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Pesquisa destaca potencial das linguagens de programação visual para a aprendizagem interdisciplinar na Educação Profissional e Tecnológica



O egresso do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (PPGEPT/UFSM), Jonathan Donato Pippi, teve sua pesquisa sobre o uso de linguagens de programação visual na Educação Profissional e Tecnológica publicada na RETEC – Revista de Tecnologias. O estudo, intitulado “Utilizando linguagem de programação visual no ensino multidisciplinar na EPT”, analisa como ferramentas como Scratch, Alice e App Inventor podem contribuir para o ensino de algoritmos, lógica de programação e pensamento computacional por meio de práticas interdisciplinares.

A pesquisa parte do entendimento de que a aprendizagem de algoritmos e lógica de programação representa um desafio para muitos estudantes, especialmente devido às dificuldades relacionadas à compreensão da lógica computacional, à sintaxe das linguagens tradicionais e à falta de motivação diante de conteúdos considerados complexos. Nesse contexto, as linguagens de programação visual surgem como uma alternativa pedagógica capaz de tornar o aprendizado mais acessível e significativo.

Segundo Jonathan Pippi, as ferramentas analisadas apresentam potencial para muito além do ensino da programação, favorecendo a integração entre diferentes áreas do conhecimento.

“Linguagens de programação visual como Scratch, Alice e App Inventor favorecem a interdisciplinaridade, pois permitem que os estudantes desenvolvam aplicações que relacionem programação com Matemática, Ciências, Física, Língua Portuguesa e outras áreas. Dessa forma, além de aprender programação, o aluno aplica os conhecimentos de diferentes disciplinas no desenvolvimento de projetos através da resolução de problemas.”

Para o pesquisador, uma das principais contribuições dessas tecnologias está na possibilidade de aproximar os conteúdos técnicos da realidade dos estudantes, estimulando o raciocínio lógico e a construção do conhecimento de forma contextualizada.

Ao abordar os desafios encontrados no ensino de programação, Jonathan destaca que muitos alunos encontram dificuldades nos primeiros contatos com a área.

“Na minha experiência, os principais desafios estão relacionados à dificuldade de compreensão da lógica, problema de sintaxe e à falta de interesse e motivação, pois alguns estudantes consideram o conteúdo difícil.”

De acordo com ele, as linguagens de programação visual ajudam a reduzir essas barreiras ao substituir códigos textuais complexos por elementos gráficos e blocos de programação, permitindo que os estudantes concentrem sua atenção nos conceitos e na resolução de problemas.

Experiências interdisciplinares apresentaram resultados positivos

Durante o desenvolvimento da pesquisa, foram realizadas atividades que integraram a programação visual a diferentes componentes curriculares da Educação Básica e Profissional. As experiências envolveram o uso do Scratch em conteúdos de Geometria Plana, o desenvolvimento de um aplicativo sobre a Lei de Ohm por meio do App Inventor e a utilização do Alice 3D em atividades de Inglês no formato de perguntas e respostas.

“Usei a linguagem de programação visual Scratch com Matemática, trabalhando Geometria Plana. Utilizei o App Inventor com Física, desenvolvendo um aplicativo sobre a Lei de Ohm e combinei a ferramenta Alice 3D com a disciplina de Inglês, criando atividades de perguntas e respostas, estilo quiz.”

Os resultados evidenciaram o potencial pedagógico dessas ferramentas. Entre os estudantes que participaram das atividades com Scratch, 84,7% afirmaram compreender melhor os conteúdos de algoritmos e lógica de programação, enquanto 84,6% relataram não ter dificuldades com os conteúdos matemáticos trabalhados. Além disso, 92,3% avaliaram positivamente a experiência.

Nas atividades desenvolvidas com o Alice 3D, 76,9% dos participantes afirmaram que os conteúdos de Inglês se tornaram mais fáceis de compreender após a realização das práticas propostas.

Para Jonathan, os dados demonstram que a programação visual pode contribuir para tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico, participativo e conectado às diferentes áreas do conhecimento.

 

Formação alinhada às demandas tecnológicas contemporâneas

Além dos resultados observados em sala de aula, a pesquisa também reforça a importância do pensamento computacional nos processos formativos atuais, especialmente na Educação Profissional e Tecnológica.

Segundo Jonathan, o desenvolvimento dessas competências é fundamental em uma sociedade cada vez mais permeada pelas tecnologias digitais.

“O pensamento computacional e as linguagens de programação visual são importantes porque auxiliam no desenvolvimento do raciocínio lógico, na criatividade e na resolução de problemas. Na Educação Profissional e Tecnológica, aproximam a teoria da prática, facilitam o primeiro contato com a programação e permitem desenvolver projetos interdisciplinares, contribuindo para uma formação mais prática para as exigências tecnológicas atuais.”

Os resultados da pesquisa reforçam o potencial das linguagens de programação visual como estratégias pedagógicas capazes de ampliar o interesse dos estudantes, fortalecer a aprendizagem e promover a integração entre diferentes áreas do conhecimento. Ao aproximar teoria e prática, essas ferramentas contribuem para uma formação alinhada às demandas tecnológicas contemporâneas e aos princípios da Educação Profissional e Tecnológica.

Escrito por Thaíse Dalcol Denardi, bolsista do setor de comunicação do PPGEPT

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