No dia 14 de agosto de 2026, o Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recebeu estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria de Lourdes Ramos Castro, localizada no Loteamento Brizola, para uma oficina de educação patrimonial voltada à aproximação entre a comunidade escolar, a memória institucional e as áreas de conhecimento desenvolvidas no Centro. A iniciativa foi promovida pelo Arquivo Setorial do CCNE, em parceria com o Arquivo Fotográfico da UFSM, como parte das ações do Projeto de Extensão “CCNE 55+: Unindo Ciências Naturais e Exatas com Educação Patrimonial”.
Coordenado pelo Arquivo Setorial do CCNE, o projeto tem como propósito promover ações de valorização da memória da unidade de ensino e, ao mesmo tempo, sensibilizar a comunidade, especialmente a comunidade externa, para o conhecimento produzido pela Universidade nas áreas que investigam o mundo natural e abstrato por meio de métodos quantitativos, experimentais e teóricos. Nesse contexto, a educação patrimonial constitui uma importante ferramenta para estabelecer conexões entre a história da instituição, seus espaços, seus acervos e as possibilidades de formação acadêmica oferecidas à sociedade.
A primeira oficina foi realizada com a turma do 9º ano da disciplina de Ciências da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria de Lourdes Ramos Castro e integrou a programação do Dia Estadual do Patrimônio Cultural 2026. A atividade foi planejada de modo a proporcionar aos estudantes uma experiência que ultrapassa a tradicional visita institucional, estimulando a observação, a curiosidade e a participação ativa na construção de conhecimentos sobre a Universidade e sobre a área da Química.
Durante a visita, os estudantes conheceram o Prédio 13 da UFSM, onde receberam informações sobre os cursos vinculados ao CCNE e sobre as possibilidades de formação acadêmica oferecidas pela Universidade. Na sequência, tiveram contato com os relatos dos químicos Emanuel Eliabe Alves, egresso do curso de Química Licenciatura da UFSM e Matheus Gass Lopes, pós-graduando em Química pela UFSM, que compartilharam experiências relacionadas à formação e à atuação profissional do químico, apresentando aos estudantes diferentes possibilidades de inserção no mercado de trabalho e de continuidade dos estudos.
A programação prosseguiu com uma atividade especialmente preparada a partir dos fotografias preservadas pelo Arquivo Fotográfico da UFSM. Divididos em duas equipes, os estudantes participaram de uma gincana fotográfica utilizando registros de eventos relacionados à área da Química, produzidos nas décadas de 1970 e 1980 e preservados em negativos fotográficos. A proposta possibilitou que os participantes entrassem em contato com documentos históricos de maneira lúdica e investigativa, observando imagens produzidas décadas atrás e estabelecendo relações entre os registros do passado e os espaços e atividades que integram a Universidade no presente.
A utilização dos negativos fotográficos como elemento da dinâmica permitiu também apresentar aos estudantes uma dimensão pouco conhecida do patrimônio documental, demonstrando que fotografias e outros registros preservados em arquivos constituem fontes fundamentais para a compreensão da trajetória das instituições, das pessoas e das práticas acadêmicas. Ao transformar esses documentos em objetos de investigação durante a gincana, a oficina aproximou a preservação da memória de uma experiência concreta de aprendizagem, fazendo com que os estudantes assumissem papel ativo na descoberta das informações contidas nos registros.
Para a professora de Artes Hélvia Schneider, representante da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria de Lourdes Ramos Castro, a participação na atividade proporcionou aos estudantes uma experiência significativa, capaz de ampliar as possibilidades de aprendizagem para além do cotidiano escolar: “Em nome da EMEF Maria de Lourdes Ramos Castro, só tenho a agradecer pelo convite neste projeto. Para os estudantes, são memórias e oportunidades que os marcam e geram perguntas e curiosidades que estão além dos conteúdos básicos.”
A percepção dos estudantes também evidenciou o impacto da experiência. O estudante Fernando Gabriel da Silva destacou o caráter educativo e lúdico da atividade, ressaltando que a gincana despertou seu interesse pela Química. Já a aluna Mirella Gomes relacionou a visita aos conhecimentos trabalhados em sala de aula e avaliou positivamente a dinâmica fotográfica, ao passo que o estudante Jackson Comin enfatizou a oportunidade de sair da rotina escolar e conhecer uma realidade diferente daquela vivenciada habitualmente, afirmando que a experiência modificou sua percepção sobre a Química.
As manifestações dos estudantes demonstram que a proposta alcançou uma de suas principais finalidades: criar condições para que o patrimônio universitário seja percebido não apenas como um conjunto de documentos, espaços e objetos pertencentes à instituição, mas como um instrumento capaz de produzir conhecimento, despertar curiosidades e estabelecer novas relações entre a Universidade e a comunidade.
Ao aproximar estudantes da rede pública municipal dos espaços, dos profissionais, dos cursos e dos registros históricos da UFSM, a oficina também contribuiu para apresentar a Universidade como um espaço possível de formação e desenvolvimento acadêmico. A estratégia de utilizar a memória institucional como ponto de partida para abordar as Ciências Naturais e Exatas permitiu articular patrimônio, educação, ciência e perspectivas de futuro, fortalecendo o papel social da Universidade e ampliando o alcance das ações desenvolvidas pelo Arquivo Setorial do CCNE.
A iniciativa reforça, ainda, a importância da atuação dos arquivos universitários para além da organização, preservação e disponibilização dos documentos. Ao participar de ações de educação patrimonial, os arquivos assumem uma função ativa na disseminação do conhecimento e na aproximação entre os acervos institucionais e diferentes públicos, transformando documentos históricos em instrumentos de aprendizagem, reflexão e valorização da memória.
Nesse sentido, a oficina realizada no CCNE representa uma das ações do Projeto “CCNE 55+: Unindo Ciências Naturais e Exatas com Educação Patrimonial”, que busca utilizar a memória construída ao longo da trajetória do Centro como meio de estabelecer novas conexões com a sociedade. Assim, evidencia que preservar o passado também significa criar possibilidades para o presente e para o futuro, especialmente quando os registros históricos são mobilizados para despertar em novas gerações o interesse pela ciência, pela Universidade e pelo conhecimento.
Ressalta-se, por fim, que, entre as ações desenvolvidas pelo Projeto neste ano, destaca-se a Exposição comemorativa dos 55 anos do CCNE, que reuniu fotografias e documentos históricos representativos da trajetória do Centro. A exposição percorreu os diferentes prédios que abrigam os cursos da unidade e está disponível para consulta virtual na página do CCNE, no espaço “Arquivo e Memória”.
Com ações como a oficina de educação patrimonial e a exposição comemorativa, o Projeto “CCNE 55+: Unindo Ciências Naturais e Exatas com Educação Patrimonial” reafirma o compromisso do Arquivo Setorial do CCNE e do Arquivo Fotográfico da UFSM com a preservação, a valorização e a difusão da memória institucional. Ao aproximar os acervos da comunidade e transformá-los em instrumentos de conhecimento e aprendizagem, o projeto contribui para manter viva a trajetória do Centro e para construir novas formas de diálogo entre a Universidade, a ciência e a sociedade.