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Quem faz o CTISM:Do interior do Paraná, professor superou dificuldades para chegar até uma das Instituições de ensino mais renomadas do país



No meio da Universidade Federal de Santa Maria, está localizada a Casa do Estudante Universitário (CEU II), que abriga mais de 1.900 estudantes vindos de todas as regiões do país em busca de um ensino público de qualidade. Desde 1963, a Casa já ajudou milhares de alunos de baixa renda a conquistarem o tão sonhado diploma universitário. Um desses estudantes é Frank Gonzatti, formado em Engenharia Elétrica e professor titular do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM). Frank nasceu no interior do Paraná e se mudou para Santa Maria em 1996, após ser aprovado no vestibular.

O início de tudo

De origem humilde, filho de pai agricultor e mãe dona de casa, Frank fez a inscrição no vestibular escondido da família e contou aos pais apenas quando precisou viajar até Santa Maria para realizar a prova. Quando foi aprovado no curso de Engenharia Elétrica, mudou-se para a UFSM, local que chamou de casa durante os 5 anos da graduação. Ele conta que era uma época de recessão econômica, onde o dinheiro era curto e que seus pais lutaram muito para conseguir mantê-lo fazendo faculdade em outro estado. “Foi um período bem complicado com relação a dinheiro, por sorte tínhamos a moradia e o Restaurante Universitário”, relembra. 

Além das dificuldades econômicas, Frank precisou lidar com a saudade de casa. De acordo com ele, na época chegou a ficar 8 meses sem retornar para a casa dos pais, em Francisco Beltrão. Porém, por sorte, ele tinha amigos com quem contar, o que amenizava um pouco o peso da distância. O professor Marcos Daniel Zancan, que também trabalha no CTISM, foi um dos amigos que se tornaram família nos blocos da Casa do Estudante. “Nós andávamos pelo campus inteiro nos finais de semana, íamos ao rio e passeávamos. Na época, a situação da Casa do Estudante era bem precária, não havia internet e para conseguir falar com os familiares, os moradores dependiam de um orelhão que ficava no Bloco 15. “Às vezes tinha alguém passando e o orelhão tocava. A pessoa atendia e saía procurando quem era o destinatário da ligação em algum apartamento”.

Frank acredita que uma única palavra dita por alguém tem o poder de mudar o curso da vida de uma pessoa. Foi assim que ele conseguiu a primeira bolsa durante a graduação: “o Zancan me falou que um professor estava oferecendo uma bolsa e eu fui falar com ele e consegui, foi aí que eu comecei a ter dinheiro. A energia que o Zancan gastou me falando sobre essa oportunidade foi o que deu início a toda a minha trajetória de mestrado e doutorado que me trouxeram até aqui. Gonzatti afirma que um dos momentos mais emocionantes de sua vida foi a sua formatura, no ano de 2000. “Eu não posso ouvir a minha formatura que choro. Me emociona muito lembrar de tudo que eu passei pra conseguir terminar a graduação.”, conta.

Uma nova etapa

Após se formar em Engenharia Elétrica, trabalhou em algumas empresas até que, em 2005, começou a dar aulas como professor substituto no CTISM, até ser aprovado em um concurso do Instituto Federal, onde permaneceu até 2010 quando retornou ao Colégio para fazer Mestrado. Após um tempo, foi aprovado no concurso para o cargo de professor titular. Desde então, segue ministrando aulas para turmas dos Cursos Técnicos Integrados e subsequentes ao Ensino Médio.

Frank comenta que, para muitos alunos, ele é visto como o “professor que reprova”, isso porque, segundo ele, sempre foi muito exigente para garantir que todos os estudantes que adentrem as suas aulas saiam dali sabendo mais do que quando chegaram. Apesar dessa fama, Frank é muito querido pelos alunos e já foi professor homenageado de diversas turmas que ajudou a formar. Para ele, receber o reconhecimento e a valorização dos estudantes é extremamente gratificante. 

“O futuro do Colégio é o Integrado”

Para Frank dar aulas para adolescentes é uma forma de conseguir alterar o curso da trajetória de uma pessoa. “Conhecimento ninguém tira de ti, é isso que tento passar para os meus alunos”.Ainda sobre a trajetória profissional, ele destaca a pandemia como o momento mais desafiador, devido a dificuldade para passar os conteúdos e avaliar os alunos. No entanto, Frank percebe que houve uma mudança no comportamento dos estudantes após esse período e que é mais difícil prender a atenção deles durante as aulas. 

Aos 51 anos, Frank é casado e tem dois filhos. A relação da família com a Universidade não se limita a Frank: a esposa trabalha no Hospital Universitário (HUSM), o filho mais velho estuda engenharia da Computação na universidade enquanto o mais novo está no curso técnico em Internet das Coisas Integrado ao Ensino Médio do CTISM.  “A minha esposa brinca que quando eu morrer ela vai jogar parte das minhas cinzas no campus porque eu realmente sou apaixonado pela Universidade”, comenta.

Para os próximos anos, o professor tem planos de seguir dando aulas, coordenando projetos e compartilhando conhecimentos com os estudantes que passarem pelo seu caminho, além de continuar fazendo parte da Universidade que um dia já foi casa.


Texto: Myreya Antunes, bolsista de Jornalismo da Divisão de Comunicação e Produção Audiovisual do CTISM.

Imagens: Alexandre Fortes.

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