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Quem Faz o CTISM: de aluno a docente, servidor trabalha no Colégio desde 1995



Sérgio Adalberto Pavani, 68, é um dos professores mais antigos do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM). Atualmente, ele ministra aulas para turmas dos cursos técnicos integrados ao ensino médio e pós-médio, mas, em outros tempos, foi aluno do Colégio. Pavani ingressou no CTISM como discente em 1973, a convite do seu tio José Valdir Goetz, que na época trabalhava como professor na instituição. Na formatura do curso técnico em Mecânica, Sérgio recebeu uma medalha por ter sido premiado como o primeiro colocado de sua turma, algo que para ele só foi possível graças à sua memória fotográfica, que o auxiliava em provas e trabalhos.

Após a formatura, foi trabalhar na iniciativa privada, onde exerceu o cargo de engenheiro em empresas como: Grupo Gerdau, na Siderúrgica Riograndense – onde foi líder de equipe– e Globo Inox Equipamentos Industriais LTDA.

Uma vida dedicada à docência

Além dos serviços prestados a empresas privadas, Pavani tem em seu currículo quase 30 anos de dedicação ao CTISM. Em 1995 começou a lecionar no Colégio, onde permanece até hoje. Dentre os principais feitos de sua carreira como professor, ele destaca a criação do Laboratório de Pneumática, que hoje é considerado o maior do Brasil. “Eu faço aprimoramentos no laboratório até hoje, porque eu quero que o aluno consiga utilizar até como meio de diversão”, comenta o professor.

Ele destaca ainda que foi um dos responsáveis pela criação do primeiro robô dinossauro feito na UFSM. Apelidado de Frederico, o robô representa o Staurikosaurus Pricei, um dos répteis mais antigos descobertos na região da Quarta Colônia. O dispositivo foi feito com a colaboração de uma aluna do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade da Educação de Jovens e Adultos (PROEJA) do CTISM.  Ela trabalhava como faxineira na Instituição e escolheu Pavani para ser seu orientador de estágio supervisionado. “A aluna se chamava Vanessa Flores e ela desenvolveu o robô dinossauro, obviamente com ajuda porque a escola é para isso: proporcionar ao aluno que ele conquiste aquilo que deve conquistar, transformando uma ideia em algo útil”. Segundo ele, o robô dinossauro é uma atração no Laboratório de Pneumática e uma de suas maiores realizações enquanto professor.

Memória e afetividade

Como professor, Sérgio já foi responsável pela coordenação de diversos projetos. Dentre eles, recorda de um que o marcou de forma especial: a Escola de Fábrica. Essa iniciativa foi desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC), junto com diversas instituições de todo o Brasil, com o objetivo de ofertar formação profissional a jovens de baixa renda. Sérgio ministrou um curso de 600 horas para 700 alunos, em um projeto que envolveu as cidades de São Sepé, Santa Maria, Ivorá, Cruz Alta, Palmeira das Missões e região, entre 2008 e 2011.

Pavani comenta que, no curso, havia um aluno que não costumava ir bem nas aulas práticas. Certo dia, aproximou-se dele e percebeu que o jovem tinha uma clara dificuldade para enxergar. Com isso, pediu a um colega professor que levasse o menino até o centro de Santa Maria e pagou um óculos para que ele pudesse finalizar as aulas. Cerca de dez anos depois, reencontrou esse aluno, que agradeceu pelo gesto e afirmou que graças à atitude do professor, seguiu firme nos estudos e já havia defendido a tese do mestrado.

Além disso, o professor Sérgio recorda outro caso muito marcante em sua trajetória no CTISM. “No PROEJA recebemos um aluno que estava voltando de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos e enfrentava muitas dificuldades por causa das crises de abstinência”. Algum tempo depois, Sérgio montou um laboratório de Mecânica Elétrica em Cruz Alta e convidou esse rapaz, que já fazia parte do Colégio, para ensinar aos alunos sobre soldagem. Quando essa turma se formou, o novo “professor” foi eleito o melhor docente pelos discentes.

Sérgio relembra, saudoso, do ex diretor do CTISM Claudio Fialho Cirio, popularmente conhecido como Claudião. “Ele foi o melhor chefe que já tive. Tenho muita admiração por ele, por ter sido tão correto como ele foi.” Ele explica que desenvolveu um curso experimental para avaliar as condições da área industrial a fim de possibilitar o trabalho de pessoas com deficiências no setor, contando com total apoio do Colégio, na época sob direção do Claudião. “Eles vinham em uma Kombi, eu tinha que pegá-los no colo e devolver à cadeira de rodas para que pudéssemos ir até a sala de aula”, explica sobre o funcionamento das atividades.

Ensino além da sala de aula

Pavani menciona que, em seus quase 50 anos de carreira– dos quais 20 foram dedicados à indústria e 30 ao CTISM– um de seus maiores aprendizados foi adquirido quando ele trabalhou como líder de equipe na Siderúrgica Riograndense e compreendeu que as individualidades devem ser estimuladas e preservadas. “Um dos grandes mestres que tive, e que me ensinou a ter paciência, foi Donir Alves Duarte. Em seis anos, ele me deu soluções incríveis para poder resolver questões que impediam o andamento de projetos”.

No que se refere aos desafios da docência, ele explica que não aplica aulas de recuperação para grupos de alunos, mas busca atendê-los individualmente. “Cada pessoa tem uma maneira maravilhosa de ser diferente do outro e isso exige um tratamento especial para cada um deles”. 

Mesmo com tantos anos de trabalho, Sérgio Pavani não pensa em uma aposentadoria a curto prazo. Afirma que já poderia estar aposentado, mas que ainda tem sonhos para realizar. Planeja se retirar do mercado de trabalho daqui a três anos, quando completar 71 anos de idade. Após isso, seus planos são investir em um negócio próprio, afastando-se do ensino.

Como conselho para as gerações mais jovens, ele afirma: “Aprenda a dizer sim e não com a mesma dose de amor e justiça.”


Texto: Myreya Antunes, bolsista de Jornalismo do Núcleo de Comunicação Institucional do CTISM.

Fotos: Gabriel Montelli

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