O Grupo de Pesquisa Circulação Midiática e Estratégias Comunicacionais (CIMID/UFSM/CNPq) iniciou o primeiro semestre de 2026 com três bancas de defesa, duas finais e uma qualificação.
O primeiro trabalho defendido foi a dissertação de mestrado de Letícia Ribeiro de Oliveira, intitulada “‘E as aparências não enganam, não’?: análise dos sentidos em circulação do caso Elis Regina & Volkswagen“. A defesa ocorreu às 15h do dia 17 de março, de forma online, tendo como banca as professoras Natalia Raimondo Anselmino, da Universidad Nacional de Rosario (UNR), e Ana Paula da Rosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O trabalho de Letícia tem como objetivo analisar os sentidos construídos por distintos atores sociais a partir do uso da inteligência artificial (IA) na publicidade Gerações da Volkswagen (VW) Brasil, que recriou a imagem de Elis Regina para atuar ao lado da filha, Maria Rita.
O percurso é composto por três etapas, nas quais a pesquisadora analisa a repercussão da publicidade em diferentes sites, as operações discursivas do próprio vídeo e os comentários publicados por diferentes atores sociais na publicação do canal oficial da VW Brasil no YouTube. As inferências evidenciam disputas de sentidos e defasagens entre as gramáticas de produção e reconhecimento, entendidas como indicativas de novas complexidades discursivas.
A segunda banca, realizada às 14h do dia 24 de março, teve como foco a qualificação da tese de doutorado de Márcia Zanin Feliciani. Via Google Meet, a candidata apresentou seu trabalho em andamento, intitulado “Midiatização, circulação e cultura pop: apropriações de distintos atores sociais no lançamento do filme Barbie“, sendo avaliada pelas professoras Isabel B. Löfgren (Södertörn University), Adriana da Rosa Amaral (Universidade Federal Fluminense – UFF) e Aline Weschenfelder (Centro Internacional de Semiótica e Comunicação – CISECO).
O objetivo do trabalho é analisar como distintos atores sociais – notadamente os políticos, religiosos e feministas – se apropriam do filme Barbie em seu lançamento. Numa primeira aproximação de apropriações políticas do filme, identifica-se atores que aderem à trend, efetuam críticas feministas e políticas. Para isso, lançam mão de diferentes estratégias discursivas, como menção direta ou indireta ao filme, expressão ou não de posicionamento político-ideológico e uso de humor e/ou ironia.
Em suma, as pistas coletadas até então apontam para inúmeras disputas de sentido em torno da circulação do filme. Há atores que reproduzem seus discursos de forma acrítica, há os que os questionam e há aqueles que não parecem interessados no filme em si, mas em usá-lo como pretexto para discutir outros assuntos. Entende-se que, no fim das contas, todos contribuem para a promoção e o sucesso de Barbie.
Por fim, a última das bancas, realizada em 7 de abril, deu a Edilaine de Avila o título de Doutora. Sua tese, intitulada “Erupções discursivas nas sociedades em midiatização: a circulação da expressão ‘Isso a Globo não mostra’“, foi defendida via Google Meet, tendo como banca os professores Paola Madrid Sartoretto (Jönköping University), Demétrio de Azeredo Soster (Universidade Federal de Sergipe – UFS), Ana Paula da Rosa (UFRGS) e Taís Steffenello Ghisleni (Universidade Franciscana – UFN).
O objetivo da pesquisa é analisar de que modo a circulação da expressão “Isso a Globo não mostra” em diferentes plataformas midiáticas reorganiza processos de produção, apropriação e reconhecimento de sentidos nas sociedades em midiatização. Para isso, adota-se um corpus composto pelos dez primeiros resultados retornados pela busca da expressão em dez plataformas midiáticas: Facebook, Google, Instagram, LinkedIn, site Rede Globo, Spotify, Threads, TikTok, X/antigo Twitter e YouTube.
Os resultados indicam que a expressão opera por extravasamentos interplataformas e circulação intersticial, produz pulverização e coexistência de regimes interpretativos distintos e se reativa em diferentes escalas e regimes de visibilidade, evidenciando que sua trajetória não é linear, mas marcada por deslocamentos, cristalizações provisórias e rearranjos contínuos nos circuitos de produção e reconhecimento.
Em breve, os textos estarão disponíveis na íntegra no Manancial – Repositório Digital da UFSM.
Texto: Márcia Zanin Feliciani, com informações das autoras.