A comunidade das Minas do Camaquã e das Guaritas recebeu, na noite de 16 de setembro, uma edição especial do Encontro com o Geoparque Caçapava. Realizada no CTG Ronda Crioula, nas Minas do Camaquã, em Caçapava do Sul, a atividade integrou a programação da Ronda da Escola Gladi Machado e reuniu aproximadamente 130 pessoas.
Promovido pela Subdivisão de Geoparque, vinculada à CODER/PRE, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o encontro teve como principal objetivo aproximar a comunidade das ações desenvolvidas pelo Geoparque Caçapava e apresentar, de maneira acessível e informal, o conceito de geoparque e a importância do território de Caçapava do Sul no contexto dos Geoparques Mundiais da UNESCO.
A proposta do encontro foi levar o tema para além dos espaços acadêmicos e institucionais, criando um momento de conversa diretamente com a comunidade. A iniciativa buscou mostrar que um geoparque não se resume às características geológicas de um território, mas envolve também a valorização da história, da cultura, da educação, das paisagens, das comunidades e das diferentes formas de relação estabelecidas entre as pessoas e o lugar onde vivem.
Participação dos estudantes
Um dos momentos de destaque da programação foi a participação dos estudantes da Escola Gladi Machado, que integram o projeto de podcast Vento Xucro. Em vez de uma apresentação tradicional, os alunos conduziram uma série de entrevistas com representantes de instituições relacionadas ao Geoparque Caçapava.
A dinâmica permitiu que os próprios estudantes assumissem o papel de entrevistadores e conduzissem a conversa a partir de perguntas relacionadas ao Geoparque, ao território e à importância de reconhecer e valorizar o patrimônio local. Foram entrevistadas Patricia Freitas, da Subdivisão de Geoparque; Renata Miranda, administradora da Unipampa – Campus Caçapava do Sul; e Alizandra da Silva, coordenadora do Geoparque Caçapava.
O projeto Vento Xucro, desenvolvido pelos estudantes, também representa uma possibilidade de utilizar ferramentas de comunicação para registrar e divulgar conhecimentos, histórias e experiências da comunidade. Ao abordar o Geoparque por meio do podcast e das entrevistas, os alunos contribuíram para ampliar a circulação dessas informações entre diferentes públicos.
Minas do Camaquã – Patrimônio do território
Durante o encontro, as Minas do Camaquã foram apresentadas como um dos locais de destaque dentro do território do Geoparque Caçapava. A região possui uma forte relação com a história do município e reúne elementos que permitem compreender diferentes aspectos da formação e da ocupação do território.
O local também representa a conexão entre patrimônio geológico, história, cultura e memória da comunidade. As marcas deixadas pela atividade de mineração fazem parte da identidade das Minas do Camaquã e ajudam a contar uma parcela importante da trajetória de Caçapava do Sul.
A abordagem do Geoparque busca justamente ampliar esse olhar sobre o território. Ao reconhecer os diferentes patrimônios existentes em uma determinada região, é possível compreender como os elementos naturais e a presença humana se relacionam ao longo do tempo.
Geoparque e comunidade
A aproximação com as comunidades é considerada uma das dimensões fundamentais do trabalho desenvolvido em um geoparque. Para a equipe do Geoparque Caçapava, esse processo precisa ocorrer de maneira contínua, por meio de atividades que dialoguem com diferentes públicos e estejam presentes em espaços frequentados pela comunidade.
O encontro realizado nas Minas do Camaquã seguiu justamente essa proposta. Ao integrar a programação de uma atividade tradicional da comunidade e utilizar uma linguagem informal, a ação possibilitou que o tema fosse apresentado em um ambiente de convivência, aproximando o Geoparque das pessoas.
Presença de autoridades e representantes de instituições
O encontro contou com a presença do prefeito de Caçapava do Sul, Marcelo Spode, que prestigiou a atividade. Também participaram a primeira-dama Cristina Spode, o secretário de Gestão, Dilvane Loreto Jaime, a subprefeita das Minas do Camaquã, Vitória Godinho, a secretária adjunta de Inovação, Cultura e Turismo, Ana Márcia Marques, o coordenador do Tradicionalismo Municipal, Lucas Marques, e a presidente da Comissão dos Festejos Farroupilhas, Edila Fonseca.
Também estiveram presentes representantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), da Escola Gladi Machado, do CTG Ronda Crioula, de entidades tradicionalistas e da comunidade local.
Informação, participação e pertencimento
Além das entrevistas e das conversas sobre o Geoparque, a programação contou com um sorteio de brindes que movimentou o público e contribuiu para tornar o encontro ainda mais participativo.
A atividade foi construída a partir de uma perspectiva de diálogo com a comunidade. Assim, a proposta não foi apenas transmitir informações, mas criar um espaço para que os participantes conhecessem melhor o Geoparque e compreendessem como o reconhecimento do território pode contribuir para sua valorização.
A sensibilização da comunidade é um processo permanente. Por isso, atividades como o Encontro com o Geoparque Caçapava representam oportunidades para fortalecer o vínculo entre a população e o território, estimulando o reconhecimento dos patrimônios existentes e a participação das comunidades nas ações desenvolvidas.
Educação como ferramenta de valorização do território
A participação da Escola Gladi Machado teve papel importante na realização da atividade. A parceria demonstra como as escolas podem atuar como espaços de construção e disseminação de conhecimentos sobre o território.
O envolvimento dos estudantes no projeto Vento Xucro mostrou ainda que a comunicação pode ser utilizada como ferramenta de educação patrimonial e de valorização da identidade local. Ao pesquisar, formular perguntas, entrevistar e compartilhar informações, os alunos tornam-se participantes ativos do processo de construção do conhecimento. Essa aproximação entre educação e Geoparque possibilita trabalhar conteúdos relacionados à geologia e ao meio ambiente de forma integrada a aspectos históricos e culturais presentes na vida da comunidade.
A atividade encerrou a noite com uma mensagem central do trabalho do Geoparque: conhecer o território é também uma forma de valorizá-lo. E, nesse processo, a participação da comunidade, das escolas, das instituições e das diferentes organizações locais é fundamental para construir, coletivamente, novas formas de reconhecer, preservar e divulgar as riquezas de Caçapava do Sul.











Texto: Laura Severo, bolsista de jornalismo da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).
Revisão: Esther Costa Faria, bolsista de Letras – Português da Subdivisão de Divulgação e Editoração (PRE/UFSM).