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Memória Chilena: programa da Rádio Universidade relembra ditadura no Chile



No dia 11 de setembro de 1973, o então presidente do Chile, Salvador Allende, foi deposto pelos militares e foi instaurada uma ditadura no país por mais de 16 anos. Para relembrar o golpe e o período de várias ditaduras na América Latina, a Rádio Universidade transmite, nessa semana, o programa Memória Chilena: Os 40 anos do Golpe Militar, das 13h30min às 14h, todos os dias, até sexta-feira (10).

O programa tem produção e apresentação do acadêmico de Jornalismo da UFSM, Bernardo Zamperetti, auxílio de produção de Milton Oliveira e montagem e sonoplastia de Jordan Junges. Conta com depoimentos dos professores de História da UFSM, Vitor Biasoli e Diorge Konrad, do professor de Ciências Sociais da UFSM, Reginaldo Perez e do jornalista formado pela UFSM, Maurício Brum.

A criação do programa e desenvolvimento do projeto foi uma iniciativa pessoal de Bernardo Zamperetti, que viu a data histórica como um gancho para produzir algo do seu interesse:

– Esse foi um momento vivido pelo nosso continente, durante os anos 60 e 70, de muitas ditaduras militares, em que houve desrespeito e atrocidades cometidas contra os direitos humanos, além de vários crimes de lesa-humanidade, e isso não pode ser esquecido – conta o acadêmico de jornalismo.

Memória Chilena: Os 40 anos do Golpe Militar – Contextualização da América Latina

O primeiro programa buscou contextualizar a América Latina e as ditaduras implantadas no continente durante os anos 60 e 70. Iniciou com um apanhado histórico do final da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria e suas consequências na América Latina, que se intensificou com a Revolução Cubana.

– Se tem uma ideia, na América Latina, de que a Revolução Cubana provoca um impacto muito grande e uma virada. Em 1959, quando os guerrilheiros saem vitoriosos e começam o seu projeto de reformas, até que eles oficialmente se declaram socialistas, em 1961, esses acontecimentos, a chamada Revolução Cubana, vira história na América Latina. Costuma-se dizer que é quando a Guerra Fria se torna mais presente – destaca o professor de História da UFSM, Vitor Biasoli, em trecho do programa de estreia.

Em seguida, o programa abordou a ditadura militar brasileira, instaurada em 1964, que foi a primeira das ditaduras da América do Sul. A ditadura militar brasileira depôs o presidente João Goulart, que era visto como uma ameaça comunista, devido às reformas de base previstas em seu plano de governo. Após o golpe, Humberto Castelo Branco assumiu o posto de presidente brasileiro, que deu início a uma sequência de governantes militares, composta por Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo.

– Primeiro um elogio tecnológico à ditadura, aos militares civis brasileiros, ela foi sofisticadíssima, teve uma operação política-social-econômica sofisticadíssima, muito elaborada, e conseguiu alterar o nosso padrão histórico, conseguiu produzir uma inflexão na nossa história político-social de grande envergadura. Eu acho que ainda não temos condições de avaliar as consequências disso – analisa o professor de Ciências Sociais da UFSM, Reginaldo Perez.

O Brasil foi o primeiro de uma série de golpes militares na América do Sul, que seguiu com o Uruguai, a Argentina e o Chile. Segundo o professor Reginaldo Perez, várias pessoas perderam suas vidas por essas questões políticas, perto de 100 pessoas no Uruguai, de 400 a 500 pessoas no Brasil, 3 mil pessoas no Chie e 30 mil na Argentina. Esses números são imprecisos, não são oficialmente contabilizados. As ditaduras não foram frutos apenas dos militares, também tiveram intervenção das camadas com maior poder financeiro da sociedade, como conta o professor de História da UFSM, Diorge Konrad:

– O Brasil que foi laboratório a partir de 64, instaura uma ditadura que não pode ser vista apenas nos militares. Os militares foram o governo, mas a estrutura de poder é muito mais ampla que os militares. Os golpes foram dados a serviço de interesses muito mais profundos que apenas do descontentamento de grupos militares. A minha explicação é que os militares foram os instrumentos principais do golpe, mas eles não são a essência do governo e para isso a gente vai ter que se reportar num período da chamada Guerra Fria, que foi importante no século XX, mas que pode subliminar também um pouco da compreensão que a gente tem sobre isso, onde os interesses, sobretudo após a Revolução Cubana, dos grandes grupos multinacionais, sejam de empresas ou de bancos que tinham no mercado latino-americano interesses profundos do ponto de vista econômico, sentiram-se ameaçados. 

O apoio dos Estados Unidos foi um fato comum em todas as ditaduras da América do Sul nas décadas de 1960 e 1970. Esse apoio se deu de diferentes formas, como financeiro, bélico, de inteligência e, até mesmo, de aprimoramento dos modos de repressão e tortura, tudo para evitar a ameaça do comunismo. Porém, o professor Reginaldo Perez, credita a iniciativa dos golpes, acima de tudo, às elites nacionais.

Até 11 de setembro de 1973, o Chile, a Colômbia e a Venezuela eram os três únicos países da América Latina que ainda não haviam sofrido golpe de estado. Nessa data, o Chile deixou de integrar esse grupo e viveu uma ditadura até 1990.

O programa desta terça-feira (10) tratará do governo do presidente chileno deposto pelas forças armadas, Salvador Allende. O programa vai ao ar até sexta-feira e ainda abordará os seguintes temas: o golpe, o governo dos militares e o Chile pós-ditadura.

Para ouvir programa exibido na segunda-feira (9) ou fazer o download, CLIQUE AQUI

Foto: Ítalo Padilha. 

Repórter: Jonas Migotto – Acadêmico de Jornalismo.

Edição: Lucas Durr Missau. 

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