Ir para o conteúdo UFSM Ir para o menu UFSM Ir para a busca no portal Ir para o rodapé UFSM
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Um mapa da fauna no Rio Grande do Sul



Uma ideia surgida a partir do Mestrado em Biodiversidade Animal da UFSM resultou em uma obra que passa a ser referência sobre a fauna gaúcha. “Mamíferos do Rio Grande do Sul” aborda todas as ordens de mamíferos, inclusive as marinhas, encontradas no Estado. São mais de 160 espécies detalhadas na obra organizada por Marcelo de Moraes Weber, Cassiano Roman – egressos do Mestrado em Biodiversidade Animal – e pelo professor da UFSM Nilton Carlos Cáceres. O livro, que foi lançado pela Editora UFSM, pode ser adquirido na Livraria UFSM, localizada no centro comercial do campus de Santa Maria, e também na página da editora na internet: editoraufsm.com.br.
 
Nesta entrevista, dois dos organizadores, Marcelo e Cassiano, falam sobre o processo de produção e a importância da obra.
 
Em que consiste “Mamíferos do Rio Grande do Sul”?
Marcelo Weber – O livro consiste em compilar o máximo de informação possível sobre as espécies de mamíferos que existem em território gaúcho, como por exemplo, dados de onde essas espécies são encontradas no Rio Grande do Sul, quais os seus hábitos, do que se alimentam e as principais ameaças que podem colocar essas espécies em risco de extinção.
 
Como surgiu a ideia do livro e como foi o trabalho de elaboração?
Marcelo Weber – A ideia desse livro surgiu na metade de 2009, após o Cassiano e eu termos terminado o mestrado em Biodiversidade Animal na UFSM, sob orientação do professor Nilton Cáceres. Nós sabíamos que só existia um livro que falava sobre os mamíferos do RS e a última edição dele datava de 1994. Desde 1994, o conhecimento sobre a fauna do RS, em geral, aumentou bastante, inclusive a descoberta de novas espécies no Rio Grande do Sul. Cassiano e eu decidimos então fazer uma obra que atualizasse o conhecimento que já existia, mas também que incluísse novas informações, como por exemplo, mapas de distribuição mostrando as localidades onde cada uma das 165 espécies de mamíferos ocorre no RS. Fomos “vender” a ideia ao Nilton e ele aceitou na hora. Após isso, fizemos uma seleção dos pesquisadores, preferencialmente os que atuam no RS e que são especialistas em cada grupo e os convidamos para escreverem um capítulo referente a sua especialidade.
 
A proposta inicial da obra era mais restrita. Por que houve a ampliação, abrangendo todo o Estado?
Cassiano Roman – Essa obra nasceu de um pequeno projeto que pretendia listar os mamíferos que ocorriam no Morro do Elefante, uma área localizada nas proximidades da UFSM, onde integrantes do Laboratório de Aves e Mamíferos do curso de Ciências Biológicas realizavam pesquisas. Posteriormente, pensou-se em listar os mamíferos de Santa Maria, porém, como o trabalho para concretizá-lo seria bastante grande, resolvemos partir para algo maior e que atingisse um grande público. Pensamos que a última grande obra produzida no Estado havia sido de Flávio Silva, no início da década de 1980 – aliás, Flávio Silva, para nossa honra, também participa do livro –, e que ela poderia ser enriquecida com mais informações e dados obtidos nestes últimos 30 anos. Produzimos um esboço do livro e convidamos os diversos pesquisadores de referência do Estado. Os convites foram prontamente aceitos e desde então foram horas, dias, semanas, meses, totalizando sete anos entre todo este processo. 
 
Qual a importância da obra para o meio científico?
Marcelo Weber – Livros que compilem informações sobre ecologia, distribuição e identificação de espécies sempre são bem-vindos no meio científico. Eles permitem que o leitor acesse diversas informações em uma única fonte. Nesse sentido, o livro atualiza e amplia o conhecimento das espécies de mamíferos que ocorrem no RS. Mesmo se tratando de um livro focado na fauna de um único estado brasileiro, ele pode ser consultado por pesquisadores de outros estados e países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai, já que diversas espécies encontradas aqui também são encontradas nesses países e em outros estados brasileiros. Esperamos que agora possamos contribuir para o fortalecimento do conhecimento biológico dessas espécies no Rio Grande do Sul e aumentar o número de pessoas que se interessem pela ecologia e preservação desses animais. Um dos principais dados para a preservação das espécies é saber exatamente onde elas ocorrem. Nesse sentido, o livro tem grande importância por apresentar esse tipo de dado, que pode auxiliar os biólogos na conservação das populações de espécies ameaçadas, como o lobo-guará e todas as espécies de veados que ocorrem no estado.
 
Este trabalho também tem um caráter de pioneirismo, já que atualiza e amplia informações?
Marcelo Weber – A única publicação semelhante é o livro “Mamíferos Silvestres – Rio Grande do Sul”, publicado pelo Flavio Silva em 1984 (a segunda edição data de 1994). O tipo de informação que consta nos dois livros é semelhante, porém, o nosso aborda quase todas as espécies com ocorrência confirmada no RS e as informações são atualizadas. O formato como um todo é inédito no Brasil. Até onde nós sabemos, não existe nenhum livro publicado por pesquisadores brasileiros que apresente mapas com as localidades onde as espécies já foram encontradas e com um apêndice indicando exatamente onde são essas localidades através de coordenadas geográficas. Os capítulos foram escritos por pesquisadores reconhecidamente referências em seus grupos de atuação, ou seja, os autores/pesquisadores atuam diretamente com as espécies que foram descritas na obra e isso permite que detalhes de morfologia, comportamento, ecologia e distribuição geográfica fossem incorporadas e comentadas ao longo dos capítulos.
 
Qual a situação dos mamíferos no Rio Grande do Sul? Há muitas espécies ameaçadas?
Cassiano Roman – A ideia inicial dos organizadores foi mostrar à sociedade e pesquisadores que ainda falta muito a ser conhecido da mastofauna gaúcha. Pode-se perceber nos mapas de distribuição de cada uma das 165 espécies que existem “vazios de registros”, ou seja, regiões do Estado que quase não possuem pesquisa científica. Essa falta de conhecimento faz com que diversas espécies estejam em via de extinção, ou por não terem sido ainda estudadas de uma forma mais “aprofundada” ou então pela forte pressão antrópica ao longo dos últimos anos. Para se ter uma ideia da importância do Pampa gaúcho (único bioma que em território brasileiro ocorre apenas no Estado do RS), existe 12 espécies de mamíferos endêmicas (que só ocorrem em determinada região) a este Bioma. Apenas este dado já mostra a importância da preservação do Pampa. Além disso, espécies de grande porte como a onça-pintada, tamanduá-bandeira, queixada, ariranha e a anta praticamente desapareceram do território gaúcho. A Lista da Fauna Ameaçada de Extinção do Rio Grande do Sul foi um marco para a pesquisa. Elaborada em 2002 (o RS foi o quinto Estado a elaborá-la), mostrou a situação das espécies, sendo que mais de 30 delas estão inclusas na Lista Vermelha, demonstrando que a necessidade de preservar a mastofauna é urgente.
 
A obra faz referência a medidas necessárias com vistas à preservação?
Cassiano Roman – Para que as espécies de mamíferos continuem sendo encontradas no RS é necessário que diversas medidas de conservação e conscientização ambiental sejam implementadas, como o aumento no número de pesquisas científicas e grupos de pesquisa. Como estamos vivendo um momento de grandes obras de infraestrutura financiadas pelo governo e empresas privadas, é necessário que medidas mitigadoras, que minimizem os efeitos negativos de grandes empreendimentos, tais como parques eólicos, rodovias, hidroelétricas, linhas de transmissão, sejam aplicadas de forma correta. Somente assim será possível minimizar o impacto destas grandes obras à fauna em geral. Para preservar, é necessário Conhecer. Se não conhecemos o que temos é impossível conscientizar alguém que algo deve ser preservado. O livro tem a função de mostrar a riqueza de mamíferos distribuída no RS para estudantes, pesquisadores e admiradores da natureza. Com a difusão do conhecimento entre os membros da sociedade, ficará mais fácil a aplicação de ideias necessárias à preservação, não apenas da mastofauna, mas de toda a flora e fauna. Afinal de contas, não há como separar as plantas dos animais.
 
Com o livro já sendo comercializado, a sensação é de missão cumprida?
Cassiano Roman – Está sendo muito gratificante ler e escutar os comentários de diversas pessoas. Enfim, partimos de uma idéia pequena e com o passar do tempo tomou grandes proporções. Temos consciência de este livro é apenas o começo de outros grandes estudos, como todos os leitores verão é uma obra simples, mas de fundamental importância para o desenvolvimento de outras pesquisas que tenham outro enfoque. Sem saber onde os animais estão e porque estão lá, não é possível qualquer outra 
pesquisa mais aplicada.

Publicações Recentes