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O STF precisa de um porta-voz




Por João Fortunato (Jornalista, Mestre em Comunicação e Cultura Midiática e especialista em Gestão de Crises e Media Training)

 

Um porta-voz institucional poderia ajudar a administrar a crise, reduzir a disputa de versões e proteger a reputação e a imagem da Corte.

O STF – Supremo Tribunal Federal – vive o momento mais delicado de sua história e, por essa razão, ganhou o centro do noticiário nacional. A “briga” entre ministros da Corte e o posicionamento “apaziguador” de seu presidente alimentam polêmicas, algumas, inclusive, baseadas em ilações descabidas e em fontes de informação anônimas, mas com interesses partidários explícitos. Esse diz-que-me-diz, é claro, deixa o País apreensivo, sobretudo pela proximidade das eleições.

O circo está em chamas, e nenhum de seus artistas vem ao “respeitável público” revelar a intensidade das labaredas e se, ao final e ao cabo, seus membros sairão carbonizados ou somente chamuscados do centro da arena. Do lado de fora, o calor é intenso! Enquanto as versões ocupam o lugar dos fatos, o que derrete de maneira assustadoramente rápida é a imagem da instituição, a guardiã da Constituição Federal, sobre a qual não deveriam pairar dúvidas ou desconfianças de qualquer natureza. Todos deveriam respeitá-la!

Resta claro que o STF não está sabendo como lidar com a crise, que cresce dia após dia, com revelações em conta-gotas, como se o processo de desgaste fosse algo planejado para desacreditar a instituição perante a opinião pública. Partidos políticos, políticos em busca de reeleição, candidatos de primeira viagem e militantes da oposição alimentam a “fogueira” que queima a imagem do STF com ofensas e inverdades – ao menos até que se prove o contrário. Um desserviço à democracia.

Os ministros não falam diretamente à imprensa. Algumas vezes, manifestam-se por meio de notas emitidas por suas assessorias de comunicação ou em off. Porém, na maioria das vezes, o que se lê, ouve e assiste são informações oferecidas por fontes protegidas pelo sigilo legal, que dificilmente podem ser confirmadas. Isso alimenta ainda mais a fornalha que consome a reputação e a imagem do Tribunal.

Ministros passam, mas o STF permanece. E precisa permanecer, não somente para o bem da democracia, mas para a sua própria manutenção. Esse fogaréu, tudo indica, não cederá antes das eleições. Para acalmar os ânimos internos e reduzir a ansiedade e os receios da opinião pública, que sofre com boatos e fake news, o presidente do STF há tempos deveria ter instituído a figura do porta-voz na instituição. Somente por meio dele o Tribunal se manifestaria oficialmente, o que contribuiria para reduzir boatos e mentiras.

Obviamente, os ministros, individualmente, poderiam continuar se manifestando publicamente, se assim o desejassem. Contudo, falariam em seus próprios nomes, e não como representantes oficiais da instituição. Esta somente seria representada diante da opinião pública, por intermédio da imprensa, pela fala de seu presidente ou de seu porta-voz nomeado.

Esse porta-voz, que poderia ser um ministro auxiliar, desde que muito bem treinado, funcionaria como um antídoto às crises do STF: se não para eliminá-las ainda na raiz, ao menos para mitigar seus efeitos. Essa figura daria agilidade à divulgação de informações e aos posicionamentos do STF sobre diferentes temas, o que ajudaria a evitar especulações, boatos e mentiras. Além disso, contribuiria para organizar os contatos do presidente da instituição com a mídia, incluindo entrevistas individuais e coletivas de imprensa.

A Suprema Corte americana pode ser um bom exemplo. Seus ministros raramente são vistos na mídia, tanto que boa parte dos americanos desconhece seus nomes. Porém, reconhece e respeita a Suprema Corte, que se manifesta publicamente, não raro, por meio do porta-voz da instituição. O porta-voz, por certo, não é uma solução definitiva. Contudo, sua contribuição para evitar ou mitigar os danos de uma crise seria inegável.

 

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