Em 30 de janeiro de 2013, a revista Journal of Bone e Joint aceitou o artigo An Atypical Equivalent Type II Monteggia Fracture dos então estudantes de Medicina da UFSM, e agora médicos formados: Tiango Aguiar Ribeiro, Fabiano Zappe Pinho, Douglas Zaione Nascimento, Liliane Bellenzier e Vinícius André Guerra.
O artigo trata de um comportamento fora do normal de Fraturas de Monteggia. A fratura de Monteggia é uma fratura da ulna com um deslocamento anormal da cabeça do radio (esse deslocamento é denominado como luxação). A ulna e o radio são ossos do antebraço.
Em junho de 2011, uma criança de oito anos, que estava brincando, caiu de uma certa altura, e machucou na região do cotovelo. Duas horas depois do ocorrido, a criança apresentava muita dor na região do cotovelo e não podia movê-lo. Os médicos apontaram uma fratura da ulna e uma fratura da cabeça do radio sem ferimento do punho, similar ao de uma Fratura de Monteggia.
Por isso, o caso é descrito como uma lesão variável e equivalente da Fratura de Monteggia. As fraturas equivalentes são consideradas, quando têm o mesmo mecanismo da lesão de Monteggia, ou a mesma similaridade radiográfica, ou mesmo comportamento na hora de necessitar de tratamento.
Na maioria das vezes em que essa lesão acontece, a situação pode ser mais grave para o indivíduo: ele pode apresentar sequelas, tanto na deformidade do membro, quanto na parte dos nervos que o antebraço possui. Dependendo do risco da lesão, ela pode atingir um nervo do cotovelo, o que causa uma sequela temporária ou até definitiva no movimento do membro e na sensibilidade do nervo, ocorrendo uma perda da movimentação do braço do lesionado.
Desde o começo de sua graduação, o médico e autor do artigo, Tiango Aguiar Ribeiro interessou-se pela parte de Ortopedia na Medicina. Segundo ele, casos excepcionais trazem um aprendizado distinto: “A gente foi estudar se existia uma classificação para lesão atípica, porque sempre quando acontece algo atípico, é bom ir para o livro para aprender mais com aquele caso único, que é de baixa incidência”.
Um ano depois, em junho de 2012, a criança estava saudável, exercendo as atividades da vida diária sem nenhuma sequela de deformidade ou perda de movimento. O braço ficou perfeito para voltar à ativa.
Com a repercussão que o caso recebeu e a preocupação dos médicos com o paciente, eles pensaram que o caso poderia ser relatado para posteridade. Para a preparação do artigo, os médicos investigaram se o comportamento atípico já havia ocorrido anteriormente. Na revisão da literatura, eles acharam o relato de um caso com uma descrição bastante similar ao que aconteceu com a criança. Com a autorização dos pais da criança para poder ser feita a publicação, os médicos mandaram o artigo para a equipe do The Journal Of Bone And Joint Surgery em setembro do ano passado.
O artigo abre uma discussão sobre um diferente comportamento de uma fratura, a qual pode até ser considerada perigosa, pois devido à proximidade dos ossos com o sistema nervoso periférico pode apresentar sequelas, tanto quanto de deformidade, quanto de questões funcionais.
Foto: Leonardo Cortes – Acadêmico de Jornalismo.
Repórter: Leonardo Cortes – Acadêmico de Jornalismo.
Edição: Lucas Durr Missau.
