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Bullying leva a suicídio de aluno do Colégio Bandeirantes

No dia 12 de agosto de 2024, um aluno de 14 anos, bolsista do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, cometeu suicídio a caminho da escola. O menino estava no último ano do ensino fundamental, e havia conquistado uma bolsa integral na escola pelo Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart). Antes do ocorrido, o garoto havia relatado que estava sofrendo bullying por parte dos colegas, incluindo agressões físicas e verbais. Segundo um familiar, isso ocorria pelo fato de o menino ser negro, homossexual e de origem humilde. O aluno chegou a comunicar o caso ao Ismart, que disse que notificou o Colégio Bandeirantes sobre o bullying, mas a escola contestou a versão e afirmou que não foi informada. O 23º Distrito Policial de São Paulo, em Perdizes, abriu investigação sobre o ocorrido.

 

Causas

Aluno bolsista do Colégio Bandeirantes cometeu suicídio a caminho da escola. Antes do ocorrido, o garoto relatou que vinha sofrendo bullying por parte dos colegas, incluindo agressões físicas e verbais. Conforme um familiar, isso ocorria pelo fato de o menino ser negro, homossexual e morar na periferia.

 

Gerenciamento

O 23º Distrito Policial de São Paulo, em Perdizes, instaurou um inquérito para investigar o ocorrido. O procedimento, no início, foi classificado como “suicídio consumado”, que é o atentado contra a própria vida, mas, depois, começou a ser investigado como suspeita de “induzimento ao suicídio”.

Em setembro de 2024, a revista piauí publicou uma matéria sobre os desdobramentos judiciais do caso. Na ocasião, foi informado que os advogados que defendem os familiares do aluno estavam preparando uma série de ações, com base em uma culpabilidade múltipla, envolvendo o Colégio Bandeirantes, a família dos suspeitos de proferir ofensas contra o estudante, o Ismart e o Estado.

 

Comunicação

Em comunicado publicado pela revista piauí, o Colégio Bandeirantes afirmou que, em maio de 2024, o aluno havia comunicado uma ocorrência de provocação pontual à orientadora, e que, no mesmo instante, recebeu apoio e acolhimento. Ainda segundo a instituição, um trabalho educativo foi feito com os estudantes implicados, e não aconteceram indícios de reincidência de provocações.

Em nota postada pelo portal de notícias Metrópoles, o Colégio Bandeirantes declarou que toda a comunidade escolar estava intensamente abalada com a perda irreparável do aluno. Na ocasião, a instituição ofereceu sua solidariedade e suporte aos familiares e amigos do estudante, e afirmou que estavam comprometidos em seguir proporcionando um ambiente de acolhimento.

Dois dias após o ocorrido, em 14 de agosto, o ex-diretor e assessor do núcleo de estratégia e inovação do Colégio Bandeirantes, Mauro Salles Aguiar, se declarou acerca de “o nível de agressividade realmente grande e espantoso” dos bolsistas. O homem fez essa fala após outros bolsistas solicitarem uma resposta da escola, além de auxílio psicológico. Na ocasião, Aguiar também disse que “escola não é clínica psicológica” e associou a reação dos estudantes frente ao caso com “essa sociedade de direitos”. A assessoria de imprensa da escola afirmou ao UOL que, desde 2023, Aguiar não compõe a estrutura de gestão da instituição.

Em 23 de agosto de 2024, a Folha de São Paulo publicou um comunicado do Colégio Bandeirantes, que havia sido encaminhado aos pais. Nele, a instituição criticou a imprensa, afirmando que o caso não havia sido investigado com responsabilidade pelos veículos, e que existiam muitas inverdades. Por fim, a escola disse que o tom sensacionalista era extremamente irresponsável e afetava, de forma negativa, a saúde mental de seus colaboradores e estudantes.

 

Consequências e Impactos

Após o ocorrido, o Colégio Bandeirantes sofreu diversas críticas, e foi acusado de negligência e omissão diante da situação que o aluno vivenciava. Um protesto foi realizado por um grupo de jovens, na frente de suas instalações, no dia 19 de agosto de 2024. A manifestação contou com cartazes que diziam frases como “A sua negligência custou uma vida”, “A minha sexualidade não me define”, “Ciência diante do racismo é cumplicidade” e “O racismo da escravidão é o mesmo de hoje”.

Após o ocorrido, o Colégio Bandeirantes ponderou sobre rever a sua parceria com o Instituto Ismart. A diretora de convivência da escola, Estela Zanini, estava pretendendo que os analistas do instituto estivessem mais presentes no espaço escolar, a fim de atender às demandas dos bolsistas, o que foi julgado como inviável pelo Ismart.

 

Aprendizados

Ter canais de denúncia efetivos, que acolham estudantes que sofrem com qualquer tipo de discriminação, responsabilizando e obrigando as instâncias envolvidas a tomar as medidas adequadas diante dos agressores.

Propor medidas efetivas a respeito da diversidade e inclusão e do combate à discriminação no ambiente escolar.