No dia 9 de agosto de 2024, uma aeronave ATR-72 da companhia aérea Voepass, com 62 pessoas a bordo, caiu e não deixou sobreviventes. O avião saiu com 58 passageiros e 4 tripulantes, às 11:58, do município de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, São Paulo, mas caiu em uma área residencial na cidade paulista de Vinhedo. De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), até às 13:20, o voo acontecia normalmente, mas após às 13:21, o avião não retornou às chamadas da torre de São Paulo, e não informou estar sob circunstâncias meteorológicas adversas ou sob uma emergência. Segundo a Voepass, a aeronave não possuía restrições e estava apta para voar. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e a Polícia Federal estão investigando o acidente.
Causas
Ainda estão sendo apuradas. De acordo com especialistas, a queda da aeronave em espiral indica a ocorrência de um estol. Uma das hipóteses é o acúmulo de gelo.
Questões que podem estar relacionadas às causas do acidente
Segundo uma análise de satélite, a aeronave voou por cerca de 8 a 10 minutos em uma formação de gelo severo, capaz de fazer com que o avião perca sua sustentação e gire.
O programa Fantástico expôs que, desde março do mesmo ano, a aeronave vinha sofrendo problemas operacionais, e que houve paradas de manutenção para solucionar questões de falha em seu sistema hidráulico, contato anormal com a pista e problemas no ar-condicionado. De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os registros de manutenção da aeronave estavam atualizados.
Gerenciamento
O Cenipa e a Polícia Federal começaram a investigar o acidente.
A Câmara dos Deputados instituiu uma comissão externa, a fim de acompanhar as investigações do ocorrido.
Após o acidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) instaurou uma operação para inspecionar as instalações da Voepass.
Em 6 de setembro de 2024, o Cenipa divulgou um relatório preliminar do acidente. Uma das principais linhas de investigação é como a formação de gelo impactou as atitudes da tripulação e o desempenho do avião. Além disso, outras linhas verificam fatores operacionais e humanos. De acordo com o órgão, no começo do voo, os pilotos perceberam um problema no sistema antigelo e mencionaram “bastante gelo” antes da queda. Os dados levantados indicam que o sistema antigelo da aeronave foi ligado e desligado diversas vezes no voo, segundo o Cenipa.
Comunicação
No dia do acidente, a Voepass publicou nota comunicando o ocorrido, e lamentando informar a morte das pessoas a bordo. A empresa ainda declarou que o avião decolou sem restrições de voo e com todos os seus sistemas adequados para a execução da operação. Segundo a Voepass, naquele momento, ela estava colaborando com as autoridades para descobrir as causas do ocorrido, e sua prioridade era fornecer assistência irrestrita aos familiares das vítimas.
No dia seguinte, a Voepass divulgou uma nota dizendo que sua equipe, médicos e psicólogos estavam em contato com as famílias das vítimas e recebendo-as em um setor de acolhimento. A empresa declarou que estava desempenhando todos os esforços operacionais e logísticos para que as famílias tivessem apoio em demandas de hospedagem, transporte e alimentação, além de suporte emocional.
No dia 13 de agosto de 2024, o Presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, se manifestou, expressando sua solidariedade com o ocorrido e expondo as medidas de assistência que a Voepass estava tomando. De acordo com ele, a prioridade da empresa sempre foi e continuará sendo a vida dos passageiros e tripulantes.
Em 15 de agosto de 2024, a empresa publicou nova nota, afirmando que cumpre todos os protocolos, que comprovam a conformidade dos seus equipamentos e procedimentos, quanto aos padrões mais elevados da aviação internacional, e que suas aeronaves não decolam sem estarem em conformidade com a regulamentação. A empresa declarou que as investigações oficiais seriam as únicas a revelarem as causas do ocorrido, e que as especulações acerca de reparos técnicos passados apenas serviriam para intensificar a dor das famílias das vítimas.
Consequências e Impactos
Morte de 62 pessoas (58 passageiros e 4 tripulantes). Em 13 de agosto de 2024, a Polícia-Técnico Científica de São Paulo informou que as vítimas do acidente morreram de politraumatismo, após a queda de 4 mil metros de altura, e que queimaduras nos corpos foram secundárias ao politraumatismo.
A partir de 11 de março de 2025, as operações aéreas da Voepass foram suspensas provisoriamente pela Anac, diante da falta de segurança em suas operações, pois a empresa não foi capaz de solucionar as irregularidades identificadas na fiscalização executada pelo órgão, e não cumpriu exigências como o acréscimo de tempo de aviões em solo para manutenção e a diminuição da malha aérea.
A imagem e a reputação da empresa foram prejudicadas, e diversos relatos de clientes que já haviam tido problemas em voos anteriores da Voepass, inclusive relacionados à estrutura das aeronaves, surgiram nas redes sociais.
Em 2025, a Voepass teve suas operações suspensas e, posteriormente, seu Registro de Operador Aéreo foi cassado pela Anac, impedindo a empresa de operar voos comerciais no Brasil.
No mesmo ano, a companhia aérea encerrou suas atividades.
Aprendizados
Respeitar as necessidades de manutenção das aeronaves, tanto preventivas quanto corretivas.
Treinamento e orientação efetiva das equipes de manutenção, pilotos e tripulação.
Agilidade e respeito no atendimento a familiares.