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Juventude rural de dez municípios vive um dia de formação no Colégio Politécnico da UFSM

Visita integra o Território Jovem, da Emater/RS-Ascar, e aproximou os participantes de projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados à agricultura familiar e à sucessão rural



O Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recebeu, nesta quarta-feira (23), jovens rurais de dez municípios atendidos pelo Escritório Regional de Santa Maria da Emater/RS-Ascar para uma programação, realizada nos turnos da manhã e da tarde, dedicada à qualificação profissional, à troca de experiências e à reflexão sobre a sucessão familiar no campo. O grupo esteve acompanhado por extensionistas da Emater/RS-Ascar, instituição que organizou a atividade em parceria com o Colégio.

A visita integrou o segundo módulo de qualificação do Território Jovem, iniciativa da Emater/RS-Ascar que vem desenvolvendo uma série de ações e capacitações com a juventude do campo. A proposta é fortalecer o sentimento de pertencimento, a identidade e o vínculo dos jovens com o meio rural, abrindo espaços de diálogo sobre as oportunidades e os desafios de permanecer no campo e nele construir projetos de vida.

“Viemos ao Politécnico para que esses jovens conheçam as oportunidades de qualificação que têm à disposição e os projetos que a universidade desenvolve aqui dentro, como a fruticultura e o entreposto de ovos”, explica a extensionista Andriele Taciane Wansing, uma das organizadoras da atividade.

Projetos que conectam formação e agricultura familiar

 

Pela manhã, o grupo foi recebido pelo vice-diretor do Colégio Politécnico, Moacir Bolzan, e por docentes de diferentes áreas: o professor Gustavo Pinto da Silva, coordenador da Polifeira do Agricultor; o professor Róberson Macedo de Oliveira, coordenador do Curso Técnico em Agropecuária; o professor Ezequiel Redin, da área de Extensão Rural; o professor Renato Trevisan, do Laboratório de Espécies Nativas e de Práticas Ambientais (LENPA); e a professora Taís Altmann, do setor de Fruticultura. Os docentes apresentaram iniciativas ligadas à formação profissional, à produção agrícola, à comercialização e à sustentabilidade.

Entre as experiências apresentadas, ganharam destaque a Polifeira do Agricultor e o Projeto Ovos Coloniais da Região Centro. A partir desses exemplos concretos, os jovens discutiram temas como organização da produção, agregação de valor, acesso a mercados e oportunidades de geração de renda para a agricultura familiar.

O potencial das espécies nativas também esteve em pauta. No LENPA, os jovens conheceram o trabalho de resgate de frutíferas nativas e sua relação com a diversificação produtiva nas propriedades rurais. “A mensagem que procurei passar é a necessidade de resgatar esse material tão disponível na natureza. Um dos nossos objetivos é justamente recuperar essas espécies frutíferas nativas, que podem gerar uma renda extra para o pequeno produtor e para a agricultura familiar”, destaca o professor Renato Trevisan.

A universidade como possibilidade

 

Além da dimensão técnica, a programação buscou aproximar os participantes do cotidiano universitário. Após o almoço no Restaurante Universitário (RU), os jovens percorreram o campus em uma caminhada guiada, com passagem pela Casa do Estudante, conhecendo estruturas que viabilizam a permanência de estudantes na UFSM. Para muitos deles, a vivência ajudou a perceber a formação técnica e superior como um caminho acessível e compatível com a vida no campo. “Procuramos mostrar aos jovens um pouco de sonho, de até onde eles podem chegar”, resume o professor Gustavo Pinto da Silva, coordenador da Polifeira do Agricultor.

Sucessão rural em debate

 

À tarde, as atividades foram retomadas no Auditório do Colégio Politécnico com a Atividade RADAR, metodologia da Emater/RS-Ascar voltada às questões da juventude e da sucessão familiar rural. A dinâmica estimulou os participantes a refletirem sobre seus projetos de vida, as oportunidades de formação disponíveis e os caminhos possíveis para o futuro das propriedades familiares.

A proposta de aproximar formação e sucessão também orientou a participação dos docentes. “A ideia é despertar o interesse e a motivação desses jovens para pensarem a atividade e a propriedade rural como uma oportunidade concreta de continuar nesse ambiente e fazer a sucessão rural”, afirma o professor Róberson Macedo de Oliveira, coordenador do Curso Técnico em Agropecuária.

A iniciativa reforça a parceria entre a Emater/RS-Ascar e o Colégio Politécnico da UFSM, aproximando a universidade da juventude rural e articulando formação profissional, extensão rural e a realidade das famílias do campo. Para o vice-diretor do Colégio, Moacir Bolzan, esse encontro traduz a própria vocação da instituição. “O ponto forte de toda a nossa existência é a capacidade de transformar as pessoas no tempo, no espaço e nos saberes. A gente ressignifica. Muitas vezes recebemos pessoas com uma perspectiva, e elas saem daqui com duas”, afirma.

Mais do que conhecer a estrutura da universidade, a experiência permitiu aos jovens ampliar horizontes e refletir sobre seu papel na continuidade e na transformação da agricultura familiar. Discutir sucessão rural, afinal, não se resume à permanência dos jovens no campo: envolve também as condições, as oportunidades e os projetos necessários para que possam construir, com autonomia, o próprio futuro no meio rural.

Texto e fotos: Ezequiel Redin

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