Transformar projetos desenvolvidos em sala de aula em startups viáveis para o mercado, esse foi o elo impulsionado durante a Mostra de Protótipos 2026 do Centro de Tecnologia (CT) da UFSM. Realizado dia 17 de setembro, no átrio do prédio 9F, o evento reuniu 25 trabalhos que aliam o rigor técnico acadêmico à oportunidade de novos negócios. Nesta edição, os projetos selecionados receberão mentorias do Sebrae e do Sicredi para a formulação de seus modelos de mercado.
Da sala de aula ao Parque Tecnológico: a trilha de inovação
A integração entre a formação acadêmica e o ecossistema de inovação foi um dos pontos centrais destacados pelo diretor do CT, professor Maurício Sperandio. Durante o evento, a Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (PROINOVA) apresentou aos estudantes a jornada empreendedora dentro da universidade, englobando desde a pré-incubação até a inserção no Parque de Inovação, Ciência e Tecnologia da UFSM (InovaTec).
A viabilidade dessa jornada foi exemplificada pelo depoimento do empreendedor Filipe Carlotto, que compartilhou a trajetória da FOX IoT. A empresa nasceu como uma ideia em uma sala de aula do CT e percorreu todas as etapas do ecossistema: da incubadora Pulsar ao Inovatec. Conectando a produção acadêmica ao ecossistema regional, o professor Luciano Schuch destacou o papel de eventos como o Santa Summit, apontando-o como um canal decisivo para a integração entre as soluções geradas na universidade e as demandas da sociedade.
Logística social contra a fome e o abandono estudantil
Entre os protótipos focados em impacto social e permanência universitária está o MealWise, criado pelos acadêmicos de Engenharia de Computação Sidney de Jesus Monteiro Junior, Matheus Carvalho de Miranda e Luíse Baldoni de Oliveira. A plataforma propõe comercializar, a preços reduzidos, alimentos próximos do vencimento em mercados, estruturando uma rede de entregas operada por estudantes da UFSM em horários flexíveis.
A motivação surgiu da experiência de Sidney aliada à realidade de colegas do CT que precisaram trancar o curso por dificuldades financeiras. “Então foi com base nisso que a gente decidiu juntar esses dois problemas”, explica Sidney. O grupo já valida a proposta junto a estabelecimentos do campus e comerciais da cidade.


Inovação para centralizar bolsas e comunicação acadêmica
A pulverização de informações sobre auxílios e editais motivou o estudante Fernando Dorneles da Silva a projetar o Academic Companion, plataforma EdTech com inteligência artificial para gestão da trajetória acadêmica. “Atualmente, esse tipo de informação pode chegar por e-mail, WhatsApp, Instagram e sites institucionais, aumentando a possibilidade de que oportunidades não sejam encontradas pelos estudantes”, aponta Fernando, justificando a criação do ambiente unificado.
Complementando a comunicação no campus, o projeto Murais Digitais, desenvolvido na Engenharia de Computação, utiliza telas inteligentes nos prédios da UFSM. Integrado à infraestrutura da universidade e com protótipo criado em apenas uma semana, o sistema exibe avisos segmentados com leitura via QR Code.
Sistemas embarcados, drones e mobilidade elétrica
A aplicação prática de hardware e automação ganhou destaque em soluções para transportes e veículos aéreos. O acadêmico de Engenharia de Computação João Vitor Schmitt desenvolveu a JVS Ground Station, estação de controle multiprotocolo para Veículos Aéreos Não Tripulados (Drones) equipada com tecnologia hot swap, que permite a troca de baterias em operação sem desligar o equipamento.
Na área de mobilidade sustentável, o estudante de Engenharia Elétrica João Vitor Reser da Silva projetou um módulo de controle de motor para bicicletas elétricas no âmbito da disciplina Projeto Integrador III. Após oito meses de desenvolvimento e testes de bancada, o sistema foi validado. “Os objetivos estabelecidos inicialmente para o projeto foram concluídos”, afirma o estudante.
Pluralidade técnica e expansão da Mostra
A Mostra do CT apresentou ainda um amplo leque de tecnologias de alta complexidade. Na área aeroespacial e de telecomunicações, destacaram-se simulações de motores de foguete, nanossatélites do tipo CanSat, robótica móvel, veículos da Fórmula SAE e antenas para tecnologia 5G. Na engenharia biomédica e assistiva, sobressaíram-se próteses personalizadas em impressão 3D, luvas robóticas para reabilitação motora pós-AVC e bengalas inteligentes com sensores ultrassônicos.
A expansão da Mostra em 2026, que migrou do prédio 7 para o átrio do prédio 9F e incorporou TCCs, projetos integradores e iniciativas individuais, reflete a consolidação da metodologia CDIO (Conceber, Projetar, Implementar e Operar) na formação acadêmica do CT. O avanço demonstra a maturidade do Centro de Tecnologia em alinhar a inovação de ensino ao desenvolvimento de protótipos funcionais, unindo valor social, aplicação prática e potencial de mercado.
Texto e fotos por Lia Guerreiro, acadêmica de jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM. | Acesse os serviços de Comunicação do CT-UFSM | Siga o CT nas redes sociais: Instagram e LinkedIn