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Compartilhando as experiências da Turma Verde

Entre bananas e maçãs: a dimensão simbólica na turma multi-idade[1]

Daliana Löffler

Professora referência na Turma Verde

Tudo começou com um convite:

– Turma verde, vocês querem conhecer o mundo das frutas?

– Sim!!!!! – a resposta foi unânime.

Fizemos alguns combinados e nos dirigimos muito curiosos, para a sala do Ateliê. De olhos arregalados e de bocas entreabertas, as crianças ficaram encantadas com o que viram. Era um espaço acolhedor, tinha uma música suave e uma decoração que fazia com que nos sentíssemos de fato dentro de uma floresta encantada!

A história começou e as frutas foram aparecendo. Cada uma delas interagindo com as crianças, que as cumprimentavam alegremente. Foram contando os seus benefícios para a saúde e a importância de serem consumidas nas refeições. Ao final, todas apareceram juntas e as crianças entusiasmadas pedindo mais uma historia. Os personagens então ficaram por ali, conversando com as crianças.

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O retorno para a sala foi uma festa, todos comentando sobre as frutas, suas cores e os benefícios. Na sala, uma mesa com papéis em branco e canetas coloridas foi o que impulsionou um grupo de crianças para algo que talvez nenhum de nós imaginávamos… Aos poucos as folhas em branco foram ganhando um colorido especial, foram se formando, maças, peras, bananas, uvas, flores, corações… Depois cada desenho foi recortado e ganhou um palito, transformando-se em um lindo palitoche!

– Profe! Vamos fazer um teatro?

Organizamos um palco e um novo enredo foi sendo criado, primeiro com um aviso:

– Senhoras e senhores, desliguem os seus celulares!

– E se alguém precisa conversar tem que ser baixinho para não atrapalhar o teatro.

– E não precisa chorar, por que não vai ser escuro!

Iniciou-se então a narrativa, de modo muito espontâneo, alertando para não comer muitas frutas, pois até fruta de mais, faz mal! Depois, ficou a dica de que comer frutas era importante para termos energias para brincar. Ah! E não podemos esquecer-nos daquela parte que dizia que muitas flores iriam virar frutas e que por isso era preciso cuidar das flores também!

De modo muito breve este foi o enredo criado pelas crianças. Alguns atrás dos panos com os seus palitoches e outros na plateia apreciando a desenvoltura dos colegas. Ao final:

– Agora acabo. Obrigado pela presença!

E uma nova ideia:

– Profe, será que a gente pode convidar outra turma?

– Acho que sim, qual vocês gostariam de convidar?

– A Turma que estão nossos colegas do ano passado – Então fomos todos até a Turma Azul Anil fazer o convite! Porém o grupo estava no meio de outra proposta e combinamos que viriam mais tarde. Convidamos então a Turma Amarela, que nos acolheu com muito carinho e se organizou para apreciar os nossos artistas! Depois foi a vez da Turma Violeta e novamente olhos arregalados e ouvidos atentos se fizeram presente. Após a apresentação as crianças exploraram os brinquedos da sala e de repente um rostinho tímido adentrou a porta:

– A nossa turma pode vir olhar o teatro?

Era a Turma Azul Anil que havia concluído a sua proposta e desejava nos assistir! Quanta alegria!

– Claro, venham! – Disse uma das crianças.

Muitas pessoas vieram apreciar este momento e as crianças sempre muito à vontade, seguiram com suas narrativas, orientando os convidados:

– Profe Amanda, senta nessa cadeira aqui ó! Ali na frente é para os pequenos, senão eles não enxergam né!?

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            O que dizer depois de viver esses momentos com as crianças e revive-lo ao tentar traduzir em palavras as sutilezas dos encantos produzidos em cada um que participou desse processo… As crianças, sejam elas da idade que forem, tem um enorme potencial criativo. Criar, com base na recombinação de elementos oriundos das experiências existentes e potencializar esses repertórios, bem como a atividade criadora das crianças (Vigotski, 2009), são dimensões que vem sendo desenvolvidas na Turma Verde, um grupo que nos surpreende a cada dia com o envolvimento nas propostas relacionadas ao desenvolvimento da dimensão simbólica. Dimensão esta que envolve contar e ouvir histórias, montar cenários para brincadeiras, manusear palitoches, apresentar-se para os colegas, entre outras propostas.

É na espontaneidade das interações entre as crianças, que elas estão construindo relações de amizade e de respeito, e aprender a ouvir e se fazer entender para o outro tem sido, para muitas delas, uma das principais aprendizagens nesse grupo. Além disso, as dimensões desenvolvidas nas narrativas construídas pelas crianças configuram-se como base para outras aprendizagens, dentre elas a leitura e a escrita. Compreender que uma história tem início, meio e fim, que precisa haver uma coerência entre os fatos que estão sendo narrados e a ação das personagens, são apropriações que iniciam na Educação Infantil através de propostas como as que estão sendo pontuadas neste texto e que posteriormente serão aprofundadas pelas crianças. Isso não significa que não estamos assegurando, às crianças, o direito de interagir e brincar, conforme os seus interesses, potencializando, desse modo o seu repertório de experiências, ponto de partida para novas construções.

 

 

REFERÊNCIA

VIGOTSKI, L. S. Imaginação e criação na infância: ensaio psicológico. São Paulo. Ática, 2009.



Texto construído a partir das vivências com as crianças em uma proposta organizada coletivamente com as educadoras infantis responsáveis pelo ateliê da Unidade, a saber, Paula, Gabriele e Michele e o setor de Nutrição, representado pela nutricionista Suzana. Proposta desenvolvida em Março de 2016.