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“A Grande Pegada do CCNE”: conheça a história por trás da obra



Quem frequenta o Centro de Ciências Naturais e Exatas, provavelmente já se deparou com a ilustração de um grande pé localizado no corredor que leva à saída dos fundos do prédio. Muito mais do que um ponto de referência ou um acaso, é carregado de história, simbologia e significados, que passam uma importante mensagem.

Embora não tenha um nome estabelecido, a ‘pegada’ foi uma iniciativa idealizada pelo grupo Incorpore, desenvolvida em parceria com o setor de artes plásticas da universidade. Ele surgiu a partir da releitura de uma das campanhas do grupo, implementada em 2015. A primeira versão foi concebida em 2014 e consistia em pés pintados no chão do centro, que representavam as pegadas ambientais deixadas em cada ação praticada.

O “Incorpore: ações coletivas para o meio ambiente” surgiu a partir de um projeto de extensão da docente do CCNE, hoje aposentada, que lecionava no curso de Química Industrial, Marta Tocchetto, com o intuito de sensibilizar sobre a causa ambiental através de ações voltadas ao seu protagonismo. Como a nomenclatura indica, o principal objetivo era que as questões ligadas ao meio ambiente pudessem ser incorporadas e adotadas de forma natural:  “A transformação é isso, fazer com que as pessoas passem a refletir atitudes que já ficaram mecânicas, que fazem sem se dar conta de que poderiam fazer melhor. Esse é o verdadeiro papel que a gente procurou desempenhar no Incorpore”, declarou Marta.

A campanha “Rastros”, a qual o “Pé” faz parte, foi apenas uma das iniciativas do grupo. Ela visava a sensibilização da comunidade em relação a aspectos como a separação de resíduos e a preocupação com o meio ambiente. Através dela, foi desenvolvido um cercado onde todos os resíduos encontrados pelos integrantes, que foram descartados de forma equivocada nas proximidades, eram expostos, sejam estes do CCNE ou de outros locais da universidade pelos quais a ação passou. Na primeira edição, o “lixômetro” era composto por um coletor com uma régua e a cada semana era repassado uma medida da quantidade de lixo acumulado.

O “Pé”, trazido na segunda versão, foi desenvolvido com saco plástico preto na intenção de remeter ao material barato, visto como descartável. Após exposição junto às outras iniciativas que integravam a campanha, ele foi fixado na parede, para que pudesse ser constantemente visto e incitasse a reflexão de cada um sobre o rastro deixado por suas ações e sua responsabilidade ambiental individual no contexto coletivo. A falta de uma sinalização, que indique a origem ou razão da obra, dificulta que seu objetivo seja alcançado.

A reconfiguração da campanha, que antes era composta por pegadas marcadas no chão, se deu em função da alegação de incômodo por parte de pessoas que frequentavam o centro. Segundo Marta, o descontentamento sempre foi uma realidade enfrentada ao longo da luta pela questão ambiental, vista como um entrave. Isso fez com que ela, inclusive, recebesse críticas e taxações pejorativas ao longo da carreira como docente na UFSM – que começou em 1982 e foi até 2018, com sua aposentadoria.

A mudança constante nas pessoas que integram a universidade, e, por conseguinte, as mudanças de comportamento, exigem ações recorrentes. Marta destaca o papel da administração como modelo para os alunos e, por isso, a importância da adesão de medidas que pensem o meio ambiente em todos os âmbitos e ações desenvolvidas pela instituição – a qual ela acredita ser um ente transformador, como universidade. 

Apesar de lamentar a inconstância das ações, Marta ressalta sua paixão pela causa que representou dentro da UFSM – que espera não ter sido em vão – e sua felicidade por receber até hoje depoimentos positivos de seus alunos. Afinal, ela acredita que a docência vai muito além de ensinar: ela deve transformar os alunos, para que saiam da sala de aula melhores do que entraram.

Atualmente, o Grupo Incorpore está sendo retomado sob a coordenação da professora do Departamento de Química de Química Industrial do CCNE, Dra. Carmem Dickow, que já fazia parte da primeira configuração do projeto. 

Saiba mais sobre a campanha:

A campanha Rastros foi selecionada para fazer parte da plataforma EducaRES, criada pelo Ministério do Meio Ambiente para divulgar ações de educação ambiental espalhadas pelo Brasil, que ajudem a enfrentar os desafios na gestão de resíduos sólidos. Mesmo com um grande destaque, essa não foi a única campanha desenvolvida pelo projeto. 

Foram realizadas ações como a ‘REplanta’, que usava rolos de papel higiênico coletados para plantar mudas e distribuí-las pela universidade; o ‘Papa Bituca’, no intuito de armazenar as bitucas de cigarro para que não fossem jogadas indevidamente – já que elas contém 6 mil substâncias; as ‘Mandalas Ambientais’, feitas com materiais como metais, plásticos, vidros, papel; folhetos informativos sobre a importância da separação de resíduos; oficinas de encadernação com o uso de papéis de unidades de xerox da universidade – os cadernos produzidos eram distribuídos em eventos como a semana acadêmica; o ‘RElona’, que reaproveitava banners, utilizados na JAI, por exemplo, para confecção de sacolas e estojos – depois os banners passaram a ser de papel e com tamanho padrão, para que as hastes das extremidades pudessem ser devolvidas às gráficas e reutilizadas; entre outras. 

Todas essas ações foram desenvolvidas para o reaproveitamento de materiais que seriam descartados, baseado na visão linear de consumo. A professora defende uma visão circular em que o material, depois de feito, transformado e usado, deve voltar ao estado inicial e não apenas ser descartado. Marta alerta ainda, que depois que o impacto é gerado, apenas tenta-se minimizar e que muitas vezes, mesmo com a boa intenção, os processos de reparação podem ser piores que o descarte no estado inicial. Por isso, o consumo consciente é primordial para reduzir danos desnecessários ao planeta. Afinal, a ação ambiental não pode ser desfeita, mas pode-se corrigir a seguinte.

Texto: Júlia Weber, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

Edição: Natália Huber, chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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