Atividades buscaram conhecer inovações nos processos de ingresso, estrutura curricular e formação docente em instituições federais mineiras
Durante o mês de julho de 2025, servidoras da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizaram visitas técnicas às Universidades Federais do ABC (UFABC), de Minas Gerais (UFMG) e de Lavras (UFLA). A iniciativa teve como principal objetivo conhecer boas práticas e inovações nos processos de ingresso, estruturação curricular e formação docente no ensino superior público federal, buscando inspiração e subsídios para o aprimoramento das políticas acadêmicas da UFSM.
Participaram da atividade as servidoras técnicas-administrativas Deborah Karla Calegari Alves e Juliane Paprosqui, do Núcleo de Projetos Pedagógicos (NUPROPE/CODE/PROGRAD), e Fabrícia Iansen, do Núcleo de Ingresso e Seleção Acadêmica (NISA/PROGRAD). A programação envolveu reuniões com gestores, docentes e técnicos das três instituições, com foco em temas como a criação e reestruturação de cursos, ingresso e permanência discente, tutoria, formação interdisciplinar, inovação pedagógica e avaliação acadêmica.
UFABC: flexibilidade, interdisciplinaridade e protagonismo estudantil
Na UFABC, as servidoras puderam conhecer o modelo de ingresso por meio dos cursos interdisciplinares — como o Bacharelado em Ciência e Tecnologia (BC&T) e o Bacharelado em Ciências e Humanidades (BC&H) — e suas possibilidades de múltiplas trajetórias. A estrutura curricular da instituição permite que estudantes construam percursos acadêmicos personalizados, com alta flexibilidade e autonomia. A universidade também se destaca por programas de tutoria robustos, coordenações centralizadas na PROGRAD e ausência de pré-requisitos obrigatórios nas disciplinas.
Outro destaque foi o Programa de Ingresso para Egressos de Escolas Públicas do Grande ABC (PROEP-ABC), voltado para estudantes de escolas públicas da região com menor representatividade na universidade, utilizando critérios socioeconômicos e geográficos. A experiência demonstrou a preocupação da UFABC com a democratização do acesso e a inclusão social.
UFMG: percursos formativos e inovação pedagógica institucionalizada
Na UFMG, o foco esteve voltado à estrutura acadêmica e às ações de formação docente institucionalizadas por meio da Diretoria de Inovação e Metodologias de Ensino (GIZ). A equipe da UFSM conheceu a experiência das Formações Transversais, programas de formação complementar que certificam estudantes com pelo menos 300 horas em temáticas específicas, com disciplinas diferenciadas e participação facultada à comunidade externa.
A universidade também se destacou pela regulamentação detalhada de seus Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs), com momentos específicos para ajustes curriculares, e pela possibilidade de criação de disciplinas com conteúdo variável, que respondem de forma mais dinâmica às demandas de atualização dos cursos. O modelo do tronco comum e dos percursos formativos contribui para a diminuição da evasão e maior adaptação dos estudantes aos cursos.
UFLA: desafios na adoção de currículos interdisciplinares e foco na formação docente
A Universidade Federal de Lavras apresentou sua experiência com os Bacharelados Interdisciplinares (BICT) na área de Engenharia, os quais, apesar de bem intencionados, enfrentaram dificuldades relacionadas à disputa interna por vagas nos cursos específicos, levando à revisão do modelo. Atualmente, a instituição conta com dois BICTs específicos, com menor abrangência.
Outro ponto de destaque foi a política de formação docente, com dias fixos no calendário acadêmico para atividades pedagógicas voltadas aos professores de cada unidade. A UFLA também adota práticas como avaliação adicional obrigatória em caso de reprovações elevadas, diferentes formatos de avaliação (conceitos ou notas) e programas de mentoria acadêmica institucionalizados como componentes curriculares, com previsão de bolsas e avaliação contínua.
A importância da troca interinstitucional
Para as servidoras da UFSM, a experiência foi extremamente enriquecedora. “Conhecer de perto os modelos adotados por outras universidades nos ajuda a repensar práticas e a buscar soluções mais criativas e alinhadas às nossas necessidades institucionais”, avaliou Deborah. Já Juliane, destacou que “as visitas técnicas permitem uma compreensão mais concreta das possibilidades de ajustes curriculares, criação de cursos e inovação nos PPCs”.
Fabrícia enfatizou a relevância da experiência para pensar políticas de ingresso: “O intercâmbio de experiências com outras instituições amplia nosso repertório institucional e contribui para que possamos propor melhorias alinhadas com as diretrizes do ensino público, gratuito e de qualidade”.
A atividade foi organizada de forma colaborativa pela equipe da PROGRAD e integra o compromisso da UFSM com a qualificação contínua de suas práticas acadêmicas e administrativas.

