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MIGRAIDH PROMOVE CINE-DEBATE SOBRE MIGRAÇÃO E REFÚGIO EM SANTA MARIA

A obra exibida, intitulada Encruzilhada, traz a perspectiva de refugiados e imigrantes sobre sua própria trajetória



No último dia 26, o Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM (MIGRAIDH) promoveu um cine-debate em alusão à Semana Estadual do Migrante e ao Dia Mundial do Refugiado. Sediado  no Complexo Multicultural Antiga Reitoria, o evento contou com a exibição do documentário Encruzilhada.

Com duração de 20 minutos, a produção apresenta uma narrativa construída a partir de retratos sensoriais que entrelaçam histórias de imigrantes e refugiados. O documentário aborda temas como solidão, saudade e travessia, transformando experiências individuais em uma reflexão coletiva sobre os deslocamentos humanos contemporâneos.

Na ocasião, foi lançada também uma minicartilha impressa, produzida para facilitar o acesso a informações e orientar migrantes e refugiados sobre seus direitos e os serviços disponíveis em Santa Maria. A iniciativa busca promover o diálogo intercultural, ampliar o acesso à informação e valorizar as contribuições das comunidades migrantes e refugiadas para o desenvolvimento local.

MIGRAIDH como aliado

 

Instituída pela Lei Ordinária Estadual nº 15.367, a Semana Estadual do Migrante no Rio Grande do Sul tem sua programação organizada pelo Governo do Estado em conjunto com o Comitê Estadual de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas (COMIRAT/RS). O MIGRAIDH, como representante da sociedade civil no Comitê, desenvolve diversas práticas extensionistas, como cursos de formação, palestras, rodas de conversa, grupos de estudo e um clube de leitura voltado às temáticas migratórias. 

O cine-debate foi proposto como um momento de reflexão sobre a realidade de migrantes e refugiados no Rio Grande do Sul para ampliar esse debate e aproximar a comunidade do tema. De acordo com a professora Liliane Dutra Brignol, coordenadora do grupo, o objetivo foi convidar tanto a comunidade acadêmica quanto o público externo a participar das discussões e ampliar o diálogo sobre migração e refúgio, sensibilizando a sociedade e fortalecendo as redes de acolhimento e integração

A professora pontua, que, historicamente, o Rio Grande do Sul tem uma forte relação com os processos migratórios, característica que se reforçou com os fluxos migratórios mais recentes. “A celebração também representa um espaço de reivindicação pelo fortalecimento das políticas públicas voltadas à população migrante e refugiada, além de destacar o protagonismo dessas pessoas nos setores cultural, político, social e econômico no estado”, afirma.

O grupo pretende, para o próximo semestre, expandir as rodas de conversa para além do núcleo estudantil da Universidade. A ideia é envolver pessoas atendidas pelos serviços de assessoria jurídica gratuita, que conta com atendimento semanal mediante agendamento.

Um outro olhar sobre a diáspora


O documentário, realizado pela Oito e Meio Filmes, dos cineastas Natália Pimentel e Fredericco Restori, surgiu a partir da vontade de abordar a vida de imigrantes refugiados no Rio Grande do Sul para além de rótulos. O projeto, contemplado pela Lei Paulo Gustavo em 2023, foi concluído no final de 2025 e começou a circular neste ano. 

Natalia, que atua também como professora de Português como Língua de Acolhimento (PLAc) em projetos e instituições, afirma que ainda há muito racismo e xenofobia no modo como essas pessoas são vistas e tratadas. Ela menciona, ainda, a barreira linguística, a saudade da família e a diferença cultural como alguns dos obstáculos. 

A diretoria pontua que ações como o documentário e as atividades do MIGRAIDH são essenciais para quebrar estereótipos e mostrar quem os refugiados e migrantes são para além dos desafios que enfrentam. Ela destaca que, especialmente no âmbito da cultura, onde as obras com essa temática costumam prezar a perspectiva da miséria e dos desafios, alguns estereótipos estão muito presentes.

Nada que fizermos vai superar a experiência tão forte que foi essa produção. Eu digo que existe uma Natalia antes e depois do Encruzilhada. Sempre falo que tive a felicidade de ter a confiança dessas pessoas, de ter entrado em suas casas e conhecer suas histórias. Sou privilegiada por manter essas pessoas na minha vida. Elas conseguiram mudar minha vida por completo, desde a forma como me enxergo como mulher, mãe, profissional, como ser humano. Então, nosso objetivo foi mostrar que há muito mais do que os desafios, que essas pessoas são muito corajosas por saírem de suas terras, com costumes e valores muito diferentes, muitas vezes. Quisemos mostrar o que elas são apesar da dor.
Natália Pimentel
Atriz, cineasta e produtora

Texto e foto: Kemyllin Haana Timm Dutra, jornalista da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

Revisão: Catharina Viegas, revisora de textos da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).

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