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CAPES-Global.edu: UFSM tem participação de destaque no novo programa federal de internacionalização

Conheça as redes das quais a UFSM faz parte como líder ou associada



Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Professora Cristina Wayne Nogueira fala durante o evento Marco Zero Capes Global (Fonte: PRPGP)

Nos dias 8 e 9 de abril, em Brasília/DF, foi realizado o evento Marco Zero do CAPES-Global.edu, que oficializou o início das atividades do programa federal de internacionalização que substituirá o antigo CAPES-PrInt. O modelo adotado por essa nova iniciativa exigiu a formação de redes compostas por instituições de diferentes regiões do Brasil, com o propósito de reduzir assimetrias regionais e promover o protagonismo internacional do país. Durante o evento, representantes das instituições participantes se reuniram para apresentar suas redes, bem como alinhar diretrizes, expectativas e estratégias de implementação.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) também marcou presença nessa importante ocasião, sendo representada pelo seu Vice-reitor, Tiago Bandeira Marchesan, e pela Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Cristina Wayne Nogueira. A participação da UFSM ocorreu em um contexto de resultados expressivos no programa, visto que a instituição é parte de três propostas aprovadas no edital. Com o resultado final, divulgado em 20 de março, a UFSM consolidou sua posição de destaque no cenário acadêmico nacional, tornando-se a única universidade federal da região sul a integrar três redes distintas. Com isso, cerca de 90% de seus Programas de Pós-Graduação (PPGs) poderão contar com um apoio financeiro substancial para o fortalecimento de sua internacionalização.

A criação da rede liderada pela UFSM

Aliança Inter-regional de Internacionalização

Reforçando seu protagonismo na área da internacionalização, a UFSM encabeçou a criação da rede intitulada Aliança Inter-regional de Internacionalização (AII), composta por cinco instituições de ensino superior que representam diferentes regiões do Brasil: Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Universidade Federal do Tocantins (UFT), Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade de Brasília (UnB) e a própria UFSM.

Com centenas de acordos internacionais ativos e participação consolidada em programas multilaterais de mobilidade acadêmica, a UFSM apresentou, na prática, um processo de internacionalização estruturado e inclusivo. Além disso, no campo da pós-graduação, a instituição possui diversos programas de excelência (notas 6 e 7), acumulando ampla experiência em cooperação científica internacional, coautorias, cotutelas, dupla diplomação e intercâmbios de pesquisadores.

Inspiração para criação da logo

Graças à essa base sólida, que evidenciou sua capacidade de construir conexões tanto locais quanto globais, a instituição emergiu como candidata natural ao papel de liderança de uma rede nos moldes propostos pelo edital CAPES-Global. Além disso, a proposta da AII também foi estruturada com sistema de governança bem delimitado, métricas claras, indicadores de desempenho, metas mensuráveis e formas objetivas de acompanhar o cumprimento dos compromissos assumidos.

Como resultado desse rigor metodológico, após análise e validação das parceiras, a proposta foi submetida à avaliação da CAPES, que a considerou “uma iniciativa sólida, bem estruturada e plenamente aderente aos objetivos do Edital, destacando-se pela coerência entre as vocações das instituições participantes e as demandas globais de desenvolvimento sustentável e inovação”. 

Além disso, destacou-se que a proposta respeitou rigorosamente os critérios de elegibilidade e estabeleceu um “fluxo efetivo de transferência de conhecimento e de cooperação horizontal”, demonstrando um “compromisso genuíno com a redução de assimetrias” por meio de um “planejamento concreto e orçado para elevar o patamar dos Programas de Pós-Graduação (PPGs) com notas 3 e 4 das associadas, cumprindo assim uma das finalidades primordiais do fomento”.

Assim, a UFSM assume sua responsabilidade de liderança com o intuito claro de crescer junto com suas parcerias e contribuir com a elevação do patamar da ciência brasileira em todas as regiões. Tudo isso evidencia a maturidade institucional de uma universidade que soube transformar sua posição geográfica interiorana, que inicialmente poderia parecer desfavorável, em um vetor estratégico para a internacionalização, explorando de maneira eficaz sua proximidade física e cultural com os países vizinhos na América do Sul. 

Estrutura 

Ciente de que uma rede de internacionalização de abrangência nacional só cumpre seu propósito através de uma boa governança, a AII foi pensada em torno de quatro estruturas administrativas interdependentes: o Comitê Gestor, o Comitê Administrativo, os Comitês Temáticos e os Programas de Pós-Graduação (PPGs).

No total, a rede articula 46 PPGs, combinando programas consolidados e em processo de fortalecimento. A atuação científica desse grupo se organiza em três eixos temáticos estratégicos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: Saúde Global Integrada; Transição Energética, Materiais e Tecnologias Limpas; e Produção Sustentável em Sistemas Agroalimentares. Esses eixos vão orientar a atuação dos PPGs no âmbito da rede, garantindo coerência científica, evitando sobreposições e potencializando as sinergias entre as equipes de pesquisa distribuídas pelo país.

No plano decisório, a governança se divide em três tipos de comitês com funções específicas: 

O Comitê Gestor reúne os gestores de Pós-Graduação, Pesquisa e Internacionalização de todas as IES parceiras. Ele é responsável pelas decisões estratégicas da rede, como aprovação de editais, definição de metas, deliberação sobre ações corretivas e garantia de representação equitativa entre as instituições. Essa instância assegura que nenhuma parceira fique à margem do processo. 

Os Comitês Temáticos farão a gestão dos recursos destinados à cada eixo, em interlocução com o Comitê Gestor, identificando também desafios e oportunidades que possam demandar ajustes no planejamento ao longo da implementação do programa.

Já o Comitê Administrativo, apontado pelo Comitê Gestor, atuará como instância intermediária, oferecendo apoio operacional à execução dos recursos, acompanhando continuamente os indicadores de desempenho, monitorando riscos, elaborando planos de ação temáticos e promovendo a sinergia entre os integrantes da rede. Além disso, ele é responsável por definir ações de capacitação e treinamento necessárias para o andamento da rede e alcance dos objetivos estipulados. 

Essa arquitetura de três níveis – estratégico, tático e operacional – segue o princípio da subsidiariedade: decisões cotidianas são resolvidas no nível mais próximo dos beneficiários finais, enquanto questões estruturantes sobem aos níveis superiores de gestão. O resultado é uma maior agilidade de execução, mas sem perda da coerência institucional.

Planejamento orçamentário 

O orçamento total da AII, a ser executado entre 2026 e 2031, é de R$ 66.995.895,60. Esse valor deverá ser destinado à realização de missões nacionais e internacionais, manutenção de projetos e, majoritariamente, à concessão de bolsas. As categorias de bolsas abrangidas pelo programa são: 

  • Bolsas para atividade no exterior: doutorado sanduíche (PDSE), professor visitante (júnior ou senior) e capacitação de curta duração;
  • Bolsas para atividade no país: professor visitante no Brasil, jovem talento com experiência no exterior, pós-doutorado com experiência no exterior, doutorado sanduíche no Brasil.

O planejamento financeiro da rede prevê o início da execução orçamentária ainda neste ano, através do financiamento de missões e capacitações. As concessões de bolsas serão planejadas a partir de 2026 e realizadas a partir de 2027. 

Vale ressaltar que, embora a UFSM concentre aproximadamente 60% dos Programas de Pós-Graduação (PPGs) envolvidos, os recursos destinados ao Comitê Gestor serão distribuídos de forma equitativa entre todas as instituições participantes, através de editais organizados por eixo temático, que obrigatoriamente devem conter regras para redução de assimetrias entre instituições, entre PPGs e também prever ações de equidade social. A administração dos recursos e repasses será feita de forma conjunta pelas instâncias administrativas da rede.

Benefícios esperados 

A liderança da rede amplia significativamente o papel da UFSM como referência nacional em excelência científica e cooperação internacional. Entre os principais benefícios esperados estão a qualificação de recursos humanos em todos os níveis — técnicos-administrativos, docentes e discentes — por meio de bolsas de capacitação e formação; o fortalecimento da produção científica de alto impacto, com aumento das coautorias internacionais; a inserção das instituições de ensino superior em redes globais de pesquisa; a promoção de iniciativas de “internacionalização em casa”; a internacionalização dos currículos, com a incorporação de temáticas globais e a ampliação da oferta de disciplinas em língua estrangeira; o fortalecimento de metodologias alternativas à mobilidade tradicional, como o COIL (Aprendizado Internacional Colaborativo Online); a estruturação e o fortalecimento contínuo de ações de acolhimento para estudantes, docente e outros visitantes internacionais; a implementação de inovações organizacionais na gestão das ações de internacionalização; e a ampliação da visibilidade institucional, com o desenvolvimento de páginas, portais e estratégias de comunicação voltadas ao público internacional.

No campo da inovação, a rede favorece a aproximação qualificada com diversos setores produtivos e com a sociedade de maneira geral. Esse movimento estimula a transferência de tecnologia, o desenvolvimento conjunto de soluções em áreas prioritárias e a valorização da pesquisa orientada à desafios concretos, contribuindo para a ampliação do impacto social e econômico das instituições envolvidas.

Participação em outras redes 

Além de liderar a proposta da AII, a UFSM integra outras duas redes na condição de instituição associada. A Rede Global de Pesquisa para Cooperação e Desenvolvimento, coordenada pela Universidade de Brasília (UnB), concentra-se em temas como justiça, democracia, direitos humanos, desenvolvimento e redução de desigualdades, ampliando as possibilidades de atuação institucional nessas áreas. Já a rede Tecnologias Convergentes para a Sustentabilidade, Inclusão e Cooperação Global, liderada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), organiza-se em eixos que contemplam desde tecnologias emergentes voltadas à inovação sustentável até agendas relacionadas à transição energética, sociobioeconomia, saúde global, democracia, inclusão, educação e justiça social. 

Para além da diversificação temática, a atuação simultânea da UFSM como instituição líder e associada em diferentes redes configura uma estratégia global para ampliação e qualificação de sua internacionalização. Da mesma forma que, ao liderar a AII, a UFSM mobiliza sua experiência acumulada para apoiar o fortalecimento de outras instituições, sua inserção como instituição associada nas redes coordenadas pela UnB e pela UFPE cria oportunidades concretas de aprendizado, que permite a troca de conhecimento e incorporação de boas práticas, estratégias e soluções já implementadas por outras instituições. Essa dinâmica de mão dupla – em que a UFSM compartilha e incorpora experiências – estabelece um arranjo complementar que fortalece diferentes dimensões do processo de internacionalização institucional.

Como resultado dessa inserção expressiva no CAPES-Global.edu, quase todos os Programas de Pós-Graduação da universidade receberão apoio substantivo, estimulando seu engajamento engajamento em processos consistentes de internacionalização e ampliando, de forma sistêmica, a presença e o impacto da UFSM no cenário global.

Próximos passos

Nas próximas semanas, serão realizadas reuniões com os comitês temáticos e os Programas de Pós-Graduação (PPGs) vinculados a cada uma das redes. Esses encontros terão com o objetivo de alinhar diretrizes e avançar nas atividades propostas, desenhando efetivamente o planejamento das ações a serem realizadas por cada grupo. 

 

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