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Como o descarte inadequado de medicamentos afeta o meio ambiente?



             Você  já parou para pensar o que ocorre com os medicamentos vencidos, seringas, cartelas/blister jogados no lixo comum da sua casa? Vivemos  em uma sociedade onde muitas pessoas não se importam com o descarte de materiais pós uso, muito menos com o onde descartar. E nos enganamos em pensar que ao descartar um material, ele está tendo o fim do seu ciclo, pois ele apenas está iniciando outro, seja com outro ser vivo, seja em outro ecossistema, afinal, tudo que foi criado a partir da matéria bruta, utilizado e descartado pelo homem, apenas inicia outro ciclo e segue trazendo impactos ambientais.

             As principais causas do descarte inadequado de medicamento ao longo dos tempos estiveram relacionadas à falta de informação da população quanto à destinação final adequada dos resíduos, à ausência de fiscalização, à necessidade de políticas públicas para treinamento de pessoal e recursos para viabilização da destinação apropriada, além de inexistência de estrutura sanitária adequada para receber tais resíduos, sendo estes, responsáveis por gerar impactos ambientais alarmantes.

             Um exemplo é observado em habitats aquáticos: um estudo publicado por Luciano Henrique Pinto e colaboradores em 09 Julho de 2016 na Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) em Joinville, SC analisaram sobre a toxicidade ambiental de efluentes (resíduos provenientes de atividades humanas) advindos do descarte inadequado de diferentes farmácias magistrais, mostraram que o descarte inadequado de substâncias e fármacos são responsáveis por gerar resíduos emergentes, responsáveis por causar riscos ao meio ambiente e à saúde da população. Dentre esses resíduos, estão os medicamentos, que uma vez descartados de forma incorreta, contaminam os recursos hídricos.

             Neste mesmo estudo, foi feito o biomonitoramento de algas para avaliar a toxicidade dos efluentes, uma vez que essas são organismos sensíveis a alterações ambientais, podendo emitir sinais de alerta a partir de mudanças no seu comportamento. Algas da espécie Euglena gracilis foram utilizadas como biomarcadores. Os biomarcadores são moléculas que existem no corpo de todo ser vivo, responsável por marcar processos normais e animais que ocorrem no sistema metabólico do ser vivo, Esse estudo possibilitou analisar e observar alterações comportamentais na velocidade de subida à superfície e na velocidade de movimento dessas algas. Além disso, foram observados os parâmetros de fotossíntese, a partir de um fluorímetro de pulso e amplitude modulada, mostrando alterações comportamentais significativas no seu processo autótrofo (seres autotróficos são aqueles capazes de produzir o seu próprio alimento, a exemplo das algas).

             Outra observação feita pelos pesquisadores foi a de alterações fisiológicas de peixes machos, que sofreram feminização. Este fato ocorre devido à presença de estrógeno, hormônio feminino presente nos anticoncepcionais e nos medicamentos de reposição hormonal, que foram descartados incorretamente nos ambientes hídricos.

             O biomonitoramento de algas realizado na pesquisa relatada, permitiu avaliar os efeitos dos poluentes nos organismos vivos e, consequentemente, no meio ambiente. Isto é importante para identificar os riscos ambientais e para orientar a escolha dos métodos de descarte de produtos agressivos ao meio ambiente. Embora as concentrações de compostos não causem uma resposta biológica imediata nos seres humanos, elas podem afetar o meio ambiente a longo prazo. Desse modo, a exposição crônica aos efluentes de farmácias magistrais pode afetar o comportamento e as alterações em sistemas aquáticos, impactando indiretamente na vida do indivíduo, reforçando-se a necessidade urgente de repensar sobre nossos hábitos de descarte de resíduos e promover práticas mais sustentáveis, sendo imprescindível que consideremos não apenas os efeitos imediatos, mas também os impactos a longo prazo, que podem afetar gerações futuras.

             Sendo assim, a conscientização e a educação são fundamentais para enfrentarmos esses desafios. Uma das alternativas é realizar o descarte adequado de medicamentos; este, pode ser feito em farmácias, Unidades Básicas de Saúde (UBS), alguns supermercados, ou qualquer estabelecimento que possua um ponto de coleta para descarte adequado de medicamentos vencidos, além de frascos de fármacos e materiais cortantes e pontiagudos, que por vezes são utilizados para administrar certos medicamentos. Quanto aos medicamentos vencidos e produtos químicos, a maior parte é incinerada (queimada) em usinas preparadas ambientalmente para essa ação.

             Além disso, sabe-se que muitos indivíduos necessitam fazer uso de medicamentos injetáveis no domicílio. Os objetos perfurocortantes, resultantes desta prática, como seringas e agulhas, devem também ser descartados corretamente. Estes, devem ser colocados em garrafas de plástico descartável, enchendo-as até a superfície, para que após isso, sejam levadas até algum destes estabelecimentos para ser feito o descarte correto. Sendo realizado isto, os objetos são levados a usinas de tratamento, no qual são descontaminados; após, são encaminhados para aterros – depósitos nos quais são descartados os materiais sólidos.

             Deste modo, a partir de ações individuais, que podem ocorrer por meio da informação e do exemplo ao próximo, é possível promover ações coletivas, e que a partir disso, poderá gerar a mudança necessária para proteger o meio ambiente, assegurando um futuro mais sustentável para as próximas gerações.

Referências Bibliográficas:
1. Luciano Henrique Pinto; Gilberto Cardozo; Julia Carolina Soares; Gilmar Sidnei Erzinger. Revista Ambiente e Água. Toxicidade ambiental de efluentes advindo de diferentes laboratórios de uma farmácia magistral  Received: 22 Sep. 2015; Accepted: 09 Jul. 2016. doi. doi:10.4136/ambi-agua.1761. Disponível em: SciELO – Revista Ambiente & Água.

2. Vanessa Wayne Palhares da Silva et al. Ciência e saúde coletiva. Descarte de medicamentos e os impactos ambientais: uma revisão integrativa da literatura. Ciênc.saúde coletiva Revisão: 28 Abril. 2023 https://doi.org/10.1590/1413-81232023284.05752022. Disponível em: SciELO – Ciência & Saúde Coletiva.

Autora:

Graziela Moro Meira

Acadêmica do curso de graduação em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), aluna de Iniciação Científica no Laboratório de Biogenômica e colaboradora do Portal Ciência e Consciência

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9393790545039879.
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