A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio da Editora da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), lançou 45 obras selecionadas pelo edital Série Extensão 2025. Disponibilizadas exclusivamente em formato digital, as publicações abrangem diferentes áreas do conhecimento e têm como objetivo central ampliar o acesso à ciência, fortalecendo o diálogo entre a universidade e a sociedade.
O conjunto de obras evidencia a diversidade da produção extensionista da UFSM, reunindo trabalhos desenvolvidos por docentes, técnicos e estudantes em parceria com comunidades, escolas, movimentos sociais e instituições públicas. Os temas vão desde educação, saúde e cultura até meio ambiente, tecnologia, direitos humanos e desenvolvimento social, sempre com foco em uma linguagem acessível e aplicada à realidade social.
A estratégia de divulgação das obras incluiu a participação da PRE em importantes eventos culturais e acadêmicos. Na 52ª Feira do Livro de Santa Maria, realizada em 5 de setembro de 2025, foram lançadas 30 das obras contempladas pelo edital, aproximando ainda mais a produção acadêmica do público geral.
Já no dia 3 de novembro, durante a abertura oficial do Salão de Extensão — parte da programação da Jornada Acadêmica Integrada (JAI) 2025 — foram lançadas 15 obras finalizadas em 2024, que ainda não haviam sido apresentadas oficialmente. Segundo a equipe da Editora PRE, os materiais haviam sido concluídos anteriormente, mas o lançamento foi adiado devido a eventos climáticos que impactaram o cronograma.


Organização interna: planejamento e controle como base do processo
Por trás da produção das obras, há uma estrutura de trabalho altamente organizada e colaborativa. O fluxo editorial é sustentado por ferramentas de controle e divisão clara de etapas, garantindo o acompanhamento de todas as fases do processo.
O diagramador Eduardo Prates Macedo explica que a equipe utiliza uma planilha como eixo central da organização: “Nossa rotina de trabalho é organizada e guiada por uma planilha de controle de publicações, utilizada pelos bolsistas da Editora”. Segundo ele, o sistema permite acompanhar cada etapa da produção editorial, como revisão, criação de capa, projeto gráfico e diagramação.
A visualização do andamento das tarefas também era facilitada por um sistema de cores. “Nós registramos nossos nomes na planilha e utilizamos um sistema de cores para indicar o status do trabalho: vermelho (‘a fazer’), amarelo (‘em andamento’) e verde (‘concluído’)”, detalha Eduardo.
Essa organização, segundo ele, foi essencial para lidar com a alta demanda. “O principal desafio que enfrentamos foi a necessidade de lidar com a alta demanda e o volume de obras a serem publicadas em um prazo apertado”, afirma. Ainda assim, o processo trouxe aprendizados importantes: “O principal aprendizado foi a importância de pensar e implementar estratégias que agilizassem nosso fluxo de trabalho”, completa.
Criação coletiva e diálogo constante com autores
Na etapa de criação gráfica, o trabalho se destaca pela integração entre equipes e pela forte interação com os autores. Para Luana Gomes Kirst, também diagramadora, o processo é dinâmico e se desenvolve em paralelo às demais fases editoriais. “Desde o primeiro contato com os autores, que é um elemento essencial para o funcionamento da nossa dinâmica”, destaca Luana, explicando que a construção do projeto gráfico ocorre simultaneamente à revisão dos textos.
A comunicação com os autores se mantém constante ao longo de todo o processo. “A troca com os autores continua presente e se mostra indispensável, para que possamos elaborar juntos um produto final que corresponda com as expectativas”, afirma. Esse diálogo resulta em um fluxo contínuo de ajustes: “O arquivo vai e volta muitas vezes, e isso permite que o processo seja agradável para ambos os lados”, completa.
A dinâmica, no entanto, também traz desafios. “As demandas variam conforme as obras que trabalhamos — algumas levam semanas e outras são finalizadas em questão de dois dias”, relata Luana. O fator mais crítico, segundo ela, é o tempo: “O principal desafio é sempre o prazo, nosso grande inimigo”.
Além da gestão do tempo, o trabalho exige sensibilidade criativa. Luana destaca a importância da capa como síntese visual da obra: “Captar e resumir uma produção inteira em apenas uma imagem — a capa — carrega certa responsabilidade”. Para ela, esse elemento é decisivo no resultado final: “Essa tradução visual bem-sucedida é o que, no final das contas, define o sucesso do nosso trabalho”.
Precisão técnica e atenção contínua aos textos
A etapa de revisão é uma das mais sensíveis do processo editorial e exige atenção constante aos detalhes linguísticos e estruturais dos textos. Segundo a revisora Catharina Viegas de Carvalho, o trabalho ocorre de forma contínua e adaptável.
“Nossa rotina de revisão funciona em um fluxo contínuo. Trabalhamos diariamente nos textos, ajustando o ritmo conforme a complexidade de cada obra”, explica. Ela reforça que o processo não pode ser acelerado: “Como a revisão é uma etapa que requer atenção constante, não pode ser acelerada — cada projeto tem seu tempo”.
Após a revisão, os textos são enviados aos autores para validação antes de seguirem para as próximas etapas. “Ao concluir um livro, enviamos o texto revisado para o autor aprovar as alterações e partimos imediatamente para o próximo, mantendo assim a produtividade”, afirma.
Os desafios estão principalmente na complexidade dos materiais. “O principal desafio está na própria natureza do trabalho de revisão. Muitos textos exigem atenção especial aos detalhes linguísticos”, destaca Catharina.
Ainda assim, ela ressalta o papel fundamental dessa etapa: “Não deixa de ser uma etapa crucial para garantir a qualidade das publicações”. Para ela, uma das maiores conquistas da equipe foi equilibrar rigor técnico e eficiência: “Conseguimos desenvolver uma dinâmica que combina o rigor técnico da revisão textual com o trabalho editorial como um todo”.
Trabalho coletivo e integração
A articulação entre os diferentes setores da Editora foi fundamental para o sucesso das publicações. Para Valéria Lago Luzardo, também revisora, a organização colaborativa permitiu que o fluxo de trabalho fosse contínuo e eficiente.
“A nossa rotina é organizada de forma bastante colaborativa e estruturada. As equipes possuem funções bem definidas, o que permite que o fluxo de trabalho siga de maneira contínua e eficiente”, explica.
Na revisão, o contato com os autores também é essencial. “Procuramos manter contato direto com os autores, para garantir que os ajustes nos textos estejam de acordo com a proposta da obra”, destaca.
O principal desafio, segundo Valéria, foi o equilíbrio entre volume e qualidade. “Conciliar o grande volume de obras com o cuidado necessário para garantir a qualidade de cada uma delas exigiu distinta dedicação”, afirma.
Apesar das dificuldades, o resultado final é motivo de satisfação. “O planejamento coletivo e a clareza na comunicação entre os setores foram cruciais. Cada lançamento foi resultado de um esforço conjunto”, conclui. Ela reforça ainda o impacto emocional do trabalho: “Ver as obras prontas e disponíveis ao público é muito recompensador”.

Texto: Laura Severo, bolsista de Jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).
Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).