Na última sexta, 24, a Coordenadoria de Desenvolvimento Regional (CODER) da Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), desenvolveu uma série de oficinas na Jornada Interdisciplinar de Formação de Professores em Educação Patrimonial. O evento marca a VII edição no Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO e II edição no Caçapava Geoparque Mundial da UNESCO, ocorrendo no campi da Unipampa, na cidade de Caçapava do Sul, e nas cidades de Silveira Martins e Restinga Sêca, na Quarta Colônia.
As ações fazem parte da parceria da PRE/UFSM, por meio da CODER, com os referidos geoparques mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e das dez Secretarias de Educação dos municípios dos territórios. A programação contou com o Painel de Abertura em Caçapava do Sul e a Conferência de Abertura na UFSM nos dias 22 e 23 de julho, respectivamente, reunindo cerca de 650 pessoas de forma presencial e mais de 300 on-line, além de mesas temáticas na UFSM no dia 23, com cerca de 400 participantes, e atividades práticas nos territórios de Caçapava do Sul, Restinga Sêca e Silveira Martins, no dia 24. As atividades locais reuniram cerca de mil participantes entre ministrantes e público dos municípios. Durante a Jornada deste ano, também foi lançado o e-book “Jornada Interdisciplinar de Formação de Professores em Educação Patrimonial: Ambiente e Sociedade”, que traz relatos de experiências da Jornada de 2025. As aberturas ocorreram em Caçapava do Sul e na UFSM, respectivamente.


As oficinas tiveram o objetivo de transmitir para a comunidade local informações sobre a Rede Mundial de Geoparques e sobre os geoparques Caçapava e Quarta Colônia, com o tema “Guardiões do Geoparque – (Re)conhecer, pertencer e cuidar”. As oficinas nos municípios trabalharam temáticas como: combate à desinformação na cultura gaúcha e educação midiática, ensino da língua italiana, ritmos gaúchos, danças urbanas e dançaterapia, fotografia cultural e da natureza, práticas sensoriais, trilhas, gênero e educação ambiental nos geoparques, produção de boneca Abayomi, língua e cultura ancestral kaingang. Além dessas, também foram ofertadas oficinas de letramento racial, acessibilidade e LIBRAS, produções práticas pedagógicas, biblioteca sensorial e catalogação de material, paleontologia na educação e pintura de réplicas de fósseis em gesso, cenografia, estudos do céu dos municípios, produção de bioplásticos para a educação do patrimônio e ambiental, assim como atividades de resiliência climática. As mesas temáticas contaram com a presença de agentes do território e representantes da UFSM.


Para Andrea Sander, geóloga do Serviço Geológico Brasileiro (SGB-CPRM), a oficina de pintura de réplicas de fósseis foi importante na construção de metodologias de ensino que muitas vezes estão longe do ambiente da sala de aula. “Aproximar esses seres que estão no imaginário infantil, como os dinossauros, a preguiça e o mamute da Era do Gelo, podemos trazer para o concreto, transformando uma atividade científica em uma coisa muito divertida”, ressalta. A professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Augusto Vitor Costa, em Caçapava do Sul, Fátima Beatriz, enfatizou a relevância de trazer os conhecimentos aprendidos na oficina de combate à desinformação utilizando a cultura gaúcha. “Criar e trazer o fato para a realidade, dar veracidade para dentro de uma forma e um linguajar que a criança está acostumada no lugar que ela vive e frequenta foi muito prazeroso”, evidenciou.




As ações tiveram como público-alvo professores da Rede Básica de Educação (educação infantil e ensino fundamental). Os ministrantes foram professores, servidores e estudantes da graduação e pós-graduação da UFSM, Universidade Franciscana (UFN), Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), do Centro Universitário da Região da Campanha (URCAMP), Instituto Federal Farroupilha (IFFar) e professores da rede básica de ensino de Caçapava e pesquisadoras do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Para Morgana Bevilacqua, técnica responsável pela Jornada na UFSM, as oficinas seguiram sugestões da comunidade escolar e dos comitês científicos e de educação dos geoparques cuja finalidade foi trabalhar com as temáticas de pertencimento do território de forma prática. “A Jornada é importante para discutir e refletir sobre temas emergentes e adaptações, pois cada professor, escola e turma tem uma realidade, então é muito legal que os professores entre si possam, posteriormente, levar essas práticas pedagógicas para sala de aula”, ressaltou. Segundo a CODER, o evento foi ao encontro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente quanto à interdisciplinaridade para estudos futuros, e, após as reuniões de avaliação, serão realizados levantamentos sobre o atendimento das demandas e alterações que podem ser feitas para as próximas edições.
Mais informações sobre a Jornada Interdisciplinar de Formação de Professores em Educação Patrimonial de 2026 e edições anteriores podem ser encontradas no site da Jornada.
Texto: Luciana Mendes Fonseca
Fotos: Jeen Natalia Aguirre Rubio, Laura Waechter Severo, Michele Hennig Vestena e Milena Boeff Brabo
Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).