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Papo de Engenheiras fortalece rede de apoio e pertencimento entre mulheres na engenharia

Em roda de conversa realizada no Centro de Tecnologia da UFSM, estudantes e professoras compartilharam experiências sobre carreira, representatividade e os desafios enfrentados por mulheres em áreas onde ainda são minoria



Em celebração ao Dia Mundial da Mulher na Engenharia, comemorado em 23 de junho, o grupo de afinidade IEEE Women in Engineering (WIE) UFSM promoveu, no Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o evento Papo de Engenheiras. Em formato de roda de conversa, a iniciativa reuniu estudantes e professoras para compartilhar experiências, discutir desafios vivenciados por mulheres na engenharia e fortalecer redes de apoio entre aquelas que atuam em áreas ainda marcadas pela baixa representatividade feminina.

Participaram do encontro 23 alunas, entre graduandas e mestrandas, dos cursos de Engenharia Aeroespacial, Engenharia Civil, Engenharia de Controle e Automação, Engenharia Elétrica, Engenharia Florestal e Engenharia Química. Também estiveram presentes professoras representantes das Engenharias Aeroespacial, Civil, Elétrica e Sanitária e Ambiental. A atividade contou com o apoio do PET Engenharia Elétrica UFSM, do PET Engenharia Civil UFSM e da Escola Piloto Aero (EP Aero).

A proposta surgiu a partir de uma reflexão da equipe organizadora após o evento WIE Summit: Pesquisa e Empreendedorismo, realizado em abril. Embora a iniciativa tenha cumprido seu objetivo de discutir pesquisa, indústria e empreendedorismo por meio do protagonismo feminino, o público participante foi majoritariamente masculino. A partir dessa constatação, o grupo identificou a oportunidade de aproveitar a data dedicada às mulheres na engenharia para promover um encontro voltado exclusivamente ao público feminino, oferecendo um ambiente de acolhimento, identificação e troca de experiências.

A roda de conversa começou com a apresentação das participantes. Cada estudante foi convidada a falar seu nome, curso e o motivo que a levou ao encontro. Entre as respostas mais recorrentes, destacou-se o desejo de conhecer outras mulheres da engenharia. Muitas relataram que possuem poucas colegas em seus cursos e sentem falta de espaços onde possam construir vínculos, compartilhar experiências e formar redes de apoio.

Na sequência, as professoras convidadas Tatiana Cureau Cervo, engenheira civil; Natália Daudt, engenheira de materiais; e Suélen Freitag, engenheira eletricista, compartilharam suas trajetórias acadêmicas e profissionais. As convidadas falaram sobre experiências na indústria, intercâmbios internacionais, empreendedorismo e carreira universitária, mas dedicaram especial atenção às vivências construídas ao longo de suas trajetórias como mulheres na universidade, tanto durante a graduação quanto na docência.

Após esse primeiro momento, foi aberto um espaço para perguntas e conversas com as participantes. Nos minutos iniciais, predominou a timidez. À medida que a discussão avançava, porém, o ambiente tornou-se cada vez mais acolhedor, permitindo que as estudantes compartilhassem dúvidas, opiniões e experiências pessoais.

Um dos temas centrais da conversa foi a necessidade de incentivar mulheres a desenvolverem maior confiança para participar de discussões, ocupar espaços de liderança e defender suas ideias. Ao longo do diálogo, professoras e estudantes relataram situações em que tiveram sua capacidade técnica questionada ou descredibilizada simplesmente por serem mulheres. Praticamente todas as participantes afirmaram já ter vivenciado algum episódio de machismo, seja no ambiente universitário, profissional ou até mesmo familiar.

A conversa também abordou a baixa representatividade feminina em diferentes áreas da engenharia. As participantes refletiram que esse cenário pode estar relacionado ao fato de muitas mulheres terem sido socialmente incentivadas, desde a infância, a duvidar de suas próprias capacidades, subestimar seu potencial e, por vezes, desistir de objetivos profissionais antes mesmo de tentar alcançá-los.

Durante essa discussão, foi mencionado o vídeo Dream Gap, que apresenta o conceito da “lacuna dos sonhos” — uma barreira invisível que faz com que meninas, por volta dos cinco anos de idade, passem a questionar sua inteligência e competência em comparação aos meninos. O tema também levou a uma reflexão sobre a importância de espaços exclusivos para mulheres. Foi comentado que pesquisas indicam que, em determinados contextos, a presença de apenas um menino pode reduzir significativamente a participação espontânea das meninas em atividades coletivas, reforçando a importância de ambientes em que elas se sintam à vontade para compartilhar experiências.

Outro assunto que despertou forte identificação entre as participantes foi o receio de serem consideradas “femininas demais” em ambientes predominantemente masculinos. Foram compartilhados exemplos relacionados ao uso de salto alto, equipamentos cor-de-rosa, acessórios e outros elementos frequentemente evitados por receio de julgamentos ou de terem sua competência colocada em dúvida. As professoras incentivaram as estudantes a não abrirem mão de sua identidade para conquistar respeito profissional, reforçando que competência técnica e feminilidade não são características incompatíveis.

Ao final da roda de conversa, diversas estudantes relataram que chegaram ao encontro com dúvidas sobre seu sentimento de pertencimento aos cursos de engenharia e saíram mais confiantes em relação à escolha profissional. Outras destacaram a satisfação em conhecer mais mulheres da área, afirmando que o encontro reduziu a sensação de isolamento frequentemente vivenciada em cursos com baixa representatividade feminina. Também houve relatos de estudantes que se sentiram inspiradas pelas trajetórias compartilhadas pelas professoras e pelas experiências das demais participantes.

De forma recorrente, as participantes destacaram que momentos como esse, em que mulheres podem sentar em círculo para conversar abertamente sobre suas vivências, proporcionam acolhimento e tranquilidade em meio à rotina acadêmica. Algumas resumiram esse sentimento em uma frase que se repetiu durante o encerramento da atividade: participar do encontro representou “uma paz durante o semestre caótico”.

A programação foi encerrada com um coffee break, momento em que as participantes continuaram as conversas, fortaleceram vínculos e ampliaram suas redes de contato. Também foram entregues lembranças às professoras convidadas, em reconhecimento por sua participação, e sorteados brindes do IEEE Women in Engineering entre as estudantes presentes, encerrando o evento em um clima de integração, reconhecimento e celebração do protagonismo feminino na engenharia.

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