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Micrometeorologia e Modelagem Atmosférica: conheça os grupos acadêmicos da Meteorologia da UFSM



A UFSM é um dos três locais do Brasil que possui todos os níveis acadêmicos de formação em Meteorologia – graduação, mestrado e doutorado – isso permite um ciclo completo na formação acadêmica dos estudantes. Desse modo, recebem pessoas não só do Brasil, mas um percentual bastante elevado de estudantes de vários países do mundo.

 O curso na universidade tem uma base muito forte e sólida em micrometeorologia – que está associada com  processos e fenômenos que acontecem bem próximo do chão, da camada limite planetária, como os nevoeiros, poluição nas grandes cidades; fenômenos de mesoescala – que são de escala regional, como circulações de brisa, vento norte; e fenômenos de escala sinótica – que são um pouco mais amplos que a mesoescala, como frente fria e fenômenos de clima. Configurando uma completa formação em todas as áreas da meteorologia.

Ademais, a intersecção entre a comunidade que compõe a universidade permite atividades integradas, oportunidades que se apresentam através de projetos de pesquisa e desenvolvimento ou projetos de pesquisa pura e aplicada. Frente aos processos de emergência climática que se apresentam hoje no planeta, a compreensão desses fenômenos de maneira integrada – entre todas as áreas e grupos da meteorologia – é fundamental. 

A meteorologia estuda fenômenos atmosféricos das mais diversas escalas, seja uma tempestade de verão, um grande ciclone, uma frente fria – todos eles tem explicação para sua ocorrência.  Assim, a meteorologia usa da matemática e da física para tentar descrever esses processos e tentar criar modelos para prevê-los no futuro.

Nesta segunda parte da reportagem, conheça os outros dois grupos que integram os grupos acadêmicos da meteorologia e que buscam analisar fenômenos que perpassam por dois pontos: o solo e a atmosfera.

 

 

Interações Superfície Atmosfera na Rede Sulflux 

Alocado na área de física da atmosfera, o grupo liderado pela professora do departamento de física, Débora Regina Roberti, faz parte do laboratório de micrometeorologia e atua mais na interação, superfície e atmosfera. A principal linha de pesquisa tem sido focada no quanto os ecossistemas emitem ou absorvem de Gases do Efeito Estufa (GEE) – sobretudo Dióxido de Carbono (CO2) e Metano.

O nome Sulflux vem de uma rede voltada para o monitoramento dos fluxos superficiais em diferentes agroecossistemas do sul do Brasil, a ‘Rede Sul-brasileira de Fluxos Superficiais e Mudanças Climáticas’. A professora conta que pensa em mudar o nome do grupo para algo mais simples e que retrate o efeito estufa – já que a emissão e absorção de dois de seus gases é o que o grupo visa medir. Segundo ela, palavras como micrometeorologia ou física da atmosfera assustam e acredita que a tradução simplificada do trabalho acadêmico produzido pela universidade é essencial, pois é o que dá respaldo aos grupos que os desenvolvem. O processo de desmistificação serve também como chamariz para mais alunos participarem do projeto.

Para os estudantes é uma experiência enriquecedora, pois permite o acesso a equipamentos modernos e metodologias que estão sendo utilizadas pelo mundo. Além disso, são produzidos artigos para publicação em revistas de circulação internacional, muitas vezes resultando em premiações. Isso contribui para a formação acadêmica, inclusive para formação especializada na área, algo não muito comum no Brasil – já que são poucos grupos que  trabalham com a micrometeorologia voltada às trocas de gases no país.

 

O tema estudado pelo grupo ganha cada vez mais espaço para o debate e desperta o interesse em quem busca entender mais as consequências das emissões.  De acordo com Débora, as pessoas buscam cada vez mais entender o que são esses gases, o efeito na atmosfera e como é possível saber se algo os emite ou absorve. Outro ponto de interesse na área de estudos do grupo é a participação do bioma pampa – fundamental no ecossistema do Rio Grande do Sul e na representação do gaúcho – nessa relação; como essa cultura agropecuária  está inserida nessas emissões de gases do efeito estufa. 

No momento, o grupo está em processo de fechamento de um grande projeto relacionado a esta temática em parceria com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Além disso, está em busca de empresas que possam se beneficiar dos dados produzidos, para financiar novos projetos de pesquisa.

 

Grupo de Modelagem Atmosférica (GruMA)

O Grupo de Modelagem Atmosférica realiza a previsão numérica do tempo (PNT) e desde 2007 trabalha com a modelagem regional. Um dos modelos utilizados para isso é o Weather Research and Forecasting Model (WRF) (Modelo de Pesquisa e Previsão do Tempo), trazido dos Estados Unidos, do qual hoje fazem parte do grupo de desenvolvimento. O modelo representa o estado da arte em modelagem de fenômenos meteorológicos nas mais variadas escalas, que permite a execução de estudos de tempo e clima.

 O GruMA é coordenado por quatro professores que se dividem em diferentes áreas de atuação e formam quase todas as áreas de expertise: Franciano Puhales, que trabalha mais com fenômenos de pequena escala, micrometeorologia, bem como meteorologia sinótica aplicada; Ernani de Lima Nascimento, um dos grandes experts no brasil em tempo severo; Everson Dal Piva, é meteorologista sinótico, trabalha com fenômenos como ciclone e fenômenos de maior escala; e o professor Vagner Anabor, que trabalha com meteorologia aplicada, tempo severo, problemas associados a energia e setor elétrico.

O trabalho com modelagem atmosférica, se dá  na capacidade de resolver problemas observacionais e computacionais associados com as mais diferentes escalas. Hoje o grupo participa ativamente do desenvolvimento do modelo WRF, com a colaboração de professores da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Esse modelo permite simular fenômenos atmosféricos – de algumas centenas de metros até milhares de quilômetros – desde que se tem registros meteorológicos. Assim, é possível utilizar esses modelos atmosféricos para compreender melhor os processos naturais, com o objetivo de melhorar cada vez mais a previsão do tempo – seja modificando as equações e a parte física desses modelos, ou trabalhando com a simulação de dados e observações.

No laboratório de modelagem atmosférica são desenvolvidas atividades de previsão de tempo – seja para um cliente específico do setor privado, como o de energia, ou para a comunidade em geral. A cada trimestre, são divulgados boletins climáticos – com a previsão de clima para o período e tendência para a estação. Além disso, diariamente é feita a divulgação da previsão meteorológica na rádio da universidade (UniFM 107.9) e em algumas mídias. 

Dentre os campos de  pesquisa abordados pelo grupo, o professor Vagner destaca a previsão de fenômenos locais, como os trabalhos associados aos fenômenos de neve, índices que permitem antecipar tempestades com 2 ou 3 dias de antecedência, tempo severo, que pode colocar a vida das pessoas em risco, e também alguns estudos que permitem um melhor entendimento das dinâmicas de mudanças na cobertura do solo e culturas e como acabam afetando o clima de uma maneira geral. 

Nessa série de duas reportagens – você pode conferir a anterior aqui -, foram apresentados os grupos acadêmicos do curso de Meteorologia, lotado no Centro de Ciências Naturais e Exatas da UFSM. Em geral, esses grupos ajudam a integrar os alunos com diferentes áreas do conhecimento dentro de seu curso e de outros, no laboratório ao qual fazem parte ou nos demais, em seu próprio grupo ou além dele, seja no setor público ou privado. Na meteorologia, em especial, essa intersecção é ainda mais relevante, pois nenhum fenômeno é compreendido de forma isolada e a colaboração dos grupos é indispensável. Essa abrangência proporciona experiências, tanto no ponto de vista acadêmico quanto profissional, formando profissionais mais especializados e capacitados  para exercer sua função. 

 

Texto: Júlia Weber, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

Edição: Natália Huber, chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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