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Relatos – Parte 2 – Educar e Cuidar



A seguinte contribuição faz parte da iniciativa Educar e Cuidar [clique e saiba mais]
e é de inteira responsabilidade do autor do texto. Contribua você também!

26.06.2020

Porque tudo isso…? (Parte 2)

Inverno. Lá se vai uma estação e outra tem início. Estamos por finalizar mais um mês, mais uma semana. Na seção “Porque tudo isso…?” compartilharemos dois novos relatos (auto)biográficos que tem por intuito extravasar sentimentos, angústias, desejos, sonhos. Já eu, estou por aqui novamente, tentado dividir com meus pares que poderia ter me dedicado mais, ouvido mais, buscado mais, ponderado mais, pesquisado mais… orientado melhor, quem sabe? Porém, o tempo se torna curto, breve. Sua passagem, apenas…produz marcas, dá sentido, renova, reinventa modos de ser e estar nesse mundão sem limites. 

Há um tempo me dediquei a leitura de um texto de autoria de Marcel Camargo, pessoa pouco conhecida, de nome simples mas que publicou um texto de título: “A gente se apaixona pela forma como nos tratam” e que, em poucas palavras nos deixa a seguinte mensagem (parafraseando): o belo nos chama sempre a atenção, em todos os setores das nossas vidas, sejam momentos, objetos, lugares ou pessoas. 

Porém, complemento indicando que a beleza por si só não é nada suficiente. Conteúdo é essencial. O tempo deixa em nós aquilo que nos toca o coração, a alma, de modo único e especial. O que nos toca não é manipulável com as mãos. Por fim, com maestria encerra apontando que a vida é fonte de inspiração e nos mostra um caminho: “precisamos levar em conta a passagem do tempo, dos anos, que leva embora a rigidez dos músculos, a firmeza da pele, a força da coluna, além de muitos dos sonhos que acabam por não se realizar”. 

Me permitir falar sobre o tempo que marca e que passa é me autorizar a falar de homens, mulheres, jovens e crianças. Falar dessa “gente” é falar de vidas, é falar de cada um de nós. As vidas são exemplos reais do que, em poucos minutos, retratam sonhos, expectativas, perdas, sucessos, alegrias, tristezas, emoções, injustiças sociais. Expectativas que encantam e frustram ao mesmo tempo…que encantam, que permitem, que abrem portas e caminhos, que desvelam, que encorajam, mas que também nos fazem sentir mais fracos, impotentes, pequenos, frágeis diante das cenas da vida cotidiana, reais, que adormecem e despertam no suceder entre os dias e as noites, das estações do ano.

Com o coração apertado, digo-lhes: “quando os tempos ficarem difíceis e o medo se instaurar, pensem naquelas pessoas que abriram caminhos e naquelas que estão contando com você para abrir um caminho para elas. Nunca deixem que a insegurança ou o medo ditem o curso da vida. Segurem firme nas possibilidades e se projetem para além do medo. Apeguem-se à esperança que os trouxe aqui e agradeçam a todos que, de modo especial, contribuíram para que você pudesse chegar até aqui.

Não deixem que nada ou alguém tire o brilho da vida humana. Sejam felizes! Tenham persistência, sonhem e realizem! Construam conhecimentos COM e reflitam que na vida, erramos e perdemos, vencemos e fracassamos, mas que nada nem ninguém tem mais poder do que você! 

Sejam gratos e distribuam sorrisos. 

 

Graziela Franceschet Farias 
Professora do Departamento de Metodologia do Ensino/UFSM



Um momento inesperado…

Márcia Fernanda Heck
Professora da Rede Municipal de Educação de Santa Maria
 

Atravessamos um momento inesperado: em um dia conheço a nova turma, planos são feitos, laços são amarrados…no dia seguinte, é necessário o distanciamento de todos que amamos, por amor a eles. Uma pandemia, algo que acontece entre um espaço de tempo, chega e coloca cada um em seu lugar. Muitos afirmam que nesse momento podemos perceber que somos todos iguais. Discordo! Estamos percebendo o quanto somos diferentes, seja nas condições de vida, seja na saúde, bem como, no acesso a elas. 

Professores se recriam para dar conta de contatar com os seus alunos, manter laços afetivos e não permitir que o turbilhão de sentimentos lhes afete negativamente neste momento. É hora de (re)construir! Aproveitamos os dias isolados, distantes fisicamente, para nos aproximar afetivamente dos nossos familiares, amigos e até dos vizinhos que nunca havíamos contatado antes. E como o afeto é importante… percebemos o quanto um abraço, um afago nos fazem falta. Valorizamos uma ligação – e quem, com tantas redes sociais, ainda realizava ligações? – uma mensagem perguntando “se está tudo bem” ou mais, nos afirmando com segurança que “tudo vai ficar bem”!

Que tornemos esse momento o mais leve possível…produtivo (quem sabe) e que possamos “na nova normalidade – incapaz de ser projetada”, dar valor às coisas simples: a natureza, a poesia, ao sorriso sincero de uma criança. 

 

“O tempo” X “A pandemia”

Luiza Paul Gehrke
Acadêmica Curso de Pedagogia Diurno e Bolsista PROLICEN/GeoIntegra

 

A pandemia surge em tempo de nos propor a (re)invenção, de mudar o olhar e os pontos de vista – sobre o outro e o mundo. Quem um dia pensou em ficar tanto tempo com a família ou sozinho(a), respeitando arduamente o distanciamento e/ou isolamento social? Sem qualquer aglomeração ou “uma junção em família”, para proteger a si e as pessoas que amamos? 

No mundo em que a maioria dos jovens cresceu escutando: “não tenho tempo”…“tempo é dinheiro”…“não posso parar pois é perda de tempo”, eis que nos é imposta uma resposta: a de que precisamos dar tempo ao tempo pois há um vírus que parou a maior parte do mundo. Passamos a perceber que o capitalismo, motivado pelo mundo do trabalho e do consumo não é tudo, não é prioridade. 

Amamos alguém e precisamos nos cuidar, porque o vírus causa e está causando um dano grave a população: a morte que gera ausência, em um cenário onde nem todos sabemos lidar muito bem com elas e, por isso, precisamos nos defender “parando…desacelerando” para que enfim, possamos refletir que somos coparticipes desta fatalidade, que incide diretamente na população ao optarmos pela circulação em massa. Precisamos da reflexão para parar este vírus (o vírus – Coronavírus) e conseguirmos voltar, quem sabe, com sorte, a algo que se aproxime de uma nova nada normal realidade, repensando atitudes, ações e atos cuja fluência seja para o bem de todos. O nosso maior trunfo poderá ser a mudança, caso desejarmos e lutarmos por ela. Está em ti. Está em mim. Está em nós!


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