Ir para o conteúdo PRE Ir para o menu PRE Ir para a busca no site PRE Ir para o rodapé PRE
  • International
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Projeto Línguas no Campus desenvolve materiais didáticos colaborativos para qualificar o ensino de inglês em escolas públicas

Iniciativa vinculada a um programa de extensão com quase 30 anos de atuação aposta na formação docente e na democratização do acesso ao inglês como direito cidadão



Um projeto de extensão iniciado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no ano de 2025 tem como foco a produção colaborativa de materiais didáticos para o ensino de inglês como língua adicional no contexto da escola pública. Intitulado Línguas no Campus: desenvolvimento de material didático para qualificação do acesso à educação em inglês como língua adicional, o projeto integra um programa de extensão já consolidado na Universidade e aposta na articulação entre formação inicial de professores, docentes da educação básica e pesquisa acadêmica.

A iniciativa está vinculada ao Programa Línguas no Campus, que atua há quase três décadas na UFSM, completando 30 anos em 2027. Segundo a coordenadora do projeto, professora Roseli Gonçalves do Nascimento, o programa tem como eixos centrais a formação de professores, especialmente da área de Letras, e a capacitação linguística da comunidade. “É um programa de formação de professores, qualificação da formação de profissionais de Letras, principalmente Letras em Inglês, e a capacitação em línguas para a comunidade externa”, explica.

 

Produção colaborativa como estratégia formativa

 

O projeto surgiu a partir da participação em um edital do Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX), com o objetivo de desenvolver materiais didáticos de forma colaborativa, voltados ao ensino de inglês como uma língua adicional na educação básica da região. A proposta envolveu estudantes de Letras em formação inicial e professores que já atuam na rede básica de ensino, em um processo mediado por docentes da UFSM e por um doutorando que atuou como mentor.

De acordo com a coordenadora, o foco do projeto está na qualificação da produção de materiais didáticos, compreendidos como o elemento central da prática pedagógica no ensino de línguas. “O material didático é o principal mediador da ação pedagógica desses profissionais da educação. É ali que a gente seleciona o insumo de linguagem, os textos em áudio, vídeo ou escrito, e as atividades que vão dar acesso às línguas adiconais”, afirma.

A qualidade desse material, segundo Roseli, não pode ser entendida de uma forma genérica. “Não é um conceito abstrato. Um material de qualidade é aquele adequado ao contexto de ensino: à faixa etária, à série, aos interesses e às necessidades daquele grupo específico de estudantes”, pontua a professora.

 

Encontro do projeto para definição de atividades

Formação crítica e autonomia docente

 

Ao longo do projeto, foram desenvolvidas unidades didáticas específicas para o contexto de atuação de cada professor participante. Esse processo ocorreu por meio de encontros semanais de trabalho chamados de design sessions, nos quais as equipes analisaram, discutiram e reformularam os materiais em conjunto.

Roseli destaca que mudar a forma de produzir material didático envolve uma transformação mais profunda da prática docente. “Mudar a maneira como você desenvolve material didático e como você dá aula não é algo que se faz com umas simples técnicas. É um processo de mudança de visão do que é a linguagem e de como se ensina essa linguagem e que leva tempo”, ressalta.

Nesse contexto, o papel dos bolsistas do projeto foi considerado fundamental. “O trabalho das bolsistas que atuaram nessa mediação foi crucial, porque elas faziam reuniões semanais com as professoras para realmente olhar para o material e discutir como poderiam melhorar”, relata. Além de duas bolsistas financiadas pelo edital, o projeto contou ainda com a atuação de duas assistentes voluntárias.

 

Democratização do acesso ao inglês como direito

 

Um dos pilares conceituais do projeto é a compreensão da língua inglesa como um direito, e não como um conhecimento restrito a determinados grupos sociais. A coordenadora explica que a equipe adota a noção de “língua adicional” justamente para reforçar essa perspectiva.

“A gente entende que a língua inglesa, assim como outras línguas estrangeiras, é um direito do cidadão, assim como o acesso à educação, à saúde e à moradia”, comenta a coordenadora. Para ela, o domínio de uma língua adicional amplia as possibilidades de participação social, de interlocução e de exercício da cidadania.

Nesse sentido, a democratização do acesso ocorre de forma indireta, mas estruturante: ao qualificar a formação e a prática de professores da educação básica, o impacto do projeto se estende a um número muito maior de estudantes. De acordo com Roseli, “se a gente qualifica a formação de um professor, quando ele entra em sala de aula esse trabalho se expande, porque ele vai atingir diversos alunos”.

 

Financiamento, resultados e próximos passos

 

Em 2025, o projeto contou exclusivamente com recursos do FIEX para a concessão de bolsas, o que viabilizou a dedicação das estudantes envolvidas. No entanto, a coordenadora aponta que a continuidade e a ampliação das ações dependem de novos apoios, especialmente para a etapa de revisão, edição e divulgação dos materiais produzidos.

A proposta inicial do projeto prevê a produção, aplicação, avaliação e publicização dos materiais didáticos. Caso não haja recursos para impressão, a equipe pretende disponibilizar os conteúdos através do formato digital. “A nossa ideia é disponibilizar publicamente, seja em versão impressa ou como e-book”, explica a coordenadora.

 

Desafios na articulação com a educação básica

 

Entre os principais desafios enfrentados, Roseli destaca as dificuldades de comunicação com os professores da rede básica de ensino e a intensa rotina de trabalho desses profissionais. A coordenadora relata que, apesar do interesse inicial, alguns docentes precisaram desistir da participação devido à sobrecarga de atividades.

“A rotina de um professor da educação básica é extremamente puxada. Muitas vezes, mesmo com interesse e engajamento, não conseguem manter a participação”, afirma a coordenadora. Ainda assim, a adoção do formato híbrido permitiu a participação de professores de diferentes municípios do Rio Grande do Sul, ampliando o alcance do projeto.

Integração com ensino, pesquisa e extensão

O projeto integra um laboratório e um programa de extensão mais amplo, que reúne diferentes frentes de atuação em ensino, pesquisa e extensão. Entre elas estão estudos sobre letramentos acadêmicos, translinguagem, ensino bilíngue, suficiência linguística na pós-graduação e eventos voltados à divulgação científica em língua inglesa, como o Symposium of Academic Exchange.

Para Roseli, essa diversidade de ações reforça o papel da universidade na formação crítica de professores e na aproximação com a sociedade. “É um trabalho lento, de médio e longo prazo, mas que tem potencial de intervir de forma consistente na qualidade do ensino e no acesso ao conhecimento”, conclui.

Para acompanhar as ações, publicações e novidades do projeto, é possível acessar o perfil no Instagram: @linc_ufsm.  Mais informações sobre o laboratório que integra o programa de extensão também estão disponíveis no site do Laboratório LabLER, clicando aqui!

 

Texto: Gabriele Mendes, bolsista de jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM). 

Divulgue este conteúdo:
https://ufsm.br/r-346-14725

Publicações Recentes