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Assistência estudantil e permanência na UFSM

Auxílios oferecidos pela instituição garantem acesso à Universidade, mas estudantes relatam desafios para manter a trajetória acadêmica



Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:

Ilustração por Eduardo Carlsson

Acordar às 7h30min para assistir aula, almoçar rapidamente antes de pegar o transporte público, passar toda a tarde e noite no emprego, enfrentar dois ônibus no retorno e chegar em casa depois da meia-noite. Essa era a rotina de Manuella Silva, 24 anos, estudante de Tecnologia em Alimentos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mesmo sendo beneficiária da assistência estudantil da Universidade, a necessidade de trabalhar fazia parte da sua rotina. Ela trabalhou em um shopping da cidade até novembro de 2025 para suprir gastos com medicamentos, materiais para aula, produtos de higiene pessoal e itens de limpeza. “A minha rotina cansativa era o que fazia eu conseguir permanecer na Universidade. Eu não queria apenas sobreviver, eu queria viver”, relata.

A situação vivida por Manuella não é isolada. Segundo dados da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), a Universidade atende atualmente cerca de 3.657 estudantes por meio do Benefício Socioeconômico (BSE), programa que dá acesso a subsídios para a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

De acordo com o Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis, Victor de Carli Lopes, a instituição aplicou, em 2025, cerca de R$29,1 milhões em ações voltadas aos alunos. O valor contempla benefícios e serviços como a Casa do Estudante Universitário (CEU) e o Restaurante Universitário (RU), além de bolsas, auxílios e demais programas de assistência estudantil. Entre os recursos oferecidos pela instituição, destacam-se o auxílio alimentação, com investimento de R$2.021.250,00, o auxílio transporte, que recebeu R$1.016.330,00, e o auxílio pedagógico, com R$416.943,00 destinados aos estudantes. 

Victor de Carli Lopes, Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis. Foto por Júlia Sones
Victor de Carli Lopes, Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis. Foto por Júlia Sones
Edison Luiz Pavão Borges, coordenador da Casa do Estudante Universitário. Foto por Júlia Sones
Edison Luiz Pavão Borges, coordenador da Casa do Estudante Universitário. Foto por Júlia Sones

O coordenador da Casa do Estudante Universitário, Edison Luiz Pavão Borges, explica que a assistência estudantil é um conjunto de ações. “A moradia por si só não resolve. Então a gente deve somar todos os auxílios e fatores que foram desenvolvidos nos últimos anos para que o aluno permaneça aqui e consiga se formar com excelência”, declara Edison.

 

A necessidade de buscar sustento externo e a rigidez de cursos integrais também cobram um preço alto, afetando diretamente a saúde dos estudantes. Isabela De Andrade, graduanda de Relações Públicas, precisou reorganizar drasticamente sua trajetória acadêmica para dar conta de uma rotina exaustiva em que dividia o tempo entre um estágio obrigatório da faculdade, um extracurricular em formato home office e um emprego presencial no comércio. A sobrecarga para se manter na cidade fez com que ela trancasse quatro disciplinas ao longo dos semestres, atrasando o curso em um ano e meio.

A pressão contínua resultou em um esgotamento extremo. Em 2025, Isabela sofreu um burnout e um surto psicótico, episódios que exigiram internação hospitalar e afastamento médico. Apesar do impacto severo, ela destaca o suporte que encontrou na instituição durante o período mais crítico para não perder o vínculo com a graduação. “A UFSM me auxiliou permitindo fazer cadeiras online enquanto estive internada. A rotina era muito pesada, não tinha como estagiar e fazer faculdade ao mesmo tempo”, desabafa.

As histórias de Manuella, Gabriel e Isabela mostram que a assistência estudantil desempenha um papel fundamental para garantir o acesso e a continuidade dos estudos de milhares de alunos. No entanto, os relatos também evidenciam que a permanência acadêmica envolve desafios que ultrapassam o alcance dos auxílios institucionais. Entre jornadas de trabalho extensas, dificuldades financeiras e a necessidade de conciliar diferentes responsabilidades, permanecer na Universidade ainda é um processo de constante adaptação e resistência.

Ilustração por Eduardo Carlsson

Reportagem escrita por Júlia Sones e Nathalia Guerreiro

 

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