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Um Dia no Museu: acervos de Santa Maria recebem escolas da região para ação voltada à valorização do patrimônio cultural e histórico 

Programação foi realizada pela Prefeitura Municipal em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria



Na última segunda-feira (17), a Prefeitura Municipal de Santa Maria e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) promoveram o evento Um Dia no Museu. A proposta integrou as atividades alusivas ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico e ao Dia Estadual do Patrimônio Cultural e teve como objetivo aproximar a comunidade do patrimônio cultural, histórico e científico preservado na cidade.

De acordo com informações divulgadas no site da Prefeitura Municipal, mais de 800 estudantes e visitantes circularam por 11 espaços museológicos e de memória de Santa Maria. Cerca de 15 escolas do município e também de São Francisco de Assis e Faxinal do Soturno participaram da programação, que integrou ainda as atividades da 53ª Feira do Livro de Santa Maria.

Entre os espaços participantes, estiveram alguns vinculados à UFSM: o Laboratório de Arqueologia, Sociedades e Culturas das Américas (LASCA), o Museu de Arte, Ciência e Tecnologia (MACT) e o Planetário da Universidade, além do Acervo Artístico da UFSM. A abertura dos espaços possibilitou que estudantes e visitantes conhecessem acervos, exposições e atividades que fazem parte da rotina da Universidade, mas que nem sempre são acessíveis ao público externo.

O passado que abre portas para o futuro

A programação reuniu diferentes espaços dedicados à preservação, comunicação e educação patrimonial. Além dos museus, participaram laboratórios, coleções, acervos e espaços voltados à arte, à ciência e à educação, como o Planetário da UFSM.

 

De acordo com a museóloga e chefe da Divisão de Museus da UFSM, Aline Vargas, o próprio conceito de “museu” utilizado na programação foi pensado de maneira ampla. A escolha amplia a compreensão sobre os lugares onde o patrimônio é preservado e permite que a comunidade tenha contato com diferentes formas de produção e compartilhamento do conhecimento. 

 

A proposta, segundo Aline, busca garantir autonomia ao visitante e ampliar as possibilidades de interação com o patrimônio. Ao abrir seus espaços de pesquisa, memória e preservação, a UFSM fortalece a extensão universitária e aproxima a produção acadêmica da sociedade.

Essa diversidade é importante para mostrar que a preservação da memória e da cultura também acontece em espaços que não são necessariamente identificados como museus. São instituições museológicas, digamos assim, que aplicam, em alguma medida, as características de um museu, mas não são necessariamente um museu. Mas foi um título bem chamativo para chamar as pessoas para entrar em contato com o patrimônio cultural, material ou não, das nossas instituições.

Aline Vargas
Museóloga

Valorização e acesso

A programação também reforça o papel da extensão universitária como ponte entre a produção acadêmica e a sociedade. Para os estudantes, a visita representa uma oportunidade de aprender fora da sala de aula os conhecimentos e estruturas que muitas vezes permanecem restritos ao cotidiano acadêmico.

A museóloga destaca ainda que a proposta não se limita à realização de visitas mediadas. O público também pode conhecer os espaços de forma autônoma, tendo acesso às informações e aos objetos disponíveis, além de participar de oficinas e outras atividades educativas. “Participantes da mesma identidade, cada unidade permanece com a sua missão, com a sua natureza institucional, mas ele diz respeito à experiência dessa aproximação”, explica. 

Tem gente que não gosta de mediação, por isso que a expansão foi pensada para que as pessoas tenham essa autonomia intelectual de ter acesso às informações, aos objetos, sem que tenha alguém necessariamente do lado delas. A ideia era estimular e dizer: olha, estamos aqui, estamos sempre, estivemos sempre aqui.

Aline Vargas
Museóloga

Um pedaço da história no coração de Santa Maria

A iniciativa buscou aproximar a comunidade dos espaços de memória e valorização da cultura material e imaterial, tanto da Universidade quanto de outras instituições. A parceria com a Prefeitura contribuiu para dar visibilidade a locais que já recebem o público, mas ainda são pouco conhecidos, como o LASCA, localizado ao lado da antiga Reitoria da UFSM. 

No LASCA, a programação foi voltada à educação patrimonial e recebeu estudantes da rede municipal de ensino. Ao longo do dia, 42 estudantes acompanhados por professoras participaram das atividades. Durante o período da tarde, duas turmas da Escola Municipal Fátima, com 39 alunos dos anos iniciais, visitaram o laboratório. Além do público escolar, 12 visitantes espontâneos conheceram o espaço durante a programação.

A visita incluiu a mediação da exposição Escavando Histórias: a jornada da arqueologia através dos tempos e uma oficina de escavação arqueológica simulada. As crianças puderam experimentar, de maneira lúdica e educativa, algumas das práticas relacionadas ao trabalho arqueológico. Nas caixas utilizadas na atividade, foram disponibilizados materiais que remetem ao trabalho arqueológico, como pontas de flecha, machados líticos e fósseis.

 

A experiência também foi pensada para aproximar o público infantil do conhecimento produzido e preservado pela Universidade. A exposição conta com recursos interativos e didáticos, como uma ambientação que reproduz uma caverna com pinturas rupestres e um painel de curiosidades que apresenta conceitos relacionados à arqueologia e à história, incluindo termos como zoólito e patrimônio cultural.

Aline avalia que abrir esses espaços também contribui para que a população reconheça a Universidade como parte da própria cidade. “O LASCA, a população não acadêmica, não universitária, não conhece muito, não sabe da existência do laboratório e fica bem do lado da antiga Reitoria. Então foi um movimento bem importante de divulgação”, afirma.

A proposta do Um Dia no Museu não se restringe à abertura dos espaços para visitação. A iniciativa busca fortalecer ações que as instituições já desenvolvem regularmente e ampliar o acesso da comunidade aos seus acervos. No LASCA, por exemplo, o público pode realizar visitas espontâneas, com autonomia para explorar as informações e os objetos disponíveis, além de participar de atividades mediadas e oficinas.

Texto e fotos: Kemyllin Haana Timm Dutra, jornalista da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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