A professora Nara Figueiredo, do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFil) da UFSM, participou da VI Semana Acadêmica Integrada do Curso de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A participação ocorreu a convite do curso de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFPel e reuniu atividades voltadas à discussão de temas centrais de sua pesquisa sobre vida, mente e linguagem a partir da teoria enativa.
Na palestra de abertura da VI Semana Acadêmica Integrada, intitulada “O que somos nós? Reflexões enativistas sobre a vida, a mente e a linguagem”, a Profa. Nara ofereceu uma introdução acessível ao enativismo a partir da questão fundamental lançada no título. Realizada no Auditório do Centro Acadêmico da UFPel no dia 14 de setembro, a atividade foi mediada pelo professor Dr. Juliano do Carmo (UFPel) e abordou questões sobre as relações entre vida, mente, linguagem, cognição e experiência, a partir da perspectiva enativista e de ontologias relacionais.
O foco da palestra foi a necessidade de repensarmos a mentalidade na era geológica em que as transformações humanas no planeta são profundas. Ao invés de nos vermos como indivíduos independentes, deveríamos compreender os processos corporificados, relacionais e intersubjetivos e em constante transformação, a partir dos quais produzimos o mundo e a nós mesmos. A atenção às dinâmicas e complexidade de outros seres vivos, incluindo a cognição de plantas, ampliou essa perspectiva para além do humano, convidando os ouvintes a reconsiderar o que faz de nós seres cognoscentes.

Em sua visita à UFPel, a Profa. Nara também ministrou a aula inaugural do PPGFil da instituição, intitulada “Re-concebendo a mente: fundamentos e conceitos centrais do enativismo autopoiético-linguístico”, em que apresentou os principais conceitos dessa abordagem e a proposta de compreender a cognição como um fenômeno biológico, corporificado e relacional.
A aula, realizada no Instituto de Filosofia, Sociologia e Política (IFISP) no dia 15 de setembro, abordou noções como autopoiese, autonomia, adaptividade, agência e produção de sentido, mostrando como os organismos se constituem e se mantêm por meio de relações dinâmicas com o ambiente. A discussão contemplou a cognição sensório-motora e a interação social, destacando a produção participativa de sentido como um processo no qual novos domínios de significação podem emergir. Por fim, a abordagem do conceito de “corpos linguísticos” ampliou a análise para formas especificamente humanas de agência, nas quais os processos orgânicos, sensório-motores e intersubjetivos se articulam à linguagem.

A Profa. Nara também divulgou o recém-publicado livro “Introdução ao Enativismo: Cognição, Corpo, Ambiente e Ação” (Editora da UFU, 2026), que em breve estará disponível no site da editora. Organizada por Nara Figueiredo, Eros Carvalho e César Meurer, a coletânea reúne trabalhos de pesquisadores brasileiros com reconhecida atuação na área, oferecendo uma introdução abrangente e atual ao enativismo, apresentando seus fundamentos, sua trajetória histórica e suas variantes (saiba mais sobre o livro).

“Foi uma experiência muito especial para mim. Eu fui muito bem acolhida na UFPel. O Juliano e eu pensamos primeiro em uma discussão mais ampla sobre o que é enativismo, então preparei uma apresentação sobre a concepção de ser humano e sobre as relações entre vida, mente e linguagem. E depois uma apresentação mais específica sobre fundamentos teóricos. Foi interessante abordar o tema em diferentes níveis de profundidade em palestras subsequentes. Isso permitiu estabelecer um diálogo muito próximo com estudantes e pesquisadores da universidade. E eu ganhei duas caixas de doces! Foi o máximo!”, conta a Nara.

Professora e pesquisadora do Departamento e do PPGFil da UFSM, Nara Figueiredo atua nas áreas de Filosofia da Mente, Filosofia da Linguagem, Epistemologia e Metafísica. Sua pesquisa tem se concentrado especialmente em abordagens enativistas da mente e da linguagem, com atenção à cognição corporificada, à intersubjetividade, à ação e às ontologias relacionais. A participação em atividades acadêmicas de outras instituições também integra o trabalho de interlocução e divulgação dessas pesquisas junto à comunidade filosófica nacional.
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