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Patrimônio cultural santa-mariense em debate



Quem nunca parou para olhar as antigas edificações, que enchem os olhos de moradores ou visitantes que passam pela Avenida Rio Branco, no centro de Santa Maria? Esse grande apanhado de prédios compõem o maior conjunto art déco do Brasil e o segundo maior do mundo. Devido a isso, em 2018, 135 edificações foram tombadas, provisoriamente, como patrimônio arquitetônico da cidade.

De acordo com o Decreto Lei nº 25 de 1937, um tombamento “constitui o patrimônio histórico e artístico nacional, o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico, etnográfico, bibliográfico ou artístico”. Portanto o tombamento destes prédios nada mais é do que um mecanismo para preservar um bem, o qual geralmente é público, que possui importância tanto histórica quanto cultural para a sociedade atual e futura. Ou seja, tem a finalidade de proteger o patrimônio histórico e artístico nacional.

Mas o que é art déco? O estilo, que tem suas origens no período entre guerras, seguia um processo de racionalização e mudança nos hábitos da época. “A ideia era de abandonar o passado, sem, contudo, romper completamente com ele, ingressando em novos tempos”, explica o professor doutor Paulo Edi Rivero Martins, associado ao Departamento de Design e Expressão Gráfica da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Materiais novos começam a ser empregados e são implantados projetos sociais. A máquina, bem como a velocidade, é destacada, difundindo, assim, novas tecnologias desenvolvidas pela indústria bélica.

De acordo com Martins, “o nome deriva da École des Arts Décoratifs, fundada em 1877, ou, ainda, da Union Centrale dês Arts Décoratifs de 1882. Após o advento da Primeira Guerra Mundial, passou a se chamar Arts Décoratifs et Industriels Modernes, nome cedido, então, à Exposição de 1925, realizada em Paris, na qual o estilo foi, pela primeira vez, exibido. Mas a tendência surge entre os anos de 1918 1920, generalizando-se como estilo e atingindo seu pleno desenvolvimento durante a década seguinte, pela Europa ocidental e pelos Estados Unidos”.

O art déco pode ser encontrado tanto na arquitetura quanto em esculturas, na moda e na decoração. Assim, tem, como características principais, as linhas circulares ou retas estilizadas; o uso de formas geométricas; o estilo puro (“Clean“) e luxuoso; o emprego dos materiais marfim, jade e laca; além do trabalho com formas femininas e animais. Possui, ainda, grande influência de algumas vanguardas artísticas, como o construtivismo, o futurismo e o cubismo.

Já na arquitetura, segundo Martins, Cervinske (1981) denominou, como Tropical Déco, as edificações localizadas na região de Miami Beach, nos Estados Unidos. Nelas, destaca-se uma vinculação a aspectos da natureza; uma composição volumétrica de poucos pavimentos e baixo custo; a presença constante de varandas; o predomínio de linhas horizontais; as marquises, como pestanas, retas ou curvas, acompanhando, muitas vezes, os volumes curvos das construções de esquina. Além disso, um marco importante é o predomínio das cores pastel, fortes características do estilo denominado Tropical Déco.

Em Santa Maria, essas características são facilmente identificadas nas edificações da Avenida Rio Branco. Para Paulo Edi, estas construções remetem à história e à referência da cultura, as quais caracterizam a identidade de uma região. “Patrimônio é a herança que recebemos de nossos antepassados e o que devemos construir para as gerações futuras. Os prédios art déco fazem parte da imagem da cidade, constituem uma personalidade própria e peculiar do local”, salienta. Por isso, é extremamente importante que patrimônios como o de Santa Maria sejam reconhecidos pela comunidade, afinal, são heranças de um passado próximo, da cultura, da história e da identidade de uma região. “Preservar, transmitir e deixar todo esse legado às gerações vindouras valorizará esse patrimônio. Divulgá-lo para o conhecimento de seus habitantes e de pessoas de outros lugares, além de resgatar sua história, preserva a cultura e atrai turistas que podem deixar divisas para o município”, explica o professor.

Devido à importância desse acervo art déco a céu aberto, que ajuda a compor a história de Santa Maria, o professor Paulo Edi Martins participará de uma Aula Inaugural sobre Patrimônio Cultural, Arquitetônico, Histórico e Gestão Pública na próxima sexta-feira, 29, às 14h, no Salão Imembuí da Universidade Federal de Santa Maria. A aula é promovida pela Pró-Reitoria de Extensão (PRE), aliada a seus Programas de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural e em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo, bem como ao Curso de Arquitetura e Urbanismo. Para Paulo, uma universidade trazer tal temática à baila é extremamente importante, afinal a função prioritária de uma universidade é a de promover o ensino, a pesquisa e as atividades de extensão, produzindo novos conhecimentos e aplicando-os às necessidades da sociedade: “deve desempenhar importante papel para o desenvolvimento humano, regional e sustentável, contribuindo para solucionar os atuais problemas inerentes a uma comunidade. Tal é a importância do Patrimônio Cultural no contexto de uma sociedade, que se torna um dever da Universidade estar engajada na luta pela valorização, pela divulgação e, principalmente, pela preservação desse patrimônio para o amplo conhecimento, principalmente de seus habitantes”, finaliza.

Texto: Andréa Ortis – MTB 17.642/ Bolsista Núcleo de Divulgação Institucional PRE

Revisão Textual: Erica Medeiros Bolsista Núcleo de Divulgação Institucional PRE


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