Jardim Botânico da UFSM - Santa Maria
06/05/2026 08:00 - 30/06/2026 18:00
Descrição
Texto curatorial: escrito por Karine Gomes Perez Vieira
JARDINS (IM)PERMANENTES
A exposição individual “Jardins Impermanentes”, da mestranda Francine Furlan (PPGART/UFSM), parte da união de duas atividades vinculadas à sua formação: artista visual e paisagista. Seu processo artístico incorpora ações como caminhar, observar ciclos, coletar, compor e catalogar espécies vegetais encontradas no cotidiano, mais especificamente as chamadas plantas daninhas, consideradas muito comuns ou indesejadas, por não serem ornamentais. Nesta exposição, são apresentadas duas séries: a primeira, intitulada “Jardim Pictórico”, parte do contato direto e momentâneo entre matéria vegetal, tinta e suporte, resultando em monotipias que registram o vestígio de uma presença que não está mais ali, evidenciando a (im)permanência como parte constitutiva da imagem, já que as impressões são recortadas e reorganizadas em novas composições, visando capturar vestígios da permanência daquilo que é essencialmente mutável, na tentativa de tornar duradouro um instante da natureza. Já a segunda série, denominada “Herbário Infraordinário”, é composta da montagem de exsicatas, com técnicas de coleta vegetal e preservação de fragmentos do corpo vegetal, mediante desidratação e prensagem, acrescentando nomes corriqueiros das plantas, para desvinculá-las de suas terminologias científicas. Destaca-se a tentativa de eternizar o efêmero e dar materialidade ao inconstante, sustentando por mais tempo a fugacidade de um fragmento do ciclo de vida botânico. Assim, emerge a noção de jardins (im)permanentes, que intitula a presente exposição, uma vez que as plantas nascem, crescem, murcham, são regadas, podadas, transplantadas ou arrancadas. Logo, a grafia da palavra (im)permanência com “im” entre parêntesis sugere um estado entre permanência e impermanência, instaurando um campo de tensão que atravessa tanto o conceito de jardim quanto a prática da pintura, da monotipia e da criação de exsicatas. Dessa maneira, as séries atuam como espaço de visibilidade e apagamento, de permanência e impermanência: a imagem das plantas daninhas, protagonista na obra de Francine, soa como um convite à observação do que usualmente passa despercebido no cotidiano, àquilo que escapa à atenção apressada, sendo uma forma de valorizar o infraordinário, o banal, as formas de vida ínfimas, quase invisíveis, mas que resistem.
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