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Debate de Concepções e Futuro: Centro de Educação/UFSM Reúne Chapas para a Gestão 2025-2029



A disputa pela direção do Centro de Educação (CE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para a gestão 2025-2029 foi palco de dois debates cruciais, cujos principais pontos e propostas das chapas foram delineados em um evento recente. Os debates, mediados pelo jornalista Ciro Oliveira, contaram com a participação da Chapa 1, composta pelo professor Ascísio e professora Elena, e da Chapa 2, composta pela professora Marilene e professor José Iran. Os eventos ocorreram na sala 314 do prédio 16B da UFSM, e os mediadores fizeram autodescrições e a descrição do espaço para acessibilidade. A comissão eleitoral, entretanto, pediu desculpas por não ter conseguido disponibilizar serviço de intérprete e tradução devido à falta de servidores.

A metodologia do debate foi dividida em blocos, incluindo apresentação do plano de gestão, perguntas e respostas alternadas entre as chapas, perguntas do público (docentes, discentes e TAEs) e considerações finais. A ordem das falas foi definida por sorteio.

As chapas apresentaram suas visões de gestão, a Chapa 1, “Ascísio e Elena com você”, enfatizou que sua candidatura representa um coletivo e busca um debate sobre a concepção de gestão e visão do CE, articulada a uma visão de mundo, sociedade e universidade. Defenderam um CE plural, multicultural, inclusivo e socialmente referenciado pela qualidade da educação, com valorização de todas as pessoas e segmentos, e compromisso com o acesso, permanência e conclusão dos estudos com êxito. A Chapa 2, “Avança CE”, destacou sua construção “a muitas mãos”, baseada em diálogo constante, mediação de conflitos, postura ética, escuta acolhedora, e defesa da igualdade social, inclusão, produção de conhecimento e formação de professores de qualidade. Eles se posicionaram contra a privatização da universidade pública, cortes de verbas, terceirização, cobrança de mensalidades, exclusão social, machismo, sexismo, violência de gênero, homofobia e racismo.


Uma das questões centrais do debate entre as chapas foi a compreensão da gestão democrática. A Chapa 2 a descreveu como uma concepção sociocrítica, pautada nas questões e demandas sociais, buscando estabelecer prioridades e estratégias de ação com o coletivo, considerando diversidade, pluralidade e inclusão, alinhada à autonomia universitária, participação, coletividade, transparência, ética e descentralização do poder. A chapa 1, por sua vez, defendeu que, embora as instâncias formais representem a democracia, é preciso “ir além”, promovendo a participação efetiva de toda a comunidade e espaços de debate amplos, como o Audmax “cheio de gente debatendo”.

Pautas Apontadas pelos Segmentos da Comunidade Acadêmica
O debate aprofundou-se em questões específicas levantadas pelos diferentes segmentos do CE:
 
Perguntas dos Docentes
 
1. Índice de Distribuição de Recursos (IDR):
    Chapa 1: Propôs democratizar o acesso a editais e criar um comitê científico para orientar docentes e técnicos na busca de recursos, como emendas parlamentares. Defendeu a luta pelo orçamento público e contra cortes, sugerindo a negociação de fundos de extensão, como uma porcentagem de recursos captados por outros centros da universidade.
    Chapa 2: Informou que a gestão atual já conseguiu R$ 1,5 milhão em obras. Explicou que o IDR do CE está entre os últimos na UFSM, influenciado pelo número de matriculados e produção científica. Apontou a necessidade de pensar em novos cursos, vagas e ofertas para qualificar o IDR, além de defender a articulação para recursos para alunas mães e a conclusão de obras.
 
2. Novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para a Formação de Professores:
    Chapa 2: Detalhou o trabalho com as coordenações de curso e NDEs desde 2021, incluindo formações sobre as DCNs e curricularização da extensão. Reconheceu que as DCNs de 2024 exigem estágios curriculares supervisionados desde o primeiro semestre, demandando discussões com coletivos, comissões de estágio e chefias departamentais. Mencionou a defesa nacional das DCNs de 2015 em oposição às de 2024 e a necessidade de novas vagas de professores para atender ao aumento da demanda.
    Chapa 1: Criticou a limitação das discussões a reuniões administrativas e de gabinetes. Defendeu a necessidade de reuniões abertas e estudos críticos para construir coletivamente uma concepção de formação de professores, abordando questões étnico-raciais, políticas afirmativas e de gênero. Enfatizou que a discussão não deve se restringir a carga horária ou um único departamento, mas envolver todos os segmentos, incluindo estudantes desde o primeiro semestre.
 
3. Vagas para Contratação de Docentes:
    Chapa 1: Defendeu a luta institucional para valorizar o CE, mostrando a quantidade de trabalho e a responsabilidade de atender a todas as licenciaturas da UFSM. Proclamou o CE como “exemplo de organização de departamento” e a necessidade de “lutar pela ética do ser mais” (Paulo Freire), buscando vagas para trabalhar questões étnico-raciais e promover uma formação multidisciplinar, antirracista, anti-homofóbica e antimachista.
    Chapa 2: Descreveu a questão das vagas como um “calcanhar de Aquiles” da UFSM. Afirmou que a direção tem realizado reuniões periódicas com chefias departamentais para levantar necessidades de vagas, especialmente em vista das novas DCNs (Metodologia de Ensino). O vice-diretor participa do GT de encargos didáticos da UFSM, e o CE está entre os primeiros nas filas de pedidos de vagas, com memorandos enviados à reitoria. Assegurou que as vagas existentes nos departamentos serão mantidas.
 
4. Política de Cotas para Pessoas Trans:
    Chapa 1: Declarou-se totalmente a favor das cotas para pessoas trans em todos os segmentos da instituição (docentes, técnicos, estudantes). Defendeu a inclusão e o respeito, ressaltando que pessoas trans são parte da sociedade e merecem estar em todos os espaços, assim como a necessidade de representatividade.
    Chapa 2: Concordou plenamente, afirmando que é um posicionamento comum às duas chapas. Defendeu que todas as pessoas, em suas manifestações, tenham espaço, com apoio, incentivo e preferência para grupos como negros, indígenas e trans. Mencionou a importância de mudar os currículos universitários, que ainda são “brancos, masculinos e preconceituosos”, para incluir a existência dessas pessoas na formação dos estudantes.
 
5. Espaços para Crianças no CE e “Parque dos Bambus”:
    Chapa 2: Afirmou que a presença de crianças é fundamental para a formação dos estudantes, mas o Parque dos Bambus foi removido por ser um espaço inadequado e de risco (bambu se decompõe, sem cobertura por questões de segurança contra incêndio). Informou que a decisão foi tomada com o Conselho do CE e que há um compromisso de reestruturar o local para ser um espaço de convívio, após consulta à comunidade.
    Chapa 1: Apontou que as crianças já estão no CE, mas sua presença não é legitimada, recaindo a responsabilidade individual sobre os professores. Defendeu a necessidade de oficializar e pensar o campus como um “centro que educa”. Questionou a decisão do conselho sem comunicação clara à comunidade e sem a apresentação de alternativas para o espaço, ressaltando a valorização desse tipo de iniciativa em outros países.
 
Perguntas dos Discentes (Estudantes)
 
1. Combate à Cultura do Assédio Contra Mulheres (Direcionada aos candidatos homens):
    Chapa 2 (José Iran): Assumiu a responsabilidade como homem branco privilegiado, reconhecendo que homens são criados em uma cultura machista e precisam aprender e reconfigurar seus comportamentos diariamente. Relatou ter realizado diversas ações na gestão, além de eventos pontuais, como discussões sobre violência e campanhas de alerta. Afirmou ter representado o CE em instâncias superiores para exigir o reconhecimento da importância das mulheres e se comprometeu com um esforço sistemático e contínuo.
    Chapa 1 (Ascísio): Iniciou afirmando que a sociedade é machista, patriarcal e colonial. A primeira tarefa é a “descolonização e desconstrução da masculinidade tóxica”. Enfatizou a importância de ouvir as vítimas de violência, buscar auxílio de pesquisadoras feministas e levar questões de gênero para o currículo. Como gestor, comprometeu-se a encaminhar todos os crimes contra mulheres pelo processo legal e a trabalhar na educação dos homens para a superação do machismo, sendo ativamente antirracista.
 
2. Acesso à Biblioteca e Sala de Convivência para Cursos Noturnos:
    Chapa 1: Classificou a falta de acesso noturno como uma pauta urgente. Argumentou que espaços de convivência (para mães, estudantes, servidores) são essenciais e que muitos espaços ociosos podem ser reestruturados sem grande custo. A biblioteca precisa de mais servidores para garantir horário de funcionamento e qualidade. Defendeu que o CE, por atender a todas as licenciaturas da UFSM, deve ter esse argumento para reivindicar mais recursos humanos.
    Chapa 2: Afirmou que a biblioteca foi revitalizada em 2021 e possui um sistema antifurto de R$ 300 mil. A limitação no acesso noturno é devido à falta de técnicos administrativos (quatro em licença saúde, um em capacitação, e três atuando, sendo um com baixa visão). Em relação à sala de convivência, informou que uma pesquisa mostrou que 80% dos usuários não eram do CE, e por isso, a sala está sendo remanejada para o Prédio 16B, visando atender melhor os estudantes do Centro.
 
3. Denúncias de Racismo:
    Chapa 2: Afirmou que todas as denúncias de racismo ou outras que chegam à direção são encaminhadas institucionalmente (formalização por e-mail, ouvidoria, coordenação de curso). São abertas comissões e solicitadas orientações da corregedoria e ouvidoria. A chapa enfatizou que não tolera manifestações de preconceito ou violência, citando uma ocasião em que o CE parou para discutir um caso de racismo com estudantes e o NEABI.
    Chapa 1: Defendeu que o racismo é crime e que a sociedade é racista. Propôs um trabalho pedagógico constante de “letramento racial”, pois o CE é “totalmente branco”. Enfatizou a necessidade de se articular com o NEABI para um processo de “desintoxicação do racismo” e que não basta “não ser racista, tem que ser antirracista”, ouvindo as dores de estudantes negros e indígenas.
 
Perguntas dos TAEs (Técnicos Administrativos em Educação)
 
1. Estudo de Dimensionamento da PROGEP e CAICE (Comissão de Avaliação Institucional do CE):
    Chapa 2: Defendeu a manutenção do quantitativo de técnicos administrativos no CE, afirmando que “nenhum, nenhuma a menos”. A CAICE, que se tornará uma subdivisão, demanda no mínimo dois servidores, dada a complexidade do trabalho de avaliação institucional. A direção tem trabalhado com dados quantitativos e análise para justificar a necessidade de novos servidores, especialmente devido aos três turnos de funcionamento e regime especial de alguns setores.
    Chapa 1: Posicionou-se contra o indicativo do estudo da PROGEP que poderia reduzir o número de TAEs na CAIS. Elogiou o trabalho “original e militante” da CAICE, que já possibilitou melhorias no CE (ex: ar condicionado). Propôs um “conselho consultivo” com os técnicos, garantindo que nenhuma decisão administrativa que afete os TAEs será tomada sem o aval desse coletivo. Defenderá que o CE não seja tratado como “centro de série C ou série B”.
 
2. Movimentações e Pedidos de Afastamento para Qualificação dos TAEs:
    Chapa 1: Propôs a criação de um comitê ou conselho consultivo para os TAEs, visando legitimar o grupo organizado e suas discussões sobre condições de trabalho e impactos nas atividades docentes/estudantis. Defendeu o apoio a qualquer iniciativa de formação (interna ou externa) e a necessidade de discutir previamente a mobilidade, avaliando as condições de trabalho e humanização dos processos.
    Chapa 2: Mencionou que, nos últimos 4 anos, nenhum técnico manifestou desejo de sair do CE, indicando que é um bom ambiente de trabalho. Afirmou que os TAEs do CE são “extremamente organizados”, definem suas pautas e dialogam com a direção. Relatou que a gestão apoiou licenças parciais e afastamentos totais para qualificação profissional, com flexibilização de horário e redefinição de planos de trabalho, sempre dentro da legalidade e com diálogo participativo.
 
3. Reforma Administrativa e o Programa de Gestão de Desempenho (PGD):
    Chapa 2: Explicou que a reestruturação administrativa do CE está em fase de implementação, aprovada por unanimidade pelo Conselho do Centro, resultado de um processo que envolveu a comunidade desde 2021. Reconheceu que o PGD, medida do governo federal, está relacionado a uma “visão gerencialista do Estado”, que vai “contra a corrente” da gestão participativa. A chapa buscará medidas conjuntas que sejam possíveis de realizar a partir das especificidades do CE, sem simplesmente “acatar ordens”.
    Chapa 1: Defendeu a importância da dimensão ética ao enfrentar reformas administrativas. Propôs a criação de um colegiado consultivo com os técnicos para dialogar sobre todas as questões referentes à vida funcional deles, assegurando que as decisões sejam colegiadas, humanizadas e respeitosas. Questionou o funcionamento das secretarias e a necessidade de um diagnóstico real para repensar a situação. Enfatizou a importância de ampliar a democracia participativa para que as decisões sejam mais pluralizadas e respeitosas.
 
Considerações Finais
Ao final do debate, as chapas expressaram um sentimento de gratidão e otimismo. Ambas reconheceram o debate como um momento “muito rico” e “ímpar de aprendizado”, destacando que, apesar das diferenças de concepções epistemológicas e de gestão, o Centro de Educação “ganha” com este processo democrático. A Professora Marilene (Chapa 2) e o Professor Ascísio (Chapa 1) agradeceram a participação da comunidade e o respeito mútuo, enfatizando que o resultado contribuirá para um CE “melhor, mais qualificado e sem dúvida nenhuma mais unido”. As considerações finais reforçaram a valorização da diversidade, da excelência do Centro de Educação e do compromisso com o trabalho coletivo e a qualidade dos processos formativos e de gestão.
 
A eleição ocorre no próximo dia 18/08, das 7h às 22h, de forma online, pelo sistema Helios da UFSM.

Acompanhe a transmissão ao vivo da apuração dos votos no YouTube do CE, logo após o encerramento da votação.
 
Texto e edição: Alessandra Alfaro Bastos – Núcleo de Comunicação do CE

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