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Relatos – Educar e Cuidar



A seguinte contribuição faz parte da iniciativa Educar e Cuidar [clique e saiba mais]
e é de inteira responsabilidade do autor do texto. Contribua você também!

 

03.07.2020

Por que tudo isso…? (Parte 3)

 

Não precisamos de mais tempo. Precisamos de um tempo que seja nosso” – Mia Couto

 

Em entrevista concedida ao Jornal “O Estado de Minas”, Mia foi questionado se após a pandemia o ser humano estará melhor, mais solidário ou continuará o mesmo, com suas falhas na alma? Entendi pertinente compartilhar a resposta por sua importância, veracidade e necessária clareza, a fim de refletirmos nesses tempos sombrios e de incertezas.

 

“O problema nunca foi o chamado ser humano. O problema, ou melhor, os problemas, foram os fatores de desumanização que estão inscritos nos modelos de fazer economia e política. Há quem acredite que tudo isso vai ser repensado depois desta epidemia. Mas eu não sou tão otimista. O que talvez seja reforçada é a defesa cega das receitas neoliberais que advogam o emagrecimento (a desconstrução) do Estado e fortalecimento dos mercados. O que precisa ser questionado, em particular, é o desprezo dado a setores públicos da saúde e da educação. Mas a imbecilidade não será vencida num virar da folha. A maioria dos que escolheram lideranças imbecis muito provavelmente continuará apoiando no futuro essas lideranças populistas e demagógicas. O medo não ajuda a vencer a mentira. Pelo contrário, o medo fundamenta a escolha de soluções messiânicas. É por isso que os “salvadores do mundo” adoram o medo. E fazem da gestão eterna de crises o alimento da sua longevidade. O Brasil tem uma experiência dolorosa nesta produção de um poder que vive da eternização da crise e da permanente polarização que mantém o país numa espécie de estado de guerra”.

Mia Couto – Escritor e biólogo moçambicano  



A linha de frente!

Karen Cristiane Pereira de Moraes
Enfermeira, Acadêmica do Curso de Pedagogia Noturno e integrante GeoIntegra/UFSM
 

Do dia para noite vimos os trabalhadores da saúde, em especial a enfermagem, terem seu trabalho valorizado e enaltecido em escala global. Acordei com imagens de enfermeiros estampadas nos principais jornais do mundo, uma grande comoção por parte da população por aqueles que até “ontem” eram invisíveis.

Fomos denominados linha de frente, já que estamos 24h cuidando dos doentes, 24h longe de nossas famílias e amigos, 24h sem poder descansar. A rotina dia a dia se altera e as 24h se tornaram dias…meses. Lutamos contra um inimigo invisível e desconhecido e, por esse motivo, somos tomados pelo medo.

Medo do que pode acontecer, de não saber contra quem estamos lutamos e de não conseguir vencer, mas apesar de todo esse medo, temos orgulho de poder cuidar de quem precisa, de poder pesquisar novas maneiras de cuidados, uma cura e podermos nos adaptar. Estamos em um mundo novo, tentando encontrar nosso lugar nele e essa tarefa é difícil pois não se sabe até quando isso tudo vai durar, se as mudanças serão permanentes ou teremos que nos readaptar por várias e sucessivas vezes.

Ser enfermeira em tempos de pandemia é lutar por direito ao trabalho digno, por equipamentos de qualidade, por garantias conquistadas historicamente sem que ninguém nos prive dos direitos adquiridos pela categoria. Hoje, vejo notícias de que perdemos mais um colega para o vírus e isso é muito triste. Por outro lado, vejo que estamos a poucos passos de uma vacina e são notícias como essas que mostram o que é ser e estar na linha de frente, independente se é enfermeira ou qualquer outro profissional da saúde. Não somo os únicos, mas somos muito visados pois é o teu familiar que está em nossas mãos e em meio a um mundo incerto, a única coisa que não queremos é que seu familiar vire uma estatística negativa.

2020, ano da Internacional da Enfermagem. 2020, ano em que o Coronavírus escancarou ao mundo suas fragilidades. Não é fácil ser enfermeiro no Brasil, país em que pessoas saem às ruas para pedir o fim do isolamento social e agridem, gratuitamente, trabalhadores da saúde por estarem protestando por melhores condições de trabalho e homenageando os colegas que vieram a óbito pela doença. Tenho orgulho de ser Enfermeira e sofro junto colegas da linha de frente. Desejamos, ao nascer de cada novo dia, proteção e que tudo isso passe logo. Precisamos ser valorizados porque somos seres humanos, mas também porque lutamos (às vezes perdemos, às vezes vencemos) lado a lado com nossos pacientes. Não é diferente nesse momento, resistimos pela vida! 

 

O olhar e o pensamento em movimento 

Rakeli Costa
Acadêmica Curso de Pedagogia Diurno e integrante GeoIntegra/UFSM

 

Em meio a dias ensolarados, calmos, e com a confusão e o receio do que está por vir, procuramos em pequenos detalhes e em frestas da janela, buscar possibilidades de um recomeço. O desafio de estar todos os dias no mesmo lugar, mas tentando manter o olhar e o pensamento em movimento, em busca de dominar sentimentos, procurando entre os livros e novas músicas, meios de viver e sobreviver de forma mais acessível e menos estressante. O desejo de aprender uma nova língua, ser mais saudável, mudar hábitos que não nos ajudam, parece ficar ainda mais distante neste período de isolamento. É nesses momentos que eu, Rakeli, uma menina de 22 anos que agora vive em Itaqui, na casa dos pais, busca lembrar das coisas maravilhosas que já atravessaram meu caminho. Lembro de meus alunos, dos colegas, professoras e da Universidade. Lembro das lutas diárias de inúmeras pessoas para serem melhores, para ajudarem o próximo. O isolamento que estamos vivendo deve servir para lembrarmos que nunca estamos sós e como diz na música dos Titãs, “A sós ninguém está sozinho”. A saudade vem e as lembranças me acolhem, me fazem sorrir, me mostram que o mundo precisa de mim, de minha força, de minha voz. Que esse momento nos una e nos possibilite florescer para os dias de sol que estão por vir. 


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