um acordo firmado entre a Universidade e três associações: Associação de Selecionadores de Materiais Recicláveis (ASMAR), Noêmia Lazzarini e Associação de Reciclagem Seletiva de Lixo Esperança (ARSELE). 

Krügel revela que coordenar uma ação como esta não é uma tarefa muito fácil: “Atuar em projetos que envolvam coleta seletiva implica em sensibilizar as pessoas para os graves problemas ambientais decorrentes do descarte inadequado de resíduos […] e principalmente, implica na mudança do comportamento e dos hábitos das pessoas.”, relata a professora. A coordenadora diz que quando nos sensibilizamos com a importância da separação dos resíduos, passamos a considerar nossas compras, começamos a pensar sobre economia circular e o ciclo de vida do produto e passamos a entender que é uma ação que se inicia no individual e que tem grandes implicações sobre o coletivo.

“Os resíduos recicláveis produzidos na UFSM, se corretamente separados pela comunidade universitária, são limpos, de qualidade e têm um grande valor para as associações que os recebem.” A professora conta que hoje os resíduos gerados na UFSM beneficiam, pelo menos, 30 famílias. “Para estas famílias o nosso ‘lixo’ é emprego e renda, é comida na mesa, é a compra de roupas. Poder contribuir desta forma é gratificante.” diz Krügel.

Frente à pandemia, o projeto teve que se readaptar. “Estamos criando conteúdos destinados aos professores, alunos e funcionários terceirizados de limpeza. Além disso, contribuímos com o SPA no monitoramento dos pontos de coleta. A coleta dos resíduos está ocorrendo nas segundas e quintas-feiras com redução, obviamente, na quantidade gerada diariamente.”, diz a professora.

Apesar das grandes conquistas já realizadas pelo projeto, Krügel revela que a ação ainda precisa progredir em alguns quesitos, como o fortalecimento da coleta seletiva solidária, a destinação de resíduos perigosos, a compostagem de resíduos orgânicos, a coleta e destinação de produtos eletroeletrônicos, de óleo vegetal e dos

resíduos da construção civil.

Pessoalmente, Marilise Krügel diz que tem motivação para sensibilizar e mobilizar pessoas para mudar hábitos, refletir sobre o consumo e de divulgar o princípio de que precisamos agir individualmente em prol do coletivo e pela saúde ambiental de onde vivemos.

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