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Seminário Cultura Indígena e Universidade debate ingresso e permanência do aluno na UFSM



 

 

Teve início, na tarde desta quarta-feira (6), o I Seminário Cultura Indígena e Universidade. A abertura do evento ocorreu às 14h, no Salão Imembuí, localizado no 2º andar da Reitoria. O seminário é voltado às comunidades indígenas de Santa Maria e região, estudantes indígenas, comunidade acadêmica e escolas de educação básica. A programação é constituída por apresentações artísticas e rodas de conversa, discutindo temas como cultura indígena, ingresso e permanência na Universidade.

O primeiro dia de evento contou com a presença do reitor da UFSM, professor Paulo Afonso Burman, do pró-reitor de Assuntos Estudantis, professor Clayton Hilling, do pró-reitor de Graduação substituto, professor Jerônimo Tybusch, da coordenadora de Cultura e Eventos, professora Vera Vianna, da coordenadora de Ações Educacionais, professora Sílvia Pavão, do representante do PET Indígena da UFSM, André Soares, do presidente da comissão indígena da UFSM, Natanae Claudino, do representante indígena Vherá Poty, além alunos e professores.

Para dar início à programação, realizou-se uma apresentação artística das crianças da Tribo Guarani de Santa Maria. O evento seguiu com as falas da autoridades presentes. Jerônimo Tybusch salientou a importância das práticas de ações afirmativas na Universidade. “A UFSM, desde o ano de 2007, já desenvolveu intensamente programas que foram pioneiros no Brasil, programas relacionados ao ingresso de pessoas com deficiência e o programa indígena, que entrou primeiramente junto com o vestibular com a cota D, e que depois se transformou em um processo seletivo indígena”, ressalta.

Sílvia Pavão parabenizou a organização e agradeceu a presença do público. “Para além dos tempos que nos diferenciam, quanto nos aproximam, das culturas que nos aproximam ou diferenciam, que a gente possa estar sempre como humanos que somos, mantendo o bom diálogo”, disse.

O reitor Paulo Afonso Burman ressaltou a importância da presença e da participação das comunidades no espaço da educação, da arte, da ciência e da tecnologia como direito de cidadão. “O caminho é longo, as barreiras estão permanentemente se erguendo na nossa frente e o desafio está na nossa percepção, na nossa unidade, na junção de forças para que possamos superá-las uma a uma”, salientou ele, mencionando que a principal barreira que precisa-se vencer é a do preconceito.

Segundo painel

A segunda parte do evento se deu por um painel sobre a cultura indígena e o livro “Os Guarani Mbyá”, no qual falaram o representante indígena Vherá Poty, o fotográfo Danilo Christidis e os representantes do PET Indígena Joceli Sales e André Soares.

As fotografias do livro “Os Guarani Mbyá” irão compor a exposição homônima que ocorre de 6 de junho a 19 de julho no Museu de Arte de Santa Maria (Masm). A exposição é de organização do Sesc-RS e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Danilo conta que o projeto do livro começou em 2008, quando recebeu um vídeo de uma família Guarani sendo despejada de um acampamento na beira de estrada perto de Eldorado do Sul e começou a visitar Vherá Poty. Após 7 anos de contato com cerca de 15 comunidades, em 2015 o projeto originou um livro e uma exposição fotográfica.

O painel ainda contou com falas de Vherá Poty sobre a suas vivências. “A gente não quer terra material, a gente quer um espaço para a nossa vivência, nossa saúde”, ressaltou.

O integrante do PET Indígena e estudante de História Joceli Sales contou um pouco sobre como é a vivência e a permanência na Universidade. Ele diz que muitas vezes são feitas escolhas que são melhores para a comunidade, como a de Joceli de estudar ao invés de virar liderança. “Eu escolhi estudar História porque eu acho que isso vai ser valoroso para mim, e ensinar para as crianças”, conta.

 

Permanência dos alunos – O segundo dia do Seminário Cultura Indígena e Universidade continuou na tarde de quinta-feira (7), a partir das 14h, com painéis e rodas de conversas, trazendo um painel sobre as políticas de acesso e permanência dos estudantes indígenas na UFSM. Também houve um momento de conversa entre os alunos sobre a atual conjuntura.

 

O ponto principal abordado nos painéis foi o corte no auxílio financeiro a estudantes indígenas e quilombolas. O Programa Bolsa-Permanência auxilia esses alunos a se manter nas instituições públicas de ensino, através de R$ 900,00 mensais destinados a moradia, alimentação e material didático. A proposta feita pelo Ministério da Educação é de que sejam destinadas 800 bolsas para estudantes indígenas e quilombolas em todo o Brasil. Isso representa um corte de aproximadamente 4 mil bolsas anuais.

 

Com a adoção do sistema de cotas, 85 estudantes indígenas ingressaram na UFSM. O auxílio permanência é essencial para que se mantenham aqui e consigam concluir a graduação. Segundo o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Clayton Hillig, a universidade já está mobilizada para que esses alunos tenham as condições necessárias para permanecerem na instituição até o final da graduação.

 

 

Fonte: www.ufsm.br – Laura Coelho de Almeida (texto e fotos) e Melissa Konzen (texto), acadêmicas de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

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