Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para a busca Ir para o rodapé
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área restrita
Início do conteúdo

Novas marcas dos projetos Geoparque Quarta Colônia Geoparque Caçapava representam características marcantes dos territórios



“Parece que estou em um filme de fantasia. Em nenhum outro lugar vi tantos tons de verde”, disse a professora de design da Universidade de Florença, Francesca Tozzi, em uma visita à Quarta Colônia. A referência aos tons de verde ecoou na mente da professora do curso de Desenho Industrial Marilaine Pozzatti Amadori, que foi orientanda de doutorado de Francesca e guia turística da visita pela região. Marilaine, então, decidiu que precisava representá-los na marca que estava desenvolvendo para o projeto Geoparque Quarta Colônia. O resultado final pôde ser conferido em primeira mão na noite de segunda-feira (29/07) durante o 34º Festival de Inverno da UFSM e 34ª Semana Cultural Italiana, em Vale Vêneto. A cerimônia de lançamento contou com a presença do reitor da UFSM, Paulo Afonso Burmann, do vice-presidente do Consórcio para o Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus), Clovis Montagner, e alunos e professores responsáveis pela criação da marca e do vídeo institucional do projeto.

            A marca foi desenvolvida pela professora Marilaine Amadori e pela acadêmica Micheli Grigolo com o apoio dos professores André Dalmaso e Marcos Brod Jr. Em tons de verde azulados estão representados os morros e montanhas característicos da região e sobre um tom terroso, também característico do solo do território, está a silhueta do dinossauro Macrocollun itaquii, do qual foram encontrados fósseis na Quarta Colônia. As fontes utilizadas apresentam um tipo mais tradicional, justamente para remeter às tradições culturais dos imigrantes. A riqueza de aspectos culturais em um território tão vasto como a Quarta Colônia dificultaram um pouco o processo de criação, já que além do patrimônio geológico existem inúmeras heranças culturais que complementam esse cenário singular e que merecem destaque. Por isso, foram quase quarenta esboços diferentes para chegar ao resultado final e um processo de pesquisa que levou em conta até mesmo um questionário sobre as características que deveriam estar representadas na marca.

            As montanhas e os dinossauros, que apresentam um imenso valor científico mundial, foram as respostas mais votadas e, portanto, centrais para o desenvolvimento da marca. Para a professora Marilaine essa lógica é condizente com o conceito de geoparque, que engloba e valoriza a riqueza cultural de territórios que possuam heranças geopatrimoniais com relevância mundial. “O que diferencia um geoparque de outros monumentos e bens naturais e culturais é o fato de se fundar sob uma singularidade, sob algo que é único no mundo. Então, o mais importante é que esse geopatrimônio característico do local esteja em destaque, o que também percebemos que acontece em marcas de outros geoparques”, explica a professora Marilaine.

            A dupla também foi responsável pelo desenvolvimento da marca do projeto Geoparque Caçapava, que já estava em uso desde o primeiro semestre do ano. Segundo as criadoras, apesar de também terem feito uma pesquisa de campo, indispensável para o processo criativo, o desenvolvimento foi mais rápido. Isso porque, além do Geoparque Caçapava abranger apenas um município o principal patrimônio sob o qual se funda: as formações rochosas das guaritas, já são reconhecidas e consolidadas como grande geopatrimônio de Caçapava do Sul. Assim, a marca traz a silhueta das guaritas em uma cor que foge do tradicional verde ligado ao ambiente e aposta num tom contemporâneo. A tonalidade, que já havia sido utilizada anteriormente em materiais do Geodia – evento anual de popularização da geologia que é organizado em parceria por UFSM e Unipampa – contribui para a identificação da marca e, segundo as criadoras, a valoriza por ser mais viva e alegre, o que também acontece com a fonte, que apresenta um aspecto mais arrojado.

            De acordo com a professora, elaborar uma identidade visual para um geoparque, demanda estudar as especificidades do local, de forma muito semelhante ao que acontece nos estudos de design e território. Para ambos processos de criação, além pesquisas de campo, com visitas aos locais e levantamentos fotográficos, também foi necessário um estudo sobre as marcas de outros geoparques, incluindo aqueles que já são reconhecidos pela Unesco e os que estão pleiteando esse reconhecimento. Algumas das regularidades percebidas nas marcas, como a utilização de fontes distintas, e mesmo alguns traços bem diferentes, como a utilização de formas geométricas ou de figuras mais abstratas, serviram de inspiração para o desenvolvimento dos produtos.

            Para Micheli, que já está concluindo o curso, o mais importante desse trabalho foi todo o conhecimento que pôde adquirir, não só na sua área de atuação como sobre outros aspectos, já que a multidisciplinaridade do design faz com que o profissional precise entender de outras áreas para fazer um trabalho coeso. “Com toda a pesquisa para a formulação da marca acabamos reconhecendo o espaço em que vivemos e percebemos que os cenários bonitos e com características diferentes também estão aqui, perto de nós, embora estejamos acostumados a vê-los como comuns”,  conta a estudante.

            O reconhecimento e o “olhar com outros olhos” para um território familiar também foi mencionado pela professora, que ainda destacou a importante relação entre design e educação. “A ideia de geoparque é bastante nova na região e o design auxilia no processo de educação sobre ela. Falar da marca e mostrá-la também é um processo educativo e é sempre um prazer participar de trabalhos que trazem reflexos para a universidade e para comunidade”, acrescenta.

 

Vídeo Institucional

             Durante a cerimônia de lançamento, também foi apresentado o vídeo institucional do projeto Geoparque Quarta Colônia. Resultado de um trabalho desenvolvido durante o primeiro semestre deste ano, o vídeo foi produzido pelos alunos curso de Comunicação Social – Habilitação em Produção Editorial, Amanda Oliveira, Antônia Haag, João Bevilaqua, Luizi Jovasque e Rodrigo Santini, sob orientação da professora Aline Dalmolin na disciplina de Produção Audiovisual. As cenas do vídeo de cerca de três minutos apresentam as belas paisagens e riquezas patrimoniais da Quarta Colônia e deixam o espectador com vontade de conhecer cada um dos locais registrados. A turma também trabalhou na elaboração de um vídeo institucional do Geoparque Caçapava, ainda não lançado.

Institucionalmente, o Projeto Geoparque é vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da UFSM.

 

 

 

 

Elise Souza
Bolsista de jornalismo – MTB 18.433



Publicações Recentes