Ir para o conteúdo PRE Ir para o menu PRE Ir para a busca no site PRE Ir para o rodapé PRE
  • International
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área Restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Gabinete Itinerante da Pró-Reitoria de Extensão percorre os três campi fora da sede em maratona de escuta e descoberta

A iniciativa visitou Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul, colhendo demandas e apresentando a estrutura da pró-reitoria à comunidade acadêmica



Há uma diferença intransponível entre ver uma realidade pela tela do computador e senti-la sob os pés. Foi com essa convicção que a Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) colocou sua equipe na estrada durante o mês de março para o que internamente foi apelidado de “caravana” e que, institucionalmente, ganhou o nome de Gabinete Itinerante. A iniciativa, proposta pelo gabinete da reitoria a todas as pró-reitorias, tem um princípio simples na formulação e complexo na execução: garantir que cada unidade da administração central visite, ao menos uma vez por ano, os três campi fora da sede. A PRE foi uma das primeiras a atender ao chamado. 

A ideia de circularidade que move o projeto não é nova como aspiração, mas é inédita na concretização. “É uma reivindicação de muito tempo e, sob meu ponto de vista, uma reivindicação coerente, justa”, resume a Pró-Reitora de Extensão Milena Freire, que liderou a comitiva. A caravana nasce do entendimento de que, embora os campi compartilhem a mesma universidade, cada unidade tem relações próprias com seu território e a extensão universitária, por sua própria natureza, é a dimensão acadêmica que mais depende dessa compreensão. “A realidade de Frederico Westphalen é diferente da de Palmeira das Missões, que, por sua vez, é diferente da de Cachoeira do Sul — devido às cidades, ao entorno, à população, aos cursos etc. Há uma lógica, uma dinâmica interna de cada campus que precisamos compreender. E o presencial faz toda a diferença nesse sentido”, ressalta Milena Freire. 

A comitiva foi dimensionada para dar conta da diversidade de frentes da PRE. Viajaram a pró-reitora e cada um dos coordenadores de setor. Contudo, também foram incluídos representantes de ações específicas cuja capilaridade nos campi exigia presença. 

Frederico Westphalen
Palmeira das Missões
Cachoeira do Sul

Dois tempos, muitas vozes

Em cada campus, a programação foi organizada em dois momentos distintos: no primeiro, foi realizada uma reunião fechada com a divisão de projetos e a comissão de extensão local; no segundo, foi feita uma fala aberta à comunidade acadêmica. A divisão de projetos é o setor que, nas unidades, faz a ponte entre a pró-reitoria e os coordenadores de extensão, recebe inscrições de editais e conhece como ninguém as dificuldades e potencialidades de cada realidade. Já as comissões de extensão — que em Cachoeira do Sul é conjunta com a pesquisa, diferentemente dos demais campi — são formadas majoritariamente por docentes de várias áreas, que também trouxeram suas perspectivas.

Foi nesse ambiente de escuta que emergiram as contribuições mais impactantes. “Recolhemos sugestões muito pertinentes, que não dizem respeito apenas à realidade dos campi, mas à formulação dos nossos editais e aos encaminhamentos à administração central”, relatou a pró-reitora.

Frederico Westphalen
Palmeira das Missões
Cachoeira do Sul

Curricularização da extensão

O tema transversal que dominou as conversas foi a curricularização da extensão. Todos os cursos da UFSM já incorporaram a extensão em seus currículos, mas a implementação efetiva ainda é um processo em construção. Existem muitas dúvidas sobre o que caracteriza, de fato, uma atividade extensionista, e sobre a vinculação adequada das disciplinas com as ações de extensão. Em muitos casos, atividades estão sendo computadas sem o caráter extensionista apropriado.

“É um período de ajuste e compreensão que vamos atravessar durante toda a nossa gestão”, reconheceu a pró-reitora. A técnica em assuntos educacionais da PRE, Giséli Duarte Bastos, que integrou a caravana justamente para esse fim, conduziu esclarecimentos em todos os campi

Frederico Westphalen
Palmeira das Missões
Cachoeira do Sul

Campus por campus: o que aconteceu em cada parada

Frederico Westphalen 

No dia 23 de março, a primeira parada foi em Frederico Westphalen, onde a visita transcorreu no período da tarde. Diferentemente dos demais campi, não houve agenda de visitas a projetos de extensão no local. 

A programação concentrou-se na reunião com a divisão de projetos e a comissão de extensão — na qual emergiram várias demandas — e na fala aberta à comunidade, que incluiu a apresentação da estrutura da pró-reitoria, o lançamento do e-book COREDEs e os esclarecimentos sobre a curricularização da extensão.

Raquel Guerra, da Coordenadoria de Cultura e Arte
Leandro Nunes Gabbi, da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional
Cassiana Silva, da Coordenadoria de Cidadania 
Pró-Reitora de Extensão, Milena Freire
Bruna Denkin, representando a Casa Verônica

Palmeira das Missões

Já no dia 24 de março, a equipe chegou em Palmeiras das Missões. Foram sete horas de convivência intensa que combinaram reunião técnica, visitas a três projetos de extensão e uma passagem pelo Colégio Agrícola.

A reunião com a divisão de projetos e a comissão de extensão contou com a presença constante da vice-diretora, professora Luciana. Discutiu-se a necessidade de critérios claros para definir o que é extensão. A comunidade local foi enfática ao pedir que a PRE ajudasse a estabelecer esse discernimento, evitando que práticas assistencialistas fossem confundidas com o fazer extensionista.

No entanto, foi na saída a campo que Palmeira das Missões revelou suas potências. A equipe acompanhou de perto iniciativas que traduzem, na prática, o impacto da extensão universitária, desde ações multidisciplinares voltadas à saúde e ao bem-estar da população até projetos que foram cruciais durante a pandemia de covid-19 e que seguem prestando serviços essenciais à região, além de trabalhos nas áreas de meio ambiente e mudanças climáticas, encerrando o roteiro com uma visita ao Colégio Agrícola local. “Foi belíssimo”, descreveu Milena Freire, “vimos a satisfação das pessoas do projeto em apresentar o seu trabalho, em dar esse retorno. Foi muito legal ter tido essa oportunidade.”

O roteiro terminou com uma passagem pela Escola Estadual Técnica Celeste Lobato, onde a equipe conheceu as instalações e as iniciativas de extensão desenvolvidas no local. “Foi uma visita super-receptiva. O público ali também foi muito acolhedor. O retorno que tivemos das unidades foi bastante positivo”, resumiu a pró-reitora.

A fala aberta à comunidade, realizada após as visitas, repetiu o formato dos demais campi, com apresentação da estrutura da PRE, lançamento do e-book COREDEs, esclarecimentos sobre curricularização e divulgação dos serviços da Casa Verônica e do Viva o Campus.

Escola Estadual Técnica Celeste Lobato
Durante a visita a Escola Estadual Técnica Celeste Lobato

Cachoeira do Sul

E, no dia 26 de março, em Cachoeira do Sul, a visita foi organizada em um único dia. Pela manhã, a equipe se reuniu com a comissão de pesquisa e extensão — que na unidade é conjunta, diferentemente dos outros campi onde há comissões separadas — e com a divisão de projetos. 

Antes da plenária aberta, a equipe conheceu as instalações do campus, apresentadas pela própria unidade. Na sequência, a equipe conheceu um projeto de extensão voltado ao fortalecimento da identidade cultural de Cachoeira do Sul. A iniciativa produz souvenirs como canecas, camisetas e ecobags com elementos arquitetônicos e símbolos da cidade. “Esses projetos mostram, de forma concreta, o impacto da extensão. Eles traduzem o vínculo da universidade com a sociedade. Para nós, é um retorno muito valioso, porque conseguimos ver, de forma muito prática e material, o envolvimento das pessoas e o resultado desses projetos”, destacou Milena Freire.

A fala aberta à comunidade foi o debate mais participativo de toda a caravana. O público era variado: calouros recém-ingressados dividiam espaço com professores extensionistas de longa trajetória. “Foi muito interessante, porque os estudantes que estão chegando precisam entender os pilares da extensão, e os que já estão atuando precisam revisitar esses fundamentos de vez em quando”, avaliou a pró-reitora.

Morgana Bevilacqua, apresentando o e-book “COREDs”
Leandro Nunes Gabbi, da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional (CODER).
Pró-Reitora de Extensão Adjunta, Angela Righi

A equipe que se descobriu na estrada

A caravana também produziu um efeito significativo: a integração da própria equipe da PRE. A convivência intensa nas horas de estrada, saídas de manhã, retornos à noite, pernoites e almoços compartilhados funcionaram como um desdobramento prático do seminário de integração que havia marcado o início da gestão. “Foi importante para a gente se apresentar e fortalecer esse vínculo, mas também para a equipe reconhecer-se como tal nesse processo — se integrar diante dessa nova missão”, avaliou Milena Freire. 

A distância geográfica entre Santa Maria e os demais campi é um dado da realidade que a PRE reconhece não se resolver com um único gesto. A concentração dos equipamentos culturais no Campus Sede — a divisão de museus, o Centro de Convenções — é uma das assimetrias que exigem ação contínua. “Nós temos consciência de que a distância geográfica é uma questão que precisa ser reconhecida. Não dá para formular como se tudo estivesse resolvido, mas é a partir desse lugar que nós agimos”, pontuou a pró-reitora.

Para mitigar essa desigualdade, a PRE já articulou a ida da orquestra e de exposições fotográficas aos campi do interior. A proposta é que as unidades se sintam contempladas pelas ações culturais da pró-reitoria, para além dos editais e das políticas de fomento.

Porém, o principal aprendizado da caravana foi de natureza relacional. “A questão tecnológica nos facilita sobremaneira na aproximação com os campi fora da sede, mas a visita presencial tem um lugar muito especial na construção e manutenção das relações”, resumiu Milena Freire. 

 

Em Cachoeira do Sul
Em Palmeira das Missões

O que vem pela frente

A caravana de março não foi um episódio isolado. A gestão já tem planejadas, para o segundo semestre, ações que darão continuidade ao vínculo estabelecido. O Fórum de Extensão será realizado nos campi fora da sede — desta vez, não com a equipe completa, mas com representações que manterão o diálogo aberto. Além disso, as apresentações artísticas itinerantes — concertos da orquestra, exposições fotográficas etc. — levarão aos campi do interior ações culturais que hoje estão majoritariamente concentradas em Santa Maria. “É um propósito nosso manter esse vínculo”, afirmou a pró-reitora de extensão.

Texto: Laura Severo, bolsista de jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM)

 

Divulgue este conteúdo:
https://ufsm.br/r-346-16041

Publicações Recentes