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Pesquisadores do CT identificam tecnologias que devem impulsionar a transição energética

Durante a Intersolar Europe 2026, na Alemanha, professor e doutorando da UFSM acompanharam soluções que integram geração solar, armazenamento de energia e mobilidade elétrica e apontam caminhos para o desenvolvimento do setor no Brasil



O futuro da energia renovável passa cada vez menos pela geração de eletricidade de forma isolada e cada vez mais pela integração entre diferentes tecnologias. Essa foi a principal percepção do professor do Departamento de Processamento de Energia Elétrica (DPEE), Leandro Michels, e do doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGEE), Anderson Severo, do Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (CT-UFSM), durante a participação na Intersolar Europe, realizada de 23 a 25 de junho de 2026, em Munique, na Alemanha.

Considerada uma das principais feiras e congressos mundiais do setor, a Intersolar reúne especialistas, pesquisadores e empresas para apresentar tecnologias que devem orientar os próximos anos da transição energética. Ao reunir fabricantes de equipamentos fotovoltaicos, sistemas de armazenamento, mobilidade elétrica e eletrônica de potência, a feira também permite identificar quais tecnologias chegam ao mercado e quais demandas passam a orientar o desenvolvimento da indústria. Ao longo do evento, os pesquisadores acompanharam apresentações técnicas e conheceram soluções já consolidadas em mercados como Europa, Estados Unidos e China. Para Michels, “a visita permite visualizar as tecnologias que outros países já vêm desenvolvendo e identificar quais delas devem se tornar realidade também no Brasil.”
 

O professor Leandro Michels e o doutorando Anderson Severo posam em frente à entrada da Intersolar Europe 2026, em Munique, na Alemanha. Ao fundo aparecem o acesso ao evento e visitantes circulando pelo local.
O professor Leandro Michels e o doutorando Anderson Severo participaram da Intersolar Europe 2026, em Munique, onde acompanharam tecnologias que devem influenciar o desenvolvimento da transição energética no Brasil.

Armazenamento deixa de ser complemento e passa a ser protagonista

Entre as principais mudanças observadas pelos pesquisadores está o papel cada vez mais central do armazenamento de energia. Em mercados onde a geração distribuída já é amplamente difundida, baterias deixam de ser um complemento e passam a integrar os sistemas fotovoltaicos desde a concepção. Segundo Severo, essa integração apareceu de forma recorrente nos estandes da feira: “As empresas estão apresentando sistemas com baterias e inversores híbridos porque, em mercados mais desenvolvidos, já não faz sentido pensar em energia solar sem considerar o armazenamento.”

Por sua vez, entre as tecnologias em maior evidência estão os sistemas de armazenamento por baterias (Battery Energy Storage Systems — BESS), capazes de armazenar energia produzida em momentos de excedente e disponibilizá-la quando a demanda aumenta. A mesma percepção chamou a atenção de Michels: “O que mais me surpreendeu foi a grande atenção dada aos sistemas de armazenamento. Hoje praticamente não há aplicações de sistemas fotovoltaicos sem baterias.”

Painéis passam a fazer parte das próprias construções

Outra tendência observada foi a expansão dos sistemas fotovoltaicos integrados às edificações. Em vez de instalar módulos apenas sobre os telhados, fabricantes apresentaram soluções incorporadas à própria arquitetura, como fachadas, telhas, paredes e até muros capazes de gerar eletricidade. “O que achei mais interessante foram os equipamentos integrados às construções. Vi telhados, paredes e muros com painéis fotovoltaicos gerando energia em locais que não são muito comuns”, comenta Severo.

Conhecida internacionalmente como integração fotovoltaica em edificações (Building-Integrated Photovoltaics – BIPV), essa abordagem amplia as possibilidades de geração distribuída, aproveita melhor os espaços urbanos e aproxima a produção de energia do ambiente construído.

Mobilidade elétrica amplia a integração do sistema

No terceiro dia da feira, Severo concentrou a visita nas soluções voltadas à mobilidade elétrica. Entre as soluções apresentadas, ele destaca eletropostos capazes de operar de forma isolada da rede elétrica, alimentados por energia solar e sistemas de armazenamento em baterias. Também chamaram atenção carregadores ultrarrápidos, com potência de até 1 MW. “O que mais vi foi a possibilidade de gerar energia, armazená-la e depois utilizá-la para carregar veículos elétricos. Essa integração apareceu em praticamente todas as soluções apresentadas”, pontua.

Michels também destacou o avanço das tecnologias Vehicle-to-Grid (V2G), que permitem utilizar as baterias dos veículos elétricos para fornecer energia à rede quando os automóveis estão estacionados. “Eu imaginava que essa ainda fosse uma tecnologia mais acadêmica, distante do mercado. Mas fiquei impressionado com o grau de desenvolvimento”, reconhece.

Tendências que antecipam o futuro do setor

A feira também evidenciou uma transformação na forma como o setor energético vem sendo estruturado. Geração solar, armazenamento de energia e mobilidade elétrica deixam de evoluir como áreas independentes e passam a compor um ecossistema integrado, capaz de aumentar a flexibilidade do sistema elétrico e ampliar o aproveitamento das fontes renováveis.

Para os pesquisadores do Centro de Tecnologia da UFSM, acompanhar essas transformações permite direcionar pesquisas para as tecnologias que devem ganhar espaço nos próximos anos. A aproximação com fabricantes, pesquisadores e empresas também contribui para orientar projetos de inovação e futuras colaborações internacionais.

Professor Leandro Michels faz uma selfie em um auditório da Intersolar Europe 2026, em Munique, na Alemanha. Ao fundo, há um palco com telão de uma sessão técnica e participantes ocupando parte da plateia.
O professor Leandro Michels em palestras e sessões técnicas da Intersolar Europe 2026, onde especialistas e empresas apresentaram tendências em armazenamento de energia, geração fotovoltaica e mobilidade elétrica.

Pesquisa e inovação no CT-UFSM

O Instituto de Energia e Mobilidade (IEM), órgão suplementar do Centro de Tecnologia da UFSM, desenvolve pesquisas e projetos de inovação nas áreas de recursos energéticos distribuídos, armazenamento de energia, redes inteligentes e mobilidade elétrica. As pesquisas desenvolvidas por Michels e Severo integram esse conjunto de atividades, que reúne pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação e mantém parcerias com empresas e instituições nacionais e internacionais.

Empresas, pesquisadores e estudantes interessados em conhecer os projetos desenvolvidos pelo IEM ou estabelecer parcerias com o Centro de Tecnologia podem obter mais informações por meio dos canais institucionais do CT-UFSM e do Instituto de Energia e Mobilidade.


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