
Estudantes do Centro de Tecnologia (CT) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estão tendo contato com professores, conteúdos e perspectivas acadêmicas de outro país sem sair de Santa Maria. A experiência faz parte da cooperação com a Otto-von-Guericke-Universität Magdeburg (OVGU), na Alemanha, que envolve intercâmbio de professores, oferta de disciplinas, pesquisas e iniciativas de dupla diplomação em nível de mestrado.
A parceria, fortalecida a partir de 2017, reúne diferentes atividades acadêmicas e científicas e atualmente conta com financiamento do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) para a mobilidade de professores e servidores, além de recursos destinados a materiais e ações de divulgação.
Professores da Alemanha levam novas perspectivas à sala de aula
Uma das iniciativas da cooperação é o modelo conhecido como Flying Faculty, que permite que professores das instituições parceiras ministrem disciplinas na universidade estrangeira de forma concentrada.
No primeiro semestre, os professores Leandro Michels e Humberto Pinheiro, do CT-UFSM, estiveram na Alemanha para ministrar duas disciplinas. Agora, os professores Andreas Lindemann e Nicole Gehring, da OVGU, estão em Santa Maria oferecendo disciplinas relacionadas às áreas de atuação da instituição alemã.
Para os estudantes, a experiência representa contato com conteúdos, ferramentas e formas diferentes de abordar temas relacionados às suas áreas de pesquisa. As aulas também proporcionam uma situação real de uso do inglês no ambiente acadêmico.
Doutorando em Engenharia Elétrica, Luis Felipe Pessoa Teixeira, de 26 anos, destaca que a disciplina apresentou um tópico novo para sua formação. “É um tópico muito interessante, que traz ferramentas para os nossos problemas e uma visão de outra matéria.”
Segundo ele, algumas das ferramentas apresentadas podem ser incorporadas à própria pesquisa. “Aprendi algumas ferramentas que talvez eu vá depois parar, refletir e tentar aplicar na minha pesquisa”, relata.
Para o doutorando Carlos Eduardo Weidle Simon, de 24 anos, o principal diferencial está no contato com uma perspectiva acadêmica diferente. “Trazer uma visão diferente daqui já é interessante.”
As aulas em inglês também fazem parte da experiência. “Querendo ou não, é uma boa experiência de conversação em inglês”, afirma Carlos.

Experiência pode ampliar caminhos acadêmicos
Além do conteúdo das disciplinas, a aproximação com professores e pesquisadores estrangeiros pode contribuir para a criação de novos contatos e possibilidades de colaboração.
Para Carlos, estabelecer relações com pesquisadores de outros países é parte importante dessa experiência. “É importante fazer contatos com professores que são de fora”, afirma.
A cooperação entre UFSM e OVGU também envolve pesquisas, publicações, participação e organização de eventos científicos e outras atividades acadêmicas. A parceria surgiu a partir de experiências conjuntas desenvolvidas por pesquisadores brasileiros e alemães e também resultou em experiências de dupla diplomação em nível de doutorado.
Outro desdobramento é o projeto de dupla diplomação em nível de mestrado, concebido a partir das experiências anteriores de colaboração entre pesquisadores das duas instituições. A iniciativa busca ampliar as possibilidades de formação dos estudantes e fortalecer a cooperação acadêmica entre Brasil e Alemanha.
Cooperação pode alcançar outras áreas
A estrutura de cooperação foi concebida inicialmente no âmbito da Engenharia Elétrica, mas existe a possibilidade de envolver outros programas de pós-graduação e áreas do conhecimento.
A expansão depende da construção de novas parcerias e da disponibilidade de recursos para a mobilidade de estudantes. Atualmente, o financiamento do projeto contempla a mobilidade de professores e funcionários, enquanto a mobilidade estudantil permanece como um dos desafios para os próximos anos.
A busca por recursos para ampliar essa mobilidade está entre as perspectivas da cooperação. A proposta é criar condições para que estudantes brasileiros possam realizar atividades acadêmicas na Alemanha e estudantes alemães tenham oportunidades de formação na UFSM.
A experiência já desenvolvida mostra que a internacionalização também pode acontecer dentro do próprio CT, por meio do contato com professores estrangeiros, conteúdos, métodos e perspectivas acadêmicas de diferentes contextos.
Para Luis Felipe, a experiência despertou o interesse por oportunidades de intercâmbio. Para Carlos, representa a possibilidade de conhecer “novos ares” dentro da própria formação.
Mais do que aproximar duas universidades, a cooperação cria oportunidades para que estudantes e pesquisadores ampliem seus repertórios acadêmicos e construam novas possibilidades de formação e colaboração internacional.

Texto por Lia Guerreiro, acadêmica de jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM
Fotos: Lia Guerreiro
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