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Observadores de tempestades: o que são, o que fazem e como se tornar um?

Projeto da UFSM busca criar uma rede voluntária capaz de identificar e relatar fenômenos meteorológicos



Tempestades estão entre os fenômenos atmosféricos que mais causam desastres naturais no Brasil. Os processos de mudanças climáticas têm provocado eventos mais frequentes e intensos. Ao levar isso em conta, o curso de Meteorologia da UFSM lançou a iniciativa ReVOT – Rede Voluntária de Observadores de Tempestades, que visa treinar a comunidade para identificação de tempo severo e com potencial de causar calamidades. 

De acordo com o professor Ernani de Lima Nascimento, coordenador do projeto e integrante do grupo de Modelagem Atmosférica da UFSM, a ação é inspirada em redes similares que acontecem em alguns poucos países: “Fiz meu doutorado nos Estados Unidos e lá eu conheci uma rede voluntária de observadores. A Skywarn, já existe há décadas e é uma iniciativa muito importante. Logo me veio a inspiração de trazer isso para o Brasil – a América do Sul e a América Latina não tinham esse tipo de ação. Então existe um pioneirismo no que nós estamos fazendo” . 

Desse modo, em parceria com a Organização Internacional de Desastres Marítimos, Aéreos e Terrestres, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Defesa Civil de Santa Catarina e a Cruz Vermelha Brasileira de Santa Maria, a iniciativa oferece cursos de treinamento para formação de observadores de tempestades. Eles são entusiastas de fenômenos atmosféricos que se colocam à disposição para colaborar voluntariamente no relato de ocorrências de eventos extremos associados a tempestades.

Os cursos se baseiam no método científico crowd science – em português, ‘ciência feita por multidão’ -, que consiste na participação de voluntários na geração de dados e análises para ajudar o descobrimento, o estudo e a pesquisa científica. No curso os aspirantes a observadores aprendem como as tempestades se formam, seus diferentes tipos e como classificá-las. Também são ensinados a identificar características visuais da atmosfera que antecedem fenômenos meteorológicos para relatar, de forma precisa, ocorrências de tempo severo e enviar para os órgãos de análise. 

Existem várias formas de identificar a aproximação de tempestades, uma delas é a partir da observação das nuvens. Ernani destaca a formação de um tipo de nuvem específico, as nuvens “shelf”, também conhecidas como nuvens em cunha ou nuvem prateleira. Essas nuvens se formam em baixa altitude e indicam que rajadas de vento, possivelmente intensas, estão se aproximando  e serão seguidas por chuva.  

Aproximação de uma nuvem “shelf” em vídeo acelerado feito pelo professor Ernani no campus da UFSM em 2014.

Segundo o professor, a rede é de grande importância para os estudos de meteorologia, pois, mesmo com satélites, radares e estações meteorológicas, os eventos atmosféricos, muitas vezes, podem passar despercebidos. 

Por isso, os relatos dos observadores são importantes, pois ajudam os especialistas a traçarem uma série histórica da ocorrência de fenômenos. Assim, é possível identificar quais foram as condições atmosféricas que levaram àquelas ocorrências e os pesquisadores podem entender por que aqueles fenômenos aconteceram. Dessa forma, tais informações podem ser transformadas em ferramentas práticas de previsão do tempo cada vez melhores. 

“À medida que a gente aumenta a quantidade de registros, as falhas na série histórica, causadas por eventos não registrados, vão sendo preenchidas. Por isso, a gente se dispõe a treinar voluntários que reportarão os fenômenos de maneira segura e responsável”, explica o professor. 

Os relatos podem ser feitos por qualquer pessoa, mas o projeto busca, com o treinamento, melhorar a qualidade dos registros e padronizá-los. Entretanto, o professor salienta que o envio de informações sobre tempo severo por pessoas que não receberam treinamento deve ser feito de forma detalhada, informando a cidade, o bairro e o horário da ocorrência. É possível reportar o acontecimento através da página do projeto no Twitter, @prevots_svr, que conta com o apoio da iniciativa Plataforma de Registros de Tempestades Severas (PRETS), a qual emite previsões diárias sobre ocorrência de tempestades. 

A ReVOT também procura promover educação ambiental a respeito de fenômenos atmosféricos. Um dos seus objetivos é reduzir as consequências de desastres naturais e conscientizar a sociedade sobre as ameaças relacionadas a tempestades, como o aumento do risco de inundações, deslizamentos de terra, queda de granizo, tornados e vendavais. O professor complementa: “É importante as pessoas estarem cientes que o Brasil tem, sim, seus desastres naturais e a grande maioria deles é de origem atmosférica. Portanto, uma faceta adicional do projeto é fazer com que as pessoas estejam cientes que esses fenômenos são relativamente comuns no nosso país; e você saber antecipar essas ocorrências é uma maneira de ter uma sociedade melhor preparada para lidar com isso”.

A primeira edição do curso ocorreu em junho deste ano e o próximo está previsto para setembro, antes do início da primavera, por esse ser o período de maior ocorrência de tempestades. Ronimar Costa dos Santos, diretor do departamento de Gestão de Riscos e Desastres da Cruz Vermelha de Santa Maria, participou do treinamento da ReVOT e o considera fundamental e extremamente interessante. “O curso é muito amplo e com uma base curricular muito boa, então mesmo que a pessoa não conheça quase nada de meteorologia, ela vai aprender bastante. Até porque não é um curso difícil, qualquer um pode fazer”, disse. 

Ronimar conta que já realizou diversas observações, entre elas uma precipitação de granizo na cidade de Itaara (RS), na qual ele conseguiu medir as pedras de granizo e relatar o acontecimento. Para ele, os observadores de tempestades são essenciais e é necessário ampliar a rede cada vez mais.  

O curso é intensivo – tem de quatro a cinco horas de duração – e é oferecido de forma totalmente online, gratuita e aberta a todos os públicos. As inscrições serão divulgadas nas redes sociais do projeto e, para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo perfil @prevots_svr no Twitter.

Expediente

Repórter: Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Ilustrador: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Eloíze Moraes estagiária de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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