Na última sexta-feira (12), o Complexo Multicultural da Antiga Reitoria sediou o Viva Antiga Reitoria, evento gratuito e aberto ao público, organizado pelo curso de Relações Públicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A iniciativa contou com o apoio da Secretaria de Cultura de Santa Maria e do Sebrae e foi composta por apresentações artísticas, mostras de projetos de extensão, atividades interativas e uma feira com empreendedoras do LabCriativo, coordenado pela Prefeitura Municipal de Santa Maria.
De acordo com a professora Fernanda Sagrilo Andres, professora adjunta do curso de Relações Públicas, a proposta surgiu da vontade da Pró-Reitoria de Extensão (PRE) de fortalecer a ocupação cultural e comunitária do Complexo Multicultural Antiga Reitoria. Sua realização, que integra a disciplina de Gestão de Eventos, teve como objetivo aproximar a comunidade dos projetos desenvolvidos pela UFSM e ressaltar o papel da Antiga Reitoria como polo de cultura, cidadania e extensão universitária.
Além disso, conforme a professora, a ação proporcionou aos estudantes de Relações Públicas uma experiência prática em todas as etapas de planejamento, organização e execução de um evento real. Ela frisa a construção de parcerias com organizações que contribuem para ampliar o alcance da iniciativa e fortalecer a integração entre universidade, poder público, setor produtivo e comunidade.
O poder da extensão
Conforme Fernanda, o Viva Antiga Reitoria representa o encontro entre ensino, extensão e comunidade, evidenciando a atuação da universidade pública como promotora de cultura, conhecimento e desenvolvimento social. A organizadora destaca que a parceria entre a UFSM, a Prefeitura de Santa Maria, o Sebrae e as demais organizações também demonstra como a educação se fortalece quando diferentes setores trabalham de forma colaborativa em benefício da população.
Um dos projetos de extensão presentes no evento é o Esperançando, que se dedica a apoiar adolescentes e jovens de 14 a 18 anos, integrados a instituições de acolhimento de Santa Maria. Nascida em 2019, a iniciativa surgiu a partir de uma preocupação do Grupo de Apoio e Incentivo à Adoção (GAIA) de Santa Maria, consolidando-se por meio de um protocolo de intenções firmado entre o grupo e a Universidade.
Desde a sua criação, a rede do projeto já mobilizou mais de 100 colaboradores, unindo professores, técnicos-administrativos (TAEs), estudantes extensionistas, bolsistas, estagiários e voluntários. Em 2022, após aprovação em edital, o Esperançando ganhou sala própria na Antiga Reitoria. Uma das coordenadoras do projeto, Alice Lameira Farias, salienta que o evento é uma oportunidade ímpar para fortalecer parcerias entre as iniciativas já consolidadas na Antiga Reitoria e, acima de tudo, dar visibilidade à sociedade sobre as ações extensionistas desenvolvidas.
Ela pontua que, embora as atividades tenham um público-alvo, o engajamento da população é um pilar fundamental na construção da rede de apoio a esses jovens. “Para garantir uma transição bem-sucedida rumo aos 18 anos, é indispensável que eles aprendam a ocupar os espaços da cidade, tenham acesso ao sistema de saúde e encontrem caminhos para o mercado de trabalho, seja por meio de vagas de Jovem Aprendiz ou de estágios”, declara.
A comunidade em foco
Um dos stands do evento foi ocupado pelo projeto Verdadeiramente, que, desde 2025, une comunicação, extensão e educação para combater a desinformação em saúde mental. Com financiamento do CNPq e do Ministério da Saúde, a iniciativa passou, neste ano, a focar na aproximação com as comunidades de Santa Maria, Pelotas e Rio Grande.
Entre as ações desenvolvidas estão capacitações para agentes comunitários de saúde em parceria com o Instituto Federal Farroupilha, campus Júlio de Castilhos, além de ações presenciais em Santa Maria realizadas em conjunto com cursos da UFSM. A coordenadora Luciana Carvalho considera o evento fundamental para mostrar à sociedade santa-mariense o desenvolvimento extensionista da UFSM.
Também voltado à promoção de informações e práticas em prol da saúde e da qualidade de vida, o Pró-Saúde é um projeto de extensão da UFSM que oferece atividades físicas gratuitas para a comunidade. Criado em 2018 e ligado ao Núcleo de Estudos em Medidas e Avaliação dos Exercícios Físicos e Saúde (NEMAEFS), ele atende cerca de quatro mil pessoas por ano e reúne estudantes, técnicos e professores em ações que integram ensino, pesquisa e extensão.
Com a expansão para a Antiga Reitoria, o programa ampliou seu alcance e consolidou-se como uma das principais iniciativas de promoção da saúde desenvolvidas pela Universidade. Para a estudante de bacharelado em Educação Física e bolsista do projeto, Rafaella Mendonça da Silva, o evento representa uma forma de visibilizar o projeto, explicar suas atividades para quem não o conhece e divulgar o exercício físico como promotor da saúde.
Além da oferta de aulas de funcional, pilates, treinamento de força e de turmas de caminhada e de hidroginástica — que está suspensa no momento —, o projeto terá, em breve, uma academia gratuita. Também são realizadas avaliações posturais e antropométricas, de flexibilidade, de resistência muscular localizada, entre outras. A programação do projeto e seu sistema de inscrições está disponível no perfil do Pró-Saúde no Instagram.
Educação sem fronteiras
O Migraidh é um grupo de ensino, pesquisa e extensão dedicado aos direitos humanos e à mobilidade humana internacional. Seu programa de Assessoria a Migrantes e Refugiados funciona na sala 507 do Complexo Multicultural da Antiga Reitoria, oferecendo atendimento gratuito referente a direitos, regularização e processos burocráticos à população migrante de Santa Maria e região.
Além disso, o Migraidh desenvolve ações voltadas ao combate à xenofobia e à promoção do diálogo intercultural. Entre as iniciativas estão rodas de conversa com estudantes no campus e oficinas em escolas, que abordam os temas da migração e do refúgio a partir de uma perspectiva de direitos humanos.
O programa também atua nas áreas de formação extensionista, pesquisa e organização de eventos. Ele conta com a parceria de instituições como o Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas do Estado do Rio Grande do Sul (COMIRAT/RS) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Segundo a professora Liliane Dutra Brignol, coordenadora do Migraidh, o grupo é responsável técnico, desde 2015, pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFSM. A iniciativa integra uma rede de cooperação da Agência da ONU para Refugiados com instituições de ensino superior de todo o país, com o objetivo de fortalecer ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à garantia de direitos de pessoas refugiadas e migrantes em situação de vulnerabilidade.
Durante o Viva Antiga Reitoria, o Migraidh realizou um plantão de atendimentos da assessoria jurídico-documental e apresentou suas atividades em um estande com materiais informativos sobre o programa. O evento também marcou o primeiro encontro do projeto Clube de Leituras Migrantes, que debateu uma obra sobre as experiências de um autor moçambicano e estudante da UFSM. A proposta utiliza a literatura como ferramenta para ampliar a reflexão sobre a mobilidade humana e suas múltiplas dimensões.
Neste semestre, os atendimentos ocorrem às terças e sextas-feiras, das 14h às 17h, sem necessidade de agendamento, com orientações sobre acesso a direitos, regularização migratória, autorização de residência, naturalização e solicitação de refúgio. É possível acompanhar as ações do grupo em sua página no site da UFSM ou em seu perfil no Instagram.
Espaço e visibilidade para práticas extensionistas
Outra iniciativa presente no evento foi a Associação Internacional de Estudantes de Economia e Ciências Comerciais (AIESEC), organização estudantil que, atualmente, é formada somente por acadêmicos da UFSM. Há mais de 30 anos em Santa Maria, a entidade apoia o desenvolvimento de jovens líderes com programas de voluntariado, intercâmbio e desenvolvimento profissional.
A relação da AIESEC com a Antiga Reitoria começou nos anos 1990, quando o grupo mantinha uma sede no subsolo do prédio, utilizada para reuniões, planejamento de atividades e acolhimento de intercambistas. Após as reformas realizadas em 2021, a entidade precisou deixar o espaço e hoje busca fortalecer sua aproximação institucional com a UFSM para voltar a ser formalmente vinculada à UFSM como projeto de extensão.
Ao longo de sua trajetória, a organização também se destacou pela promoção de projetos de intercâmbio e voluntariado, conectando Santa Maria a jovens de diferentes países e fortalecendo parcerias com escolas, instituições e organizações da população local. Segundo a acadêmica de Relações Internacionais, Luísa Costa dos Santos, ainda hoje, a associação busca fortalecer sua relação com a UFSM por meio da formação dos estudantes e a internacionalização da instituição.
Confira as fotos do evento



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Texto e fotos: Kemyllin Haana Timm Dutra, jornalista da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).
Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).