A UFSM iniciou o desenvolvimento de um dispositivo capaz de detectar, rastrear e coletar dados sobre o deslocamento de peças em linhas produtivas, com foco na realização de cronoanálises industriais. O projeto, intitulado “Desenvolvimento de Dispositivo de Detecção e Rastreamento de Peças em Linha Produtiva com Levantamento de Dados para Cronoanálise”, é coordenado pelo professor Fábio Mariano Bayer, do Centro de Ciências Naturais e Exatas, e conta com investimento de mais de R$430 mil.
A proposta surgiu a partir do interesse da empresa PowerMig, posteriormente adquirida pela multinacional Lincoln Electric do Brasil, em aplicar o que esta proposto em um depósito de pedido de patente desenvolvido por pesquisadores ligados à UFSM, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A tecnologia, registrada no INPI, descreve um método de rastreamento de imagens em vídeo com baixo custo computacional, adequado para dispositivos de recursos limitados. A partir do edital de Propriedade Intelectual da Finep, a empresa identificou a oportunidade de transformar essa proposta contida no pedido de patente em uma solução para monitorar, de forma automática, o fluxo de peças durante processos de soldagem.
“A empresa tinha a necessidade de acompanhar o movimento das peças ao longo da linha de montagem, coletar dados e gerar estatísticas de tempo em cada etapa. Nossa patente se encaixava bem nesse desafio”, explica Bayer. Segundo ele, o dispositivo permitirá automatizar o monitoramento e produzir análises precisas sobre gargalos e oportunidades de otimização nos processos industriais.
O projeto integra diferentes áreas, como visão computacional, processamento de sinais, modelagem estatística e desenvolvimento de hardware. A UFSM é responsável pela coordenação geral e pela modelagem estatística dos dados, enquanto as equipes UFRPE e da UFPE lideram a construção do protótipo físico e sua implementação tecnológica. A Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) realiza a gestão administrativa da iniciativa.
Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto também envolve deslocamentos entre os grupos de pesquisa de Santa Maria, Pernambuco e Caxias do Sul, onde está sediada a empresa. Os recursos incluem bolsas para os pesquisadores e verbas para passagens, diárias, aquisição de materiais e compra de equipamentos permanentes destinados à UFSM.
Mesmo em estágio inicial, Bayer destaca a importância da iniciativa para o fortalecimento da relação entre universidade e setor produtivo. “No Brasil, essa interação ainda é incipiente. Projetos como este são fundamentais para consolidar essa aproximação e gerar impacto social e tecnológico”, afirma. Esta é a primeira vez que o grupo de pesquisa coordenado por ele participa de um projeto formalmente financiado por uma empresa.
Os resultados esperados incluem o desenvolvimento de um protótipo funcional capaz de atender às demandas industriais da Lincoln Electric. A viabilidade de transformar a tecnologia em um produto comercial dependerá do nível de maturidade alcançado durante a pesquisa e das negociações posteriores entre a universidade e a empresa.
Bayer acredita que o projeto poderá abrir portas para futuras colaborações. “É uma experiência nova e desafiadora, mas que tem potencial para se tornar um modelo para trabalhos futuros, ampliando a participação de alunos e fortalecendo a pesquisa aplicada dentro da universidade.”
Texto: Gabriela de Almeida, bolsista de Jornalismo da Proinova.
Revisão: Debora Seminoti Tamiosso, comunicação Proinova.