Em agosto de 2016, a profissão de Engenheiro Acústico foi regulamentada no Brasil. Uma década depois, a área reúne diferentes possibilidades de atuação profissional e amplia sua presença no mercado nacional e internacional. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), essa trajetória começou ainda antes da regulamentação, com a criação, em 2008, do primeiro curso de Engenharia Acústica do país, que recebeu suas primeiras turmas no segundo semestre de 2009.
Ao longo dos anos, a formação acompanhou o desenvolvimento da profissão e abriu diferentes caminhos para seus egressos. Segundo o coordenador do curso, Christian dos Santos, cerca de 40% dos profissionais formados pela graduação trabalham atualmente em empresas no exterior. “Esses 10 anos mostram uma evolução e amadurecimento do mercado que entendeu que o Engenheiro Acústico é um profissional que preenche uma demanda que já vinha crescendo há muitos anos”, afirma.
Uma profissão que reúne diferentes áreas
A Engenharia Acústica envolve diferentes campos de conhecimento e possibilidades de atuação. Antes da criação da graduação na UFSM, era comum que profissionais chegassem à área a partir de outras formações e se especializassem em determinados segmentos.
A proposta do curso criado no CT foi reunir conhecimentos de diferentes campos da acústica em uma única formação. Entre as possibilidades estão áreas como acústica arquitetônica, controle de ruído, vibroacústica, áudio e processamento de sinais.
Para Christian, essa característica permite que o profissional tenha uma formação ampla e possa acompanhar diferentes demandas do mercado. “Isso traz a possibilidade de uma formação bem versátil, suprindo boa parte das necessidades do mercado na área de atuação”, explica.
A diversidade também está presente no corpo docente do curso, que reúne professores de áreas como Engenharia Mecânica, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Física e Engenharia Acústica.
Da sala de aula para outros países
A expansão da área pode ser observada nas trajetórias de profissionais formados pela UFSM.
Sérgio Aguirre, integrante da segunda turma do curso, atualmente vive na Dinamarca, onde trabalha com processamento digital de sinais para aparelhos auditivos, incluindo dispositivos ancorados no osso.
Após concluir a graduação, Sérgio realizou mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorado em parceria com uma instituição da Inglaterra. A trajetória acadêmica o levou a uma área especializada da Engenharia Acústica e ao mercado internacional.
Caroline Galdino, formada no início da pandemia, também construiu sua trajetória fora do Brasil. Depois de realizar estágio e mestrado na Dinamarca, atualmente faz doutorado em Copenhague.
Para Caroline, a graduação contribuiu para sua formação acadêmica e profissional por meio de experiências como trabalhos em grupo, produção de relatórios e participação em publicações ainda durante o curso. “É legal a gente ter uma consciência da oportunidade que a gente tem e do nível que a gente tem quando a gente sai dessa graduação”, afirma.
Além das trajetórias dos egressos, a atuação internacional dos professores também aproxima o curso de pesquisas e discussões desenvolvidas em outros países. Segundo Christian, a participação em congressos e o contato com instituições estrangeiras ajudam a manter a formação atualizada em relação às transformações da área.
Muito além do controle de ruídos
Mesmo com a ampliação das possibilidades profissionais, um dos desafios da Engenharia Acústica é tornar mais conhecida a diversidade de áreas em que o engenheiro pode atuar.
A profissão ainda costuma ser associada principalmente ao controle de ruídos ambientais e a problemas relacionados ao excesso de barulho. No entanto, a atuação também se estende à indústria, à tecnologia e à pesquisa.
Entre os campos está o setor de NVH, sigla em inglês para Noise, Vibration and Harshness, relacionado ao controle de ruídos e vibrações de produtos. O trabalho pode envolver desde a adequação de equipamentos às normas até o desenvolvimento da percepção sonora de um produto.
A Engenharia Acústica também participa do desenvolvimento de sistemas de áudio e de equipamentos para captação e reprodução sonora.
Uma trajetória que continua
Desde a criação do curso, a formação passou por mudanças para acompanhar as transformações da área e da própria Engenharia. O ingresso dos estudantes, inicialmente realizado no meio do ano, passou para o início do ano, período de maior procura por vagas. O Projeto Pedagógico de Curso (PPC) também foi atualizado para acompanhar as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) das Engenharias.
Para Christian, os próximos anos devem trazer novas oportunidades para a profissão e ampliar o reconhecimento da Engenharia Acústica. “Acredito que os próximos 10 anos guardam a expansão da atuação dos nossos egressos e consequentemente o protagonismo nesta área, não apenas nacional, mas internacionalmente”, afirma.
Dez anos após a regulamentação da profissão, a Engenharia Acústica segue ampliando seus espaços de atuação. Na UFSM, uma formação criada de forma pioneira no país já resultou em trajetórias que ultrapassam os limites da universidade e chegam a empresas, universidades e centros de pesquisa no Brasil e no exterior.
Texto por Lia Guerreiro, acadêmica de jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM
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