Na tarde de 9 de março de 2026, foi inaugurado no Centro de Educação (CE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) um Banco Vermelho, símbolo internacional de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. Instalado no saguão do prédio 16, o espaço também presta homenagem à estudante de Pedagogia Luanne Garcez da Silva, vítima de feminicídio em 2022, cuja trajetória acadêmica esteve ligada ao Centro de Educação.
A iniciativa integra ações realizadas no mês de março em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e foi articulada na UFSM no âmbito das atividades da campanha “8M – Pela Vida das Mulheres”. A cerimônia de inauguração reuniu representantes da universidade, familiares da estudante, membros do sistema de justiça e da comunidade acadêmica, reforçando o compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento da violência contra as mulheres.
Banco Vermelho
Símbolo público de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres, especialmente ao feminicídio. A iniciativa faz parte de uma campanha internacional que utiliza bancos de praça pintados de vermelho e instalados em espaços públicos ou institucionais para chamar a atenção da sociedade para a gravidade da violência de gênero e para a necessidade de prevenção e denúncia.
O projeto surgiu na Itália, como parte da campanha “La Panchina Rossa”, e foi incorporado no Brasil, no final de 2023, por meio de iniciativas de organizações e instituições públicas comprometidas com a defesa dos direitos das mulheres. O banco vermelho funciona como um marco simbólico e educativo, convidando as pessoas à reflexão sobre as violências que atingem mulheres e meninas e lembrando as vítimas que tiveram suas vidas interrompidas.
Além do aspecto memorial, a proposta também tem caráter informativo e pedagógico. Os bancos costumam trazer mensagens de sensibilização e informações sobre canais de denúncia, como o telefone Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher no Brasil. Dessa forma, o espaço busca incentivar a mobilização social, promover o debate público e fortalecer ações de prevenção.
Ao ser instalado em escolas, universidades, praças e outros locais de convivência coletiva, o Banco Vermelho torna-se um símbolo permanente de memória, denúncia e compromisso social com o enfrentamento da violência contra as mulheres.
Feminicídios no Rio Grande do Sul e o fortalecimento do combate por meio da educação
A violência contra as mulheres permanece como um problema social grave no Rio Grande do Sul. O Relatório de Feminicídios no RS, elaborado a partir de dados de órgãos de segurança pública e instituições do sistema de justiça, evidencia que os casos de feminicídio seguem ocorrendo de forma recorrente no estado, revelando a persistência de desigualdades de gênero e de contextos de violência doméstica e familiar. Os dados reforçam que a maior parte das ocorrências está relacionada a relações afetivas ou familiares e ocorre no ambiente doméstico, demonstrando que o feminicídio é frequentemente o desfecho extremo de um ciclo contínuo de violências.
Para ampliar a compreensão do fenômeno e fortalecer a rede de proteção, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) disponibiliza o Mapa da Violência Doméstica e do Feminicídio no RS, uma plataforma digital que reúne dados sobre casos registrados no estado e apresenta informações sobre os serviços da rede de atendimento às mulheres. A ferramenta permite visualizar indicadores de violência e localizar delegacias, centros de referência e outros órgãos que integram a rede de apoio, contribuindo para o planejamento de políticas públicas e para o acesso da população às informações.
Além das ações institucionais de segurança e justiça, estudos apontam que a educação desempenha papel fundamental na prevenção da violência de gênero. Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional, pela Mestra Marcielly Gutierres de Oliveira, sob a orientação da Professora Dr.ª Márcia Eliane Leindcker da Paixão, intitulada Gestão escolar como rede de apoio ao enfrentamento da violência doméstica, destaca que a escola pode atuar como espaço de acolhimento, escuta e encaminhamento de situações de violência. O estudo evidencia que a gestão escolar e as práticas pedagógicas podem contribuir para identificar sinais de violência, fortalecer redes de apoio e promover debates que incentivem relações baseadas no respeito, na igualdade e na dignidade humana.
Nesse sentido, instituições educacionais têm papel estratégico no enfrentamento à violência contra as mulheres. Ao promover reflexão crítica, formação cidadã e diálogo sobre direitos humanos e igualdade de gênero, a educação contribui para romper ciclos de violência, ampliar a conscientização social e fortalecer redes de proteção.
O enfrentamento aos feminicídios exige uma atuação articulada entre diferentes áreas — segurança pública, justiça, assistência social e educação. Ao promover debate, conscientização e formação cidadã, a educação torna-se uma ferramenta estratégica para prevenir a violência, fortalecer redes de apoio e construir relações sociais baseadas na igualdade e no respeito às mulheres.
A articulação entre informação, políticas públicas e educação torna-se, portanto, um caminho essencial para prevenir a violência e construir uma sociedade mais justa, em que a vida das mulheres seja protegida e valorizada.
Nesse sentido, instituições educacionais têm papel estratégico no enfrentamento à violência contra as mulheres. Ao promover reflexão crítica, formação cidadã e diálogo sobre direitos humanos e igualdade de gênero, a educação contribui para romper ciclos de violência, ampliar a conscientização social e fortalecer redes de proteção.
Em situações de violência, é fundamental buscar ajuda. No Brasil, mulheres podem entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito e disponível 24 horas para orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de apoio. Em casos de emergência, a orientação é acionar a Brigada Militar pelo telefone 190. Também é possível procurar Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher, centros de referência e serviços da rede de proteção, que oferecem apoio jurídico, psicológico e social às vítimas.
Texto e edição: Alessandra Alfaro – Subdivisão de Comunicação do CE
Fotos: Acadêmicos Otávio Munhós e Vitória da Rosa – SUCOM/CE