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Caminhada Internacional na Natureza é tema de questão do Vestibular da UFSM e reforça protagonismo da Região Central do RS em turismo rural sustentável

Iniciativa articulada entre UFSM, Emater, prefeituras e comunidades rurais ganha reconhecimento acadêmico ao ser abordada no vestibular 2026, evidenciando seu papel na promoção do turismo rural sustentável, do bem-estar e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na Região Central do RS.



A Caminhada Internacional na Natureza, desenvolvida na Região Central do Rio Grande do Sul por meio da articulação entre a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Emater-RS/Ascar, prefeituras municipais e comunidades locais, ganhou destaque nacional ao ser incorporada como tema de uma questão do Vestibular UFSM 2026. A presença da iniciativa em uma prova de ingresso ao ensino superior evidencia a relevância social, ambiental, cultural e educativa do projeto, que vai muito além da atividade física, consolidando-se como uma estratégia concreta de desenvolvimento territorial sustentável.

Ao abordar o corpo em movimento, a relação com o território, o patrimônio cultural e geológico, o bem-estar e a saúde, a questão do vestibular dialoga diretamente com a proposta da Caminhada Internacional na Natureza: promover experiências que integrem educação, turismo, extensão rural, conservação ambiental e fortalecimento comunitário. Nesse sentido, a alternativa correta da prova reforça a caminhada como uma prática capaz de promover consciência socioambiental, dinamizar a economia local e contribuir para a qualidade de vida, ou seja, exatamente os pilares que sustentam o projeto na região.

Reprodução: Prova 1 Tarde do Vestibular 2026 da UFSM

Caminhar como experiência de tempo, território e cuidado

A iniciativa também se conecta a reflexões contemporâneas sobre saúde e bem-estar. Na perspectiva do filósofo Byung-Chul Han, a sociedade atual necessita construir “outro tempo”: um tempo de atenção, contemplação e presença. As caminhadas nos territórios dos geoparques e áreas rurais da Região Central do RS materializam essa ideia ao convidar os participantes a desacelerar, observar a paisagem, escutar as histórias locais, valorizar o patrimônio natural e cultural e habitar o espaço de forma mais consciente. O deslocamento deixa de ser apenas movimento físico e se transforma em experiência sensível, educativa e reflexiva, fortalecendo vínculos com a natureza, consigo mesmo e com as comunidades anfitriãs.

Foto: Participantes degustando frutas locais em meio à natureza no ponto de apoio da Caminhada Olhares sobre Nova Palma em 2023.
Autor: Vicent Solar

Alinhamento aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A Caminhada Internacional na Natureza está fortemente alinhada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. A iniciativa contribui diretamente para o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ao estimular atividade física e qualidade de vida; ODS 4 (Educação de Qualidade), ao promover aprendizagem em espaços não formais; ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis), ao gerar renda para agricultores familiares, agroindústrias e empreendimentos locais; ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e ODS 15 (Vida Terrestre), ao valorizar o território, a biodiversidade e o patrimônio natural; além de fortalecer o ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação), por meio da cooperação entre universidade, poder público, instituições de extensão e comunidades rurais.

 

Crescimento consistente e expansão territorial (2023–2025)

Desde 2023, a Região Central do Rio Grande do Sul vem se consolidando como uma das principais referências em turismo rural comunitário no Brasil. Entre 2023 e 2025, foram realizadas mais de 18 caminhadas, com crescimento contínuo no número de municípios envolvidos, participantes e impactos socioeconômicos.

 

Municípios participantes:

  • 2023 – Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO:
    Ivorá, Agudo, Faxinal do Soturno, Dona Francisca, Nova Palma e São João do Polêsine.

  • 2024 – Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO e Projeto de Geoparque Raízes de Pedra:
    Itaara, Nova Esperança do Sul e Silveira Martins.

  • 2025 – Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO e Projeto de Geoparque Raízes de Pedra:
    Itaara, Silveira Martins, Restinga Sêca, Toropi, Faxinal do Soturno, Novo Cabrais, São João do Polêsine e Nova Esperança do Sul.

No acumulado de 2023 a 2025, o projeto registrou 3.428 pré-inscritos, 2.694 participantes efetivos, 1.195 cafés, 2.310 almoços, 376 pessoas na organização, 541 integrantes das comunidades e 155 expositores locais. Os números demonstram a robustez da iniciativa e sua capacidade de integrar agricultura familiar, turismo, educação e desenvolvimento territorial de forma articulada e sustentável.

Foto: Ponto de apoio com equipe da Emater/RS na Caminhada Rural Encantos da Gruta em Nova Esperança do Sul.
Autor: Equipe PROGEATER

2025: o marco da consolidação regional

O ano de 2025 representou o maior salto da série histórica. Foram 1.819 pré-inscritos e 1.470 participantes, distribuídos em nove municípios, consolidando a Caminhada Internacional na Natureza como uma política territorial de grande alcance. As atividades mobilizaram 201 organizadores, 352 membros das comunidades e 42 expositores, gerando mais de R$ 69 mil em vendas de produtos locais, como alimentos da agricultura familiar, artesanatos e produtos típicos regionais. Além disso, foram servidos 623 cafés e 1.054 almoços, reforçando o papel da gastronomia local na geração de renda e na valorização cultural.

Foto: Ambulância acompanhando os participantes da Caminhada Rural São Geraldo em Itaara em 2024.
Autora: Michele Vestena

Infraestrutura, segurança e responsabilidade institucional

Um dos grandes diferenciais do projeto é a sólida infraestrutura e o rigoroso cuidado com a segurança e o bem-estar dos caminhantes, resultado do comprometimento das equipes locais, regionais e institucionais. Cada caminhada envolve um planejamento detalhado e uma ampla rede de apoio, que inclui:

  • Atuação da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal, especialmente em travessias de rodovias;

  • Equipes de enfermagem, ambulância e apoio médico ao longo dos percursos;

  • Presença do Corpo de Bombeiros, com estrutura e monitoramento contínuo;

  • Carros de apoio, buggies e motocicletas em trechos íngremes ou de maior exigência física;

  • Uso de rádios comunicadores (walkie-talkies) para integração das equipes;

  • Preparação prévia das trilhas, com limpeza, manutenção, abertura de acessos e construção de pontes provisórias quando necessário;

  • Sinalização completa, desde as vias principais até os pontos internos do percurso, incluindo pontos de parada, banheiros, controles e chegada;

  • Organização do estacionamento, recepção dos participantes e logística de chegada;

  • Infraestrutura comunitária para cafés e almoços, com acolhimento local;

  • Alongamento orientado por profissionais de Educação Física;

  • Pontos de parada com banheiros limpos, papel higiênico e controle por meio de carimbos;

  • Transporte de retorno em ônibus para percursos lineares;

  • Sistema de som, microfone, apoio técnico e animação;

  • Distribuição de bastões de caminhada (cajados) em algumas edições;

  • Assinatura da Declaração de Responsabilidade pelos participantes no momento da inscrição;

  • Envolvimento de 20 a 150 pessoas na organização local de cada evento.

Além disso, o projeto conta com um sistema estruturado de feedback dos caminhantes, que recorrentemente destacam a excelência da organização, a segurança dos percursos e o cuidado das equipes envolvidas.

Foto: Carro dos bombeiros voluntários de Novo Cabrais no suporte à Caminhada
Autor: Equipe PROGEATER
Foto: Equipe dos bombeiros voluntários de Novo Cabrais no suporte à Caminhada
Autor: Equipe PROGEATER
Foto: Apoio da polícia na travessia do asfalto em Nova Esperança do Sul na caminhada em 2025.
Autor: Equipe PROGEATER

Reconhecimento acadêmico e impacto social

Ao ser tema de uma questão do Vestibular da UFSM, a Caminhada Internacional na Natureza alcança um novo patamar de reconhecimento, reafirmando seu caráter educativo, científico e extensionista. A iniciativa demonstra, na prática, como ações territoriais bem estruturadas podem dialogar com a academia, com a sociedade e com os grandes desafios contemporâneos, consolidando a Região Central do Rio Grande do Sul como referência nacional em turismo rural comunitário, desenvolvimento sustentável e integração entre ensino, pesquisa e extensão. A iniciativa está registrada na UFSM como Programa de Extensão denominado Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER) – ação Caminhada Internacional na Natureza.

Foto: Caminhada da Geringonça em Faxinal do Soturno com a participação de bombeiros e ambulância.
Autor: Equipe PROGEATER

Para mais informações, os interessados podem acessar as redes sociais do projeto @caminhadasufsm ou na comunidade de avisos do WhatsApp.

Texto: Ezequiel Redin

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